Ontem terminei de jogar Middle-Earth: Shadow of Mordor, um excelente game com história envolvente, jogabilidade impecável e os mais belos orcs que já vi. Um bocado repetitivo, é verdade, mas sem atrapalhar o gameplay e o desenvolvimento da história.

Embora tenha lido os livros e assistido os filmes de O Senhor dos Anéis, é bom poder jogar com personagens fora do âmbito da Sociedade do Anel, ainda que a história do jogo se passe entre os acontecimentos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Isto cria uma familiaridade que agrega à imersão no jogo, mas sem que tenhamos que ficar presos a Frodo e Aragorn… é um alívio, porque o universo criado por Tolkien é muito rico e complexo, permitindo uma infinidade de novas e interessantes histórias.

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Os Uruks são a glória gráfica no jogo

O jogo tem gráficos no nível que se espera da geração atual, com texturas e iluminação de alta qualidade, grandes cenários cheios de detalhes, mas já não é o game mais bonito que joguei no PS4, ficando atrás, por exemplo, de dois remakes: GTA V e Last of Us (leia meus reviews aqui e aqui). Os Nemesis (sistema que engloba os capitães e warchiefs Uruks), no entanto, se destacam bastante! Primeiramente porque é impressionante a variedade de rostos, corpos, acessórios e nomes… e sabendo que os monstros são gerados dinamicamente, gostei de ver como, ao longo de tantas horas de gameplay, eu não percebi se surgiu personagem repetido. Segundo, porque os modelos destas criaturas são lindos: a textura cascuda da pele, o brilho e reflexo no sangue preto, os detalhes dos dentes, dos olhos, da roupa de cada um deles foram tão bem trabalhados quanto vimos nos filmes, dando mais vida e personalidade ao exército de Sauron. Os Uruks são tão bonitos que perdi a conta de quantas vezes acessei o modo fotografia só pra poder apreciar o trabalho dos developers (as imagens deste post foram criadas por mim no modo fotografia).

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Só tem uma coisa que me incomoda bastante com os gráficos de Shadow of Mordor: o protagonista Talion é muito feio! Não quero dizer “feio” no sentido da palavra, mas sim que o rosto dele é malfeito, quadrado, a pele não tem textura e volume, o cabelo não tem movimento, sei lá… o personagem que eu acho que deveria ser o mais bem trabalhado (porque você vê ele na tela o tempo inteiro) parece ter sido feito para outro game. Existe uma forte discrepância entre os modelos de Talion e dos Uruks, e eu não gostei disso.

Lutar contra Uruks é divertido e gratificante

Minhas primeiras horas em Shadow of Mordor foram frustrantes. Lembro de ter lido alguns reviews que comparavam seu gameplay com a série Assassin’s Creed (leia aqui meu review), então quando comecei a jogar eu tinha esta comparação na cabeça, e partia pra cima dos Uruks da mesma maneira que fazia como Edward Kenway, mas acabava morrendo muito. Acabei percebendo que os combates em Mordor eram mais complexos do que pareciam. O que é ótimo, porque eu acho Assassin’s Creed fácil demais e Shadow of Mordor provou, logo no início, que seria mais desafiador. Sendo assim, comecei a ser mais cauteloso e a tentar separar os grupos de Uruks (é uma boa estratégia) para enfrentá-los mais facilmente.

As lutas, aliás, são ponto forte do jogo. No começo é complicado enfrentar hordas de inimigos porque não só você tem pouca experiência (aprender a dinâmica das lutas é importante), mas porque Talion ainda não tem uma série de habilidades que vão facilitando os combates (embora o número de inimigos também vá aumentando). Além disto, sempre que surge um capitão, a dificuldade aumenta relativamente.

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Conforme você vai conquistando novas habilidades e upgrades e deixa as lutas mais fáceis, também as deixa muito mais interessantes. Você morre menos (isso é bom) e consegue enfrentar mais Uruks ao mesmo tempo, mas as lutas ficam mais dinâmicas, possibilitando mais combos (hit streaks), mais finalizações e novas estratégias. Há algo verdadeiramente cativante nas lutas em Shadow of Mordor, especialmente quando você acumula combos e começa a fazer voar cabeças de Uruks com finalizações graciosas e mortais, como um balé sangrento!

O combate final, infelizmente, decepciona

Comentei com meu irmão (que já tinha zerado Shadow of Mordor no começo do ano) como as lutas finais do jogo são fracas. Eu cheguei na última missão com cerca de 40% do jogo completo, o que significa que meu Talion ainda não tinha todos os atributos, runas e upgrades disponíveis no jogo, e mesmo assim foi muito fácil… imagine então pro meu irmão, que só foi fazer a última missão depois de ter concluído todas as missões paralelas, ou seja, já tinha 99% do jogo completo (e consequentemente todos os upgrades) quando lutou contra Sauron e seus guardiães.

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É decepcionante porque você passa o jogo inteiro aprimorando técnicas e estratégias de combate, fica cada vez mais forte, aprende a enfrentar vários capitães e warchiefs ao mesmo tempo, para chegar no final e enfrentar Sauron, o Senhor das Sombras em pessoa, em uma sequência de quick-time events. Eu disse quick-time events! Pelo menos a Monolith lançou o DLC The Bright Lord, no qual você de fato enfrenta Sauron em um combate sangrento, do jeito que deveria ter sido no jogo original.

Os colecionáveis são mais que perfumaria

Uma característica que me agradou em Shadow of Mordor foi que os ítens colecionáveis não são supérfluos. Eu sou do tipo complecionista/completista, e como os artefatos e ithildin estão sempre visíveis no mapa, são isca fácil para mim, e vou coletando-os durante a jornada. Em vista disto, gostei quando percebi que estes colecionáveis também recompensam o jogador com +50 Mirian (a moeda do jogo) cada, que podem ser usadas para comprar novos atributos, como mais vida e foco, e habilita novos slots para runas nas armas de Talion. Colecionáveis úteis são coisa rara nos games atuais, mas em Shadow of Mordor você tem um motivo a mais para coletar todos.

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Independente de qualquer comparação, Shadow of Mordor é gratificante por seus próprios méritos, um dos melhores games desta geração (até agora), e certamente o melhor no universo de Tolkien! Também é algo que qualquer fã de jogos de ação/aventura deveria experimentar, porque adiciona camadas e complexidade que são muito bem-vindas ao gênero.

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