Retro Studios captura com maestria o espírito de Donkey Kong

Donkey Kong Country: Tropical Freeze (Retro Studios, 2014) faz justiça ao nome da série e traz de volta a sensação de jogar aquele DK que conhecemos no Super Nintendo, criado 20 anos antes pelo dream team da Rare.

O jogo amplia o desafio, as possibilidades e a diversão do seu antecessor, Donkey Kong Country Returns, lançado para Wii em 2010. Terminei o jogo recentemente e posso afirmar com certeza que a Retro Studios retemperou a fórmula que tornou Donkey Kong Country um clássico.

Direção de arte maravilhosa

Quem presenciou o lançamento do primeiro Donkey Kong Country no SNES deve se lembrar da euforia causada pelos gráficos, simplesmente alucinantes para a época. Para mim, DKC: Tropical Freeze causa a mesma sensação, não só porque é a primeira vez que vemos o gorilão em alta definição, mas principalmente pela direção de arte impecável do jogo.

A ilha DK e suas fases nunca foram tão bonitas. Cheias de vida, cada fase – de florestas exuberantes ao fundo do mar – transmite uma sensação de grandeza como nunca antes e a variedade visual, mesmo dentro de um mesmo tema, contribui para que o mundo de DK se pareça colossal e garante que você não presencie a mesma coisa duas vezes. E então temos isto:

tropical freeze silhouette

Uma estética que se popularizou com Limbo (Playdead, 2010) e foi repetida em outros games como NightSky (Nicklas Nygren, 2011) e Type:Rider (Bulkypix, 2013), a combinação de silhuetas pretas com camadas de fundo combina muito com o estilo de Donkey Kong Country e acrescenta ainda mais à variedade visual do jogo.

A volta de Dixie Kong

Dixie_KongA macaquinha mascadora de chiclete dá as caras em um novo game, como personagem jogável, pela primeira vez em 18 anos – sua última participação tinha sido em DK Land III (Rareware, 1997) para GameBoy – e eu não podia ficar mais contente; sempre gostei dela e foi minha sidekick durante a maior parte deste jogo, graças à sua habilidade de voar mais alto e por mais tempo, o que facilita um bocado em várias fases.

Diddy e Cranky Kong (a Retro mandou bem com a ideia da bengala) também têm seu valor, claro, mas a aventura é mais divertida com Dixie ao lado.

Desafio na medida certa

Tropical Freeze é um platformer desafiador que muitas vezes exige reação rápida e pulos precisos usando molas, cipós ou as cabeças dos inimigos; mas joguei ele inteiro sozinho sem grandes problemas… até chegar no penúltimo chefe, Bashmaster.

Bashmaster

A dificuldade aumenta um bocado quando você passa pelas fases só com Donkey Kong, mas não chega a ser impossível. Porém, ao enfrentar os chefes, manter seu parceiro vivo é fundamental, porque é quando você mais precisa das habilidades especiais dele. O urso polar Bashmaster não é difícil (pelo sentido da palavra), mas seus padrões de ataque são meio injustos caso você esteja jogando só com Donkey: o gorila simplesmente não pula alto o suficiente para desviar de alguns dos obstáculos lançados pelo chefe.

As fases do último mundo também foram fáceis de passar sozinho, mas para enfrentar o último chefe, Lord Fredrik, pedi ajuda ao meu irmão. Eu já sabia o que me aguardava porque ele já tinha terminado Tropical Freeze com uma amiga, e já imaginava que eu ia gastar muitas vidas jogando sozinho. O fato é que vencemos o chefão final na primeira tentativa.

Ainda não consegui decidir se Tropical Freeze é um game pensado para ser jogado sozinho ou em dupla. Jogando em multiplayer, caso um dos personagens morra, é só apertar A e ele volta em um barril pra continuar a aventura, o que facilita bastante o progresso pelas fases (no entanto, exige coordenação dos jogadores). Jogando no single player, no entanto, se o sidekick morrer, ele só volta quando você encontra um barril pelo caminho, senão, nada feito.

Resumindo toda esta história, Tropical Freeze não é um jogo difícil, pelo menos não no primeiro playthrough. Ele tem muito replay value, e agora que terminei pela primeira vez é que o desafio de verdade começa: pegar todas as letras KONG e peças de quebra-cabeça! O que me leva a…

… porque colecionar todos os ítens

A série Donkey Kong Country é especializada em exploração e Tropical Freeze não é diferente. O jogador deve procurar pelos colecionáveis em cada canto de cada fase, prestando atenção nas dicas e, às vezes, até se arriscando para encontrar uma peça ou passagem secreta.

Todo o esforço (e juntar as peças vai exigir bastante) não é à toa – serve mais do que para satisfazer jogadores completistas como eu – porque dá acesso a fases bônus, ou seja, estende ainda mais o tempo de vida do jogo, recompensando da maneira correta a dedicação do jogador.

Essa característica está presente na série desde o primeiro game e, se quiser entender um pouco mais por que os colecionáveis tornam DKC um jogo mais interessante, sugiro que assista o vídeo a seguir:

Donkey Kong Country: Tropical Freeze é um excelente platformer cheio de desafios, e um dos melhores jogos de Donkey Kong que já joguei, sem sombra de dúvida no mesmo nível dos clássicos do Super Nintendo. Mal vejo a hora de fechar 100% do jogo!

É bom saber que a Big N ainda sabe agradar seus fãs das antigas, e principalmente que a Retro Studios tem entregado grandes games – além de DKC Returns, ela também é responsável pela aclamada trilogia Metroid Prime.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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