Nunca é tarde para jogar um bom jogo e é este o caso de LIMBO (Playdead, 2010), platformer que redefiniu a noção que a indústria dos games e nós, consumidores, tínhamos sobre indies. Originalmente um exclusivo para Xbox 360, baixei em 2013 no iPad mas só joguei neste último fim de semana, e finalmente entendi sua relevância.

lim.bo
sm (lat limbuTeol catól Lugar intermediário entre o céu e o inferno onde, sem a felicidade celeste, nem as penas infernais, se encontram as almas das crianças que morreram sem batismo e onde permaneceram as almas dos justos, antes da ascensão de Jesus Cristo.

Tal qual a definição do dicionário, o enredo de Limbo é muito vago, aberto a interpretação; tal qual a morte que chega sem aviso, o jogador toma o controle do protagonista, sem nenhuma cerimônia – este é o charme deste game, que não te conta quem você é, onde está ou qual é seu objetivo… apenas te dá o controle e o resto você descobre sozinho.

Me lembro do furor que Limbo causou quando foi lançado em 2010. As pessoas começaram a falar sobre games como forma de arte, destacavam seus gráficos inspirados no cinema expressionista, cinza e minimalista, frio e assustador, tão único e inovador nesta mídia que acabou inspirando outros games e hoje é referenciado como padrão estético! Tome como exemplo jogos como Contre Jour (Chillingo, 2011) e Badland (Frogmind, 2013) e é quase certo que resenhas deles irão referenciar Limbo como inspiração visual.

Limbo-2
Com jogabilidade elementar e sem trilha sonora, o grande destaque de Limbo são os gráficos

Com estimativa de 3 a 5 horas para completar todos os 40 capítulos, Limbo possui puzzles simples, quase óbvios… só que tão inteligentes que praticamente forçam o jogador a morrer antes de encontrar a solução correta – porque neste game a morte é insignificante. Somente depois de uns 3/4 do jogo é que os desafios passam a demandar um pouco mais de raciocínio e, na minha opinião, isto é ótimo, porque Limbo é um game que te faz querer avançar, e tem o comprimento ideal para que sua mecânica simplória não se torne cansativa.

É melhor um jogo que deixe a gente com “gosto de quero mais” do que um que estenda seu tempo somente para parecer maior.

Embora a segunda metade do jogo seja mais criativa e ousada em termos de level design e dos desafios a superar, achei que as máquinas, engrenagens e a brincadeira com a gravidade acabaram destoando do resto dos cenários do jogo, que eram repletos de cavernas escuras, árvores e aranhas gigantes – para mim, as paisagens de natureza é que mais remetem ao arquétipo do limbo. Como Limbo não tem uma história bem definida, não ficou claro por que a developer decidiu fazer a transição dos cenários de floresta para edifícios e máquinas.

Limbo-3

Meu único problema com Limbo é que, apesar de super simples, o controle do personagem na tela do iPad pode ser bem frustrante, principalmente nas ocasiões em que o game pede movimentos precisos do jogador. Não foram poucas as vezes que morri porque o iPad interpretou meus comandos de maneira errada. Se for jogar Limbo, faça-o com um teclado ou controle nas mãos, mas não com um dedo na tela.

 

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