The Last of Us é um game inesquecível

Há tempos eu não jogava nada que me segurasse por bastante tempo, ao longo de várias semanas, e com partidas durando tantas horas. Mas The Last of Us (PlayStation3, 2013) da Naughty Dog, é assim… e posso me assegurar de que ele é um dos grandes games desta geração, por alguns motivos.

“A queda da civilização redefine os limites morais. Palavras como ladrão e assassino não te marcam mais como criminoso; todos precisam roubar, matar e fazer o que for preciso para sobreviver. Humanos andam em bandos como cães selvagens, reivindicando seu território e matando qualquer invasor. […]A vida é triste, brutal e cansativa. O amanhã não existe quando o cheiro da morte perdura como a neblina e a esperança se extinguiu a anos. Só existe o hoje; só existe o agora. Morais? Moral não coloca comida na sua boca ou um teto sobre sua cabeça. Morais são para os fracos. E você não é fraco.” – Tom Mc Shea, editor do Gamespot.

The Last of Us, do ponto de vista do desenvolvimento, é um paradoxo: chegou tarde, ao mesmo tempo que chegou cedo. O que eu quero dizer é: o tema principal é zumbi, mortos-vivos sedentos por carne humana… e este tema já deu o que tinha que dar há tempos (Plants vs. Zombies, sério)! Mas, em compensação, a abordagem do game neste assunto, priorizando a sobrevivência, com seres humanos formando grupos, buscando proteção e comida, reconstruindo comunidades e até o background científico que busca explicar as mutações, dão a Last of Us uma cara nova, diferente dos outros jogos de mata-mata zumbi.

Joel enfrenta um estalador
Joel enfrenta um estalador

Além disso, a jogabilidade também é inovadora, porque é o primeiro game que eu jogo em que é melhor se esconder e ficar em silêncio do que sair atirando a torto e direito. Sério, em uma sala cheia de Estaladores, a última coisa que você quer fazer é barulho! Morrer é fácil, bastam poucos tiros ou uma mordida. Recuperar sua vida leva tempo, o personagem principal Joel precisa fazer os curativos, não é simplesmente apertar um botão. Os combates, principalmente com outros humanos, são bastante tensos, e os inimigos tendem a se organizar, então não é raro ser surpreendido por alguém que veio por trás ou que te viu por uma fresta na porta, por exemplo. E eles não estão preocupados se estão atacando um homem de meia-idade ou uma menina. Teve um momento no jogo em que fui atacado por uns 20 homens e quase morri algumas vezes, mas consegui me safar… este evento me deixou tão abalado que passei 2 semanas sem jogar The Last of Us.

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Os personagens são realistas. As emoções, as reações e os diálogos são imersivos. Joel, o personagem que você controla, é egoísta, fisicamente e emocionalmente distante, e comumente reage de maneira agressiva, inclusive com a menina Ellie, de quem a gente gosta imediatamente e, mais importante, é possível acompanhar seu crescimento de medrosa a uma menina sem medo da morte (lembra da Evey Hammond de V de Vingança?).

“Ao contrário de tantos outros, Ellie não é regida pelo medo. Ela fala como uma menina em busca de normalidade, assoviando ou cantarolando durante momentos tranqüilos, fantasiando sobre aulas de natação, e rindo dos problemas que assombravam as meninas antes do surto. Garotos? Escola? Problemas que parecem deploráveis quando seu estômago está roncando por dias e você assistiu um zumbi matar seu melhor amigo, mas ainda assim Ellie lembra deles.” – Tom Mc Shea.

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Os cenários são muito bons. Fica claro que os desenvolvedores imaginaram cidades comuns e as destruíram, ao invés de simplesmente criar mundos despedaçados, então é possível, em vários momentos, ver histórias e o passado das famílias nos objetos deixados para trás. Por fim, o sistema de artesanato também é um bônus, e exige que você explore os cenários em busca de recursos para montar kits médicos e armas, criando uma conexão entre o jogador e este mundo apocalíptico.

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Com 20 horas de jogo, acho que The Last of Us tem um tamanho bastante razoável, além de uma opção multiplayer que também envolve esgueirar-se pelos cantos ao invés de simplesmente sair atirando. É possível jogar durante horas a fio, explorando cada canto e buscando a melhor estratégia de sobrevivência mas, mais importante, vendo Ellie crescer.

“Sua natureza inspiradora está em nítido contraste com as pessoas e os acontecimentos em torno dela, obrigando você a protegê-la e estimá-la.”

The Last of Us é jogo obrigatório para qualquer dono de PS3, uma aventura única que espero que inspire muitos outros jogos que vierem no futuro. Tirou nota 10 no site IGN e também no meu coração… se você não jogou ainda, cara, joga!

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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