Pelo fim dos HUE BR

Maus jogadores existem pelos quatro cantos do mundo, isto é um fato; mas por algum motivo os brasileiros se destacam quando o assunto é toxicidade nos games, a ponto de que os estrangeiros evitem qualquer contato com nosso povo.

O mau comportamento do brasileiro é tamanho que será difícil limpar a mancha deixada na comunidade gamer por uma minoria imatura cujo único propósito é acabar com a experiência dos outros jogadores. Eu torço pelo fim dos HUE BR.

brazillian-gamers

Acho que definir um jogador HUE não é necessário, mas vamos lá: o perfil de um HUE é de um jogador brasileiro bully, ignorante, folgado e egoísta que acha que a zoeira não tem limites. Figura carimbada nos MMOs – mas não limitado a eles* –, desrespeitam as regras, têm costume de mendigar dinheiro e equipamentos, matar companheiros de equipe por pura diversão, xingar os outros jogadores, chamar uns aos outros gritando “BR? BR?”, conversar ignorando o idioma-padrão do servidor, se juntar em bandos para arruinar a partida dos outros jogadores e até praticar “assaltos”. Sim, assaltos.

“Jogadores brasileiros em games on-line são uma gangue, e não um grupo,” disse Isac Cobb, desenvolvedor independente, durante a PAX East 2013.

 

A zoeira não tem limite

A conduta tóxica do HUE obviamente não tem origem dentro do próprio game, não é a falta de conhecimento das regras do jogo que induz a este tipo de comportamento. A nossa necessidade de trollar o tempo todo vem de estímulos externos, da escola, da brincadeira entre amigos, do convívio em casa, das ruas, da nossa própria cultura e do “jeitinho brasileiro”.

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O brasileiro tem costume de achar que tudo é uma brincadeira e que as outras pessoas não se ofendem e são obrigados a ser complacentes com a trollagem. A gente aprende a ser assim, a rir de tudo, doa a quem doer. Por exemplo, a partir do momento que um programa como Pânico na Band alcança 1º lugar em audiência, ultrapassando um jornalístico/variedades como Fantástico [fonte] e inspirando novos programas a imitar seu formato, como Encrenca, então temos que parar e reconsiderar o que é culturalmente válido. Meu exemplo pode parecer deslocado, mas a televisão ainda é a principal fonte de informação do brasileiro e quem está do lado de lá da telinha é formadora de opinião, nós gostemos ou não.

Enquanto o errado for considerado certo, novos jogadores não irão hesitar em se tornar um HUE BR.

 

Servidores brasileiros e IP Address Blocking

Cada vez mais jogos online ganham servidores localizados no Brasil. Se você acha que isso é motivo para comemorar e achar que as empresas estão investindo mais no nosso país, então pense duas vezes: criar servidores canarinhos é um método eficaz de evitar que nossos jogadores  se espalhem por salas estrangeiras – se os gringos nos querem longe (e eles podem te kickar pelo simples fato de ser brasileiro) então nada mais prático que segregar os gamers brasileiros.

Além disso, muitas publishers instituem IP Block em servidores estrangeiros, impedindo que nós sequer tenhamos acesso àquelas salas de jogos. Uma das razões é para evitar problemas de latência (ok), mas a justificativa pode ser somente para mascarar o filtro “anti-HUE BR” que a empresa pode querer empregar no servidor.

 

Não seja um HUE BR

Nem todo jogador brasileiro é um HUE; os trolls são uma minoria, mas os bons sempre pagam pelos maus. Partindo do princípio que você, leitor, é um bom jogador, uma sugestão para evitar ser punido pelo simples fato de ser jogador brasileiro é não usar nada em seu perfil que entregue seu país de origem, como por exemplo: “BR” ou “BRA” em seu username, a bandeira do Brasil em seu avatar, falar português em servidor estrangeiro, etc.

E se você concorda que a segregação é injusta com quem “joga direito”, então faça sua parte e não seja um troll, não perpetue as práticas dos jogadores HUE BR e denuncie jogadores tóxicos. Desta forma, você contribui para criar uma comunidade mais saudável e divertida para todos, além de mudar a visão que os estrangeiros têm do gamer brasileiro.

*Se você já jogou algum first person shooter on-line usando headset então seus ouvidos certamente já foram alvo da falta de educação deste tipo de jogador. Se não, pode experimentar neste link.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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