Outubro é o mês das bruxas e, como todo ano, época de lançamento de filmes (e alguns games) feitos pra congelar a espinha da galera. Agora não me vem à cabeça nenhum jogo de terror que sai este mês, mas já sabemos que a oferta será interessante num futuro próximo, com o apavorante Silent Hills e o recém lançado Fatal Frame: Oracle of the Sodden Raven que deve vir para o ocidente.

Mas sabe como é que os jogos de terror tentavam nos assustar nos anos dourados dos games – os anos 80? Se você tem idade suficiente vai lembrar de alguns exemplos mas, se perdeu aquela época, talvez tenha interesse em conhecer alguns dos games clássicos de terror e como os desenvolvedores tinham que usar a criatividade e inventar maneiras de meter medo – algumas, claro, funcionavam melhor que outras.

Haunted House (Atari 2600, 1982)

cartucho-haunted-house-atariCom uma arte de capa incrível (que ilustra este post), Haunted House é um dos primeiros games de terror – se não o primeiro. Preso em uma mansão mal-assombrada, você precisa encontrar 3 peças de um baú enfeitiçado e fugir, evitando os ataques de morcegos, aranhas e o fantasma do dono da mansão.

O jogo quer assustar da seguinte maneira: não só o personagem é representado por nada mais que um par de olhos mas, a trilha sonora é estranhamente minimalista e os cômodos da mansão são todos idênticos, fazendo o jogador se perder em um labirinto e torcer para encontrar a saída.

Alien (ZX Spectrum, 1984)

Assim como o recém lançado Alien: Isolation, neste game você precisa cumprir missões sem que o xenomorfo (alien) te capture: expulsa-lo da Nostromo ou escapar com uma das naves de fuga (sem esquecer de levar o gato Jones, assim como no filme). Só que, diferente do Alien: Isolation que tem gráficos lindos responsáveis pela ambientação, o antigo game Alien é uma espécie de jogo de estratégia 8-bit, que consegue manter a tensão e o suspense com abordagens diferentes (já que o visual era limitado).

Os personagens que você controla – que são os mesmos do filme – às vezes irão se recusar a obedecer um comando se estiverem apavorados. Um dos personagens é um andróide infiltrado cujo trabalho é proteger o xenomorfo. O gato Jones gosta de alguns personagens mas não de outros (no filme ele foi responsável pela morte de Brett). E como se não bastasse, o xenomorfo está em algum lugar da nave, esperando para atacar…

Go to Hell (ZX Spectrum, 1985)

Indo parar no inferno, o jogador precisa se aventurar por uma rede de cavernas macabras e encontrar as sete cruzes que o levarão para casa. Apesar de ser um jogo simples, Go to Hell é cheio de imagens grotescas: cadáveres, crânios sendo serrados, cabeças sendo esmagadas por pregos, rios de sangue e tridentes que dão o tom de terror do game. Pena que tudo é tão colorido que acaba sendo mais cômico do que assustador, mas ainda assim é legal.

Castlevania (NES, 1987)

Clássico inegável, Castlevania é peça essencial em qualquer coleção/lista de games com temática de terror. Nele o jogador precisa eliminar a raça dos vampiros até encontrar o vilão Alucard, passando por florestas e castelos cheios de monstros.

Embora este game não tenha nenhum elemento que tenha a intenção de assustar ou deixar tenso o jogador – apesar de a arte de capa ser meio macabra – ele busca inspiração na cultura popular, com referências ao Corcunda e ao monstro de Frankenstein, na mitologia grega com a Medusa e até a própria Morte aparece para enfrentar o personagem Simon Belmont. Além disto, ele é considerado um dos jogos mais difíceis de todos os tempos e, se isso não é apavorante, então não sei o que é!

Splatterhouse (Arcade, 1988)

Minha série favorita de filmes de terror é Friday the 13th, no entanto Splatterhouse não conta a história de Jason Voorhees, muito embora o personagem principal, Rick, seja claramente inspirado no serial killer dos cinemas. Mais conhecida pelos clássicos Pac-Man e Galaga, a japonesa Namco lançou este beat’em up de terror que, apesar de ter mais ação, também garantia uns sustos nos jogadores mais desavisados.

Friday The 13th (NES, 1989)

Agora sim, o jogo se passa no universo do assassino Jason, porém você só pode jogar com os adolescentes monitores de acampamento. O jogo é plataforma side-scrolling simples, em que você se aventura pelo acampamento Crystal Lake eliminando mortos-vivos, coletando itens e armas para matar Jason Voorhees.

Talvez o mais assustador neste jogo é que ele foi publicado pela LJN, publisher americana que, no final dos anos 1980, licenciou uma porrada de games baseados em filmes – todos, dizem as más línguas, péssimos –  como Jaws, Back To The Future e Karate Kid.

Sweet Home (Famicom, 1989)

Conhecido como o pai da série Resident Evil – e do gênero survival horror em geral – Sweet Home, da japonesa Capcom, é uma adaptação do filme homônimo. No game os personagens (todos controláveis, sendo possível alternar entre eles) precisam encontrar a saída de uma mansão assombrada que está a ponto de desabar. Ele é um dos primeiros jogos a usar a mecânica para deixar o jogador nervoso, com munição escassa, inventário limitado e personagens que, se morrem, não voltam mais.

Ao invés de dar sustos no jogador, Sweet Home vai gradualmente aumentando a tensão e gerando um incômodo claustrofóbico. Pode parecer um jogo básico para os padrões de hoje, mas veja como o gênero evoluiu desde Haunted House até do final da década, pavimentando o caminho para uma nova geração de games de terror que estaria por vir.

2 comentários sobre “Como os games de terror tentavam nos assustar nos anos 80

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