Alien: Isolation me deixa com os nervos à flor da pele

Ontem terminei Alien: Isolation no PS4, na minha opinião um dos melhores games que já joguei. No fim do ano passado assisti Alien (1979) para refrescar a memória de um dos meus filmes de ficção científica favoritos e, agora em janeiro, aproveitei meus últimos dias de férias do trabalho para enfim poder jogar com calma. Ao longo de pouco mais de uma semana (algo entre 15 a 20 horas de jogo), incarnei a personagem Amanda Ripley, explorei a estação Sevastopol em busca da caixa preta da nave Nostromo que colocaria um fim ao mistério do desaparecimento da sua mãe, Ellen Ripley (protagonista do filme) e enfrentei todo tipo de intempéries para escapar da estação sem ser capturado pelo xenomorfo, o alien.

Para mim, Alien: Isolation tem três grandes atrativos: primeiro o ambiente, recriado com maestria da maneira como foram feitos pelos artistas Ron Cobb e Chris Foss, capturando o feeling do filme de Ridley Scott. É um lugar com personalidade, atmosfera, com história e propósito; segundo, o jogo é bem tenso e me deixou o tempo todo com os nervos à flor da pele. É um survival horror de qualidade! E uma bem-vinda exceção à regra de que todo jogo inspirado no universo de Alien é ruim (Colonial Marines está aí pra confirmar); por último mas não menos importante, a protagonista Amanda Ripley é uma mulher forte, tão badass quanto Samus e provavelmente a personagem mais casca grossa dos games modernos. Tê-la como protagonista é excelente porque, diferente do personagem feminino padrão (até hoje) dos games, ela não está em segundo plano, não é uma acompanhante gostosa para um protagonista fortão ou uma donzela a ser resgatada. Em Alien: Isolation, é ela quem resolve a parada.

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O gameplay é um pouco repetitivo, já que não são poucas as vezes que Amanda precisa ir até uma sessão da Sevastopol para restaurar a energia elétrica, inserir comandos em um computador ou apenas apertar botões. Perto do fim do jogo, inclusive, tem uma missão em que você vai até uma sala que tem energia elétrica, em seguida vai até outra sala e mexe em um botão que desliga a energia da primeira sala, então volta àquela para restaurar a energia e por fim volta à segunda sala para continuar seu caminho. E tudo isso se escondendo dentro de armários ou debaixo da mesa para não ser morta pelo xenomorfo.

Parece entediante, mas não é. Os movimentos do alien são imprevisíveis (a inteligência artificial é muito competente), aumentando o elemento surpresa. Embora possa ouvi-lo se esgueirando pela tubulação (o que já é apavorante) e seus guinchos aqui e ali, você realmente nunca sabe de onde o xenomorfo vai surgir. Talvez ele te deixe em paz por alguns minutos, talvez ele suba pelo duto de ventilação e imediatamente já desça de lá, talvez ele fique te procurando por um tempão em uma sala, te forçando a esperar escondida. O menor barulho e a fera te encontra e te mata – e garanto que você vai morrer muitas vezes.

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Armas não te ajudam em nada (servem para matar humanos e sintéticos, mas o barulho atrai o alien, o que não é bom). Diferente dos outros games inspirados no(s) filme(s), cheios de tiros e destruição, o xenomorfo em Alien: Isolation não pode ser detido. Esta decisão da developer é incrível porque faz com que você não queira de modo algum encontrar a criatura. Coquetéis molotov, bombas caseiras e o lança-chamas são sua melhor opção porque podem espantar o alien por um momento, às vezes suficiente para você encontrar outro esconderijo, mas os recursos são escassos e desperdiça-los pode te trazer problemas mais para frente.

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Tudo isto cria um clima de tensão e suspense que faz com que Alien: Isolation seja uma experiência satisfatória (ainda mais se você for como eu que raramente joga games de terror), melhor ainda graças aos cenários e à ambientação, como mencionei anteriormente, que não só capturam perfeitamente a estética do filme, como os corredores estreitos, salões vazios, pouca iluminação e mapa confuso ampliam a sensação de claustrofobia e isolamento. Além disso, um dos meus aspectos favoritos é a fumaça que sai dos dutos de ventilação ou preenche uma sala, adicionando um pouco de “vida” ao ambiente abandonado, com ares de casa mal assombrada. Pela primeira vez, concordo que os gráficos de última geração são realmente importantes para a narrativa – não me vejo jogando Alien: Isolation com a mesma tensão sem um hardware capaz de produzir efeitos de iluminação e gráficos como esta geração de consoles é capaz. Eu literalmente segurava a respiração nos momentos mais tensos.

“Não é só o próprio alien que é assustador, é toda a atmosfera. [O visual de] Isolation é igual ao filme original, com uma abordagem retro e industrial à ficção científica. Você vai andar por corredores que de repente se enchem de vapor, e os aparelhos que usará parecem tirados de um catálogo de 30 anos atrás da Radio Shack.” – Andrew Webster, reporter do The Verge.

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O roteiro é bom, com algumas reviravoltas que dão um pouco mais de fôlego à história. Infelizmente ele acaba, em partes, obscurecido pela repetição de algumas missões, como comentei anteriormente. Ainda assim, na minha opinião Alien: Isolation é um game essencial pela originalidade e jogabilidade, que pode agradar não só quem é fã dos filmes ou do gênero survival horror, sem dúvida a melhor interpretação do universo de Alien e o game que a série merecia.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

4 respostas para ‘Alien: Isolation me deixa com os nervos à flor da pele

  1. Tenho de deixar o meu muito obrigado por essa linda análise. Acabei de terminar essa obra prima e tive de aplaudir. Definitivamente o melhor jogo de survivor horror que já joguei.

    Atmosfera fantástica (isso inclui todos elementos como gráficos, ambientação, som (ah o som…). Tiveram o cuidado de até colocar uma espécie de película que da a impressão meio “chuviscada” e old do filme de 79. Cara estou sem palavras, eu poderia falar muito mais aqui, mas você já o fez muito bem.

    O que quero mesmo destacar é o “querido” xenomorfo. De fato ele não parece um bot. É rápido, plástico, esperto e muito, muito imprevisível. (acredite, eu tentei aprender o padrão dele e mesmo depois de tudo que aprendi sobre seus movimentos, ele ainda é imprevisível, é de fato um dos aspectos mais caprichados do jogo). Geralmente em jogos desse estilo quando temos um perseguidor, ficamos com raiva uma hora, de tão teimosos que alguns são. Mas não consegui sentir tanto isso com o Alien pois ele causa tanta tensão, que não tive tempo para sentir frustração ou raiva, eu simplesmente só pensava em uma coisa: SOBREVIVER. Ele simplesmente bota o terror.

    OBS: Quem for jogar, jogue no Hard. Eu sei que pode ser frustrante e que geralmente não temos tempo para jogar e assim ficar morrendo fácil, porém nessa dificuldade, o xenomorfo a maior parte do tempo, não sai da sua cola e você não consegue respirar de tão tenso rápido e imprevisível.

    UM dos melhores jogos dessa geração…

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