Sonic, o icônico ouriço azul criado por Yuji NakaNaoto Ohshima, tem passado por maus bocados nos últimos anos. O personagem, um dos mais importantes da história dos videogames, tem protagonizado jogos que ficam muito aquém da qualidade e excitação dos seus jogos mais antigos, sofrido mudanças estéticas medonhas e vivido histórias com roteiro de gosto duvidoso… há quem concorde que Sonic chegou ao fundo do poço, mas eu tenho uma idéia de como gostaria que a Sega reerguesse a moral do seu principal mascote.

Sonic-1991
Sonic the Hedgehog (Mega Drive, 1991)

Já chegarei lá, mas antes vale contar um pouco de história. Mesmo no início da vida de Sonic, lá no comecinho dos anos 90, a Sega já experimentava diferentes fórmulas para o personagem: o game que deu origem ao mascote, Sonic the Hedgehog* (Mega Drive e Master System, 1991) é um dos favoritos da comunidade de fãs e clássico absoluto, mas naquele mesmo ano a Sega também lançou Sonic Eraser – uma espécie de Tetris com o ouriço.

Sonic-Eraser
Sonic the Hedgehog (Mega Drive, 1991)

Dois anos mais tarde lançou para os arcades Sonic the Hedgehog (1993) que experimentava com visão isométrica, Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Mega Drive, 1993) que também era um puzzle no estilo de Tetris e o esquisito Spinball (Mega Drive, 1993) que era… bem… pinball. Em 1994 a Sega lançou para seu console portátil o jogo de corrida Sonic Drift – uma resposta a Mario Kart – e o curioso Wacky Worlds Creativity Studio (Mega Drive), possivelmente uma resposta a Mario Paint. Em 1995 foi lançado Sonic Labyrinth (Game Gear) que também possuía visão isométrica e era muito devagar e, em 1996, o bizarro jogo educativo Sonic’s Schoolhouse (PC) e o arriscado The Fighters, jogo de luta tridimensional para arcades.

Em resumo, já nos primeiros anos do Sonic a Sega tinha chutado o pau da barraca e experimentado quase de tudo! O ouriço tinha sido criado para ser o mascote da empresa, então é natural querer usa-lo na maior variedade possível de games, mas ao menos isso era intercalado com o lançamento dos platformers, que não somente tinham aquela “experiência única” de Sonic, mas também freqüentemente introduziam personagens memoráveis como a raposa voadora Tails e o equidna Knuckles.

Sonic Adventure (Dreamcast, 1998)
Sonic Adventure (Dreamcast, 1998)

Na minha opinião, a coisa começou a ficar esquisita a partir do Dreamcast. Apesar de a Sega já ter experimentado a mudança para gráficos 3D e a câmera atrás do personagem em Sonic Jam (Saturn, 1997), foi na série Sonic Adventure – que teve início no Dreamcast em 1998 – que a empresa estabeleceu alguns parâmetros para o Sonic moderno, que vimos evoluir (não do jeito bom) no estranho Shadow the Hedgehog (Multi, 2005), no bugado Sonic the Hedgehog (Multi, 2006) e no péssimo Sonic and the Black Knight (Wii, 2009), até culminar na recém lançada série Sonic Boom (Wii U e 3DS, 2014), que foi detonada pela crítica especializada!

O que a Sega deveria fazer, então?

Esta é uma opinião baseada em gosto pessoal então, para mim, a Sega deveria voltar a fazer Sonic da maneira como a gente o conheceu: em games de plataforma! O mais estranho é saber que a empresa passou perto de tomar o rumo certo com Sonic Colors (Wii, 2010) e principalmente Sonic Generations (Multi, 2011), dois games que podem ser considerados os melhores desde a época do Mega Drive. Por que a Sega voltou atrás, então?

Um grande erro cometido é que a franquia Sonic sempre buscou seguir a tendência em vez de tentar ser a tendência! Quando Super Mario 64 (N64, 1996) estabeleceu os parâmetros para uma nova jogabilidade e mundos tridimensionais free-roaming, a Sega quis fazer o mesmo com seu mascote azul, mas acho que o Sonic nunca se adequou a este tipo de gameplay. A Sega deveria seguir a tendência novamente, aproveitar o espírito de nostalgia que permeia o universo gamer contemporâneo e buscar inspiração na nova franquia New Super Mario Bros., que equilibra perfeitamente platformer com gráficos tridimensionais. Eles chegaram próximo disso com Sonic Colors e Generations, como eu comentei acima, mas alguma coisa ainda ficou esquisita.

SonicPara mim, para um jogo do Sonic ser um jogo do Sonic, ele precisa ser estonteantemente rápido! Velocidade era o principal argumento de venda do Sonic original (lembra do Blast Processing do Mega Drive?), e o personagem era tão rápido que o level design precisava guiar o jogador até o final da fase, já que tudo era praticamente um borrão, graças à sua velocidade. Tudo isso criava uma experiência de jogo incrível! Sega, volte a fazer Sonic assim… platformer com muita velocidade, level design inteligente e criativo, personagens não-humanos (ou muito caricaturados, como Robotnik), música memorável e claro, personagens relevantes. Basicamente, volte a fazer o que você fez na primeira metade dos anos 90, aprimore o trabalho feito em Generations (e dê ênfase ao estilo plataforma!), tire o Sonic do fundo do poço e dê um novo futuro brilhante para ele.

*Curiosamente, o seu primeiro jogo não foi exatamente a primeira aparição de Sonic! Se você é da época dos arcades, deve se lembrar do ouriço azul no jogo de corrida Rad Mobile (1991), que mais tarde foi portado para o Saturn com o nome de Gale Racer (1994). Neste jogo, Sonic era somente um enfeite pendurado no retrovisor de um dos carros… ainda assim, ele estava lá!

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