Mesmo com pontos negativos, The Crew foi uma boa aquisição

No fim do mês de abril, ganhei de aniversário do meu irmão dois jogos: um cartucho Super Mario Bros. (NES, 1985) e o recente The Crew (PS4, XOne e PC, 2014), jogo de corrida em mundo aberto produzido pelo estúdio Ivory Tower com a Ubisoft. O jogo tem alguns pontos negativos, que não chegam a ser um incômodo e são ofuscados pelo maior ponto positivo, a jogabilidade, que me deixou meio viciado e por isso passei 3 dias do último feriado grudado no PlayStation 4, literalmente só jogando The Crew.

Vou falar meio por cima os pontos negativos, já que considero que eles não prejudicam a experiência do game, de um modo geral. Primeiro, a história é uma bosta, explora o clichê mais banal de todos, com um protagonista que vai parar atrás das grades por um crime que não cometeu e volta para buscar vingança, ao mesmo tempo que tenta capturar o verdadeiro criminoso.

Segundo, você precisa, obrigatoriamente, estar conectado à internet. Simplesmente não há meio de jogar offline, apesar de todas as missões terem a opção solo. Se o servidor da Ubisoft cair ou a internet da sua casa não quiser cooperar, você não passa nem da tela de início… além disso o jogo oferece muito conteúdo cooperativo e corridas PvP, mas este conteúdo exige uma conta na PSN, frustrante para quem não tem (ou não tem interesse em) uma conta no serviço da Sony*, como eu.

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Terceiro, a trilha sonora é muito fraca e, apesar de ter 120 músicas, há pouca variedade e a grande maioria não empolga, além de não ter nenhuma opção para quem gosta de rock… eu preferi jogar o game com a trilha original composta por Joseph Trapanese, que tem uma levada de filme de ação e acompanha bem o estilo de The Crew.

Quarto, o jogo é quase um pay-to-win – ele oferece duas opções para comprar carros e upgrades: “Bucks” (a moeda padrão) e “Crew Credits”, que podem ser comprados usando dinheiro de verdade. Quando você completa uma missão, recebe pouco mais de 1.000 Bucks**, mas a maioria dos carros custam uma média de 150.000 Bucks (ou 20.000 Crew Credits)… percebe aonde quero chegar? Fica claro que os preços em Bucks são mais altos, para incentivar os jogadores a comprar Crew Credits.

Por último, o ponto negativo que mais me incomodou, The Crew não tem multiplayer local! Eu entendo que ele tem características de MMO (embora 5 jogadores por sessão não possa ser chamado de “massive“) e recompense missões cumpridas em grupo, mas eu não sou fã de multiplayer online e o jogo não me dá outra opção. Isto significa que não posso jogar com meu irmão (que foi quem me deu o jogo, pra começo de conversa) e não posso convidar os amigos para umas corridas – o negócio então é jogar Mario Kart.

Agora, ao que interessa

Salvo a falta de multiplayer local, nem os pontos negativos citados apagam o brilho de um game que é divertido de jogar. A característica que mais me atraiu foi a jogabilidade solta, típica do estilo arcadeThe Crew empresta muito do gameplay de Need for Speed: é rápido, dinâmico, desapegado das leis da física e, consequentemente, gostoso de jogar. Estradas de terra são ainda mais divertidas. Se você lê meu blog, sabe de um post anterior, que era esta a jogabilidade que eu procurava. Nada melhor do que fazer uma curva de 90 graus derrapando a 200 km/h!

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The Crew também tem um mapa gigantesco que, embora não tenha a mesma vivacidade de um GTA, é bem construído. Cidades densas contrastam com vastas áreas rurais, praias e montanhas cobertas de neve, compensando com algum apelo visual*** os trechos extensos de asfalto interestadual. Isso sem contar os mais de 200 pontos turísticos (landmarks), bem além dos clássicos Golden Gate Bridge e Estátua da Liberdade que, quando descobertos, dão um punhado de Bucks e algum XP, convidando a explorar o mapa completo e visitar todos, recurso que agrada gente do tipo colecionista, como eu.

Uma característica que gostei das corridas é que, mesmo a maioria sendo por número de voltas, as que se passam nas estradas não dão a impressão de se dar uma volta… eu gosto muito de corridas lineares, que vão do ponto A ao B (como algumas em NFS: Porsche Unleashed), porque é mais difícil as entradas de curva e os obstáculos, e The Crew passa essa sensação. Também gosto de matar o tempo passeando, e cruzar as estradas abertas dos Estados Unidos, cumprindo pequenos desafios ao longo do caminho, é divertido… no primeiro dia que joguei, fiquei curioso sobre o tamanho do mapa e dirigi de New York a Los Angeles para poder “apreciar a paisagem”, viagem que levou quase 1 hora (eu fui parando para visitar os landmarks). Buscando no YouTube, não foi difícil encontrar quem fez e registrou a mesma viagem:

The Crew me lembra muito o clássico Cruis’n USA (Arcade, 1994) que eu tenho – e jogo até hoje – no Nintendo 64. A proposta do Cruis’n USA de corridas cruzando todo o país é o que o torna único, e ter a mesma proposta melhorada e ampliada, em um game exatos 20 anos depois, é fantástico.

Outro aspecto que torna The Crew divertido é a variedade de kits de modificação (specs) possíveis com cada carro. São cinco opções: street, dirt (minha favorita), perf, raid e circuit, além é claro do carro na versão de fábrica. As modificações, principalmente as duas últimas, mudam bastante a dinâmica do carro e a maneira de pilotar, determinando que o jogador se adapte para cada situação… street, dirt e perf permitem aquela jogabilidade desapegada que eu comentei anteriormente; já com raid o carro derrapa demais e qualquer esbarrão faz ele rodar, o que é muito chato numa corrida; o kit circuit pede um pouco mais de habilidade e que o jogador freie mais nas entradas de curva – eu não diria que é realista (longe disso!), mas a jogabilidade ganha um gostinho de simulação nesta opção.

Como cada carro tem pontos fortes e fracos de acordo com os specs, uma pesquisa rápida na internet me economizou muitos Bucks, já que comprei logo o melhor carro (das opções mais baratas) para cada kit de modificação, em vez de ir na tentativa e erro.

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The Crew foi uma boa aquisição. Quando foi anunciado, entrou para minha lista de compras, mas deixei para depois porque tinham outros jogos que eu queria mais… sendo assim, foi bastante conveniente meu irmão ter me dado este jogo de aniversário. Mas The Crew é bem divertido, terminei o modo história em 3 dias mas ainda tem muita, muita coisa pra fazer. Se você gosta de um game de corrida para jogar sossegado, sem se preocupar em bater ou frear, e ainda se interessa por ser mundo aberto, eu recomendo!

*Vale comentar que, como joguei no PlayStation 4, não sei dizer como funciona o PvP no Xbox One e no Windows.

**Valor aproximado, só pra fazer entender o contexto.

***Não espere grande qualidade gráfica, no entanto. O jogo é bonito sim, mas se você gosta de gráficos de cair o queixo, vá jogar Driveclub, porque The Crew não preza pelos detalhes. É o preço a se pagar por um mundo aberto da dimensão que é no jogo da Ubisoft.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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