Por acaso fiquei velho pra fatality?

Tirei uma noite para jogar todo o modo história do Mortal Kombat X (NetherRealm Studios, 2015); já conhecia MK9 (que todos sabemos, reconta a história original) e fiquei curioso pra saber a continuação. Fui revezando com um amigo nas lutas, enquanto ele me explicava detalhes da trama que se encaixam com os jogos antigos da série*.

Mortal Kombat X é divertido e o enredo é bem construído (apesar da não-linearidade, que pode confundir) mas notei que, durante as várias horas do modo história, somente um fatality é executado. O game não te permite finalizar os inimigos, exceto uma única vez, em um personagem que nem é jogável. Pessoalmente, eu estava tão envolvido com a história que nem senti falta dos fatalities. O que me fez pensar: será que eu ainda me importo com eles?

kenshi-telecopter

Os fatalities sempre foram o maior diferencial da série, e basicamente o que tornou Mortal Kombat popular no início dos anos 90. Eu nunca fui muito de jogar games de luta, mas que garoto não gosta de ver cabeças sendo decepadas e corpos explodindo com uma bola de fogo? Todos gostam! Talvez porque todo garoto, no fundo, é meio sanguinário, que o marketing de MKX foi feito inteiro em cima dos fatalities… e eles são divertidos de assistir, pelo menos por umas duas ou três vezes porque sei lá, eles acabam perdendo a graça muito rápido.

O principal motivo é, na minha opinião, por terem se tornado cinematográficos demais. A tecnologia permite, mais do que nunca: gráficos realistas, texturas incríveis, iluminação sem igual, sangue brilhante e gosmento, muito gore e tudo aquilo que o “eu” de 1994 sempre sonhou – mas usar todos estes recursos da maneira como a NetherRealm fez, produzindo fatalities demorados, super dramáticos e com todo aquele mise-en-scène torna-os meio chatos, ao menos para mim.

fatality

Dá a impressão que o foco do jogo foi desviado, das lutas, para um show de carnificina – como se o fatality estivesse em primeiro plano, e o combate é só o caminho para chegar lá.

Brutality, no entanto, eu gosto! Gosto porque são rápidos… bateu, explodiu sangue, fim de luta; sem enrolação, sem drama, sem poesia, só pedaços de corpo voando – mais ou menos como eram os fatalities antigamente.

Se fiquei velho pra fatality não sei, mas sem dúvida não tenho mais tanta paciência.

*Quando foi que Mortal Kombat deixou de ser um torneio de artes marciais e virou uma novela cheia de traições e reviravoltas?

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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