Pokémon: 20 anos de uma febre que não passa

Quem diria que já se vão 20 anos do surgimento de um dos maiores fenômenos na cultura popular, Pokémon? Tendo início como um par de jogos de videogame lançados para Game Boy no Japão em 1996, a marca cresceu para se tornar uma franquia multimídia que não dá sinais de enfraquecimento, mesmo duas décadas depois.

Pokémon Red Version e Green Version (GameFreak, 1996) chegaram ao ocidente no finalzinho de 1998 como Red e Blue. Se você vive em uma bolha e não conhece Pokémon, o jogo é um RPG com combates baseados em turno, cujo objetivo é explorar o mundo e colecionar e treinar os monstros de bolso, ao mesmo tempo que compete para se tornar o campeão da Liga de batalhas Pokémon, derrotando os oito líderes de ginásio e a Elite Four.

Gotta catch’em all

A primeira vez que ouvi falar em Pokémon foi na edição nº2 da revista Nintendo World (outubro de 1998). Na época eu tinha 12 anos e fiquei entusiasmado com o conceito de capturar e colecionar monstros, coloca-los em batalhas e evoluir suas habilidades; no entanto, RPG era um gênero que eu considerava complexo, mas alguma coisa naquele novo jogo (talvez o visual, talvez os monstros fofos) me dizia que este era o RPG certo para mim.

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Meu irmão tinha ganhado um Game Boy Pocket aquele ano, então o presente de Natal só poderia ter sido um: Pokémon Red Version (tinha um dragão na capa, óbvio que eu ia escolher ele). Não por coincidência, um amigo do condomínio ganhou um Game Boy Color com Pokémon Blue Version e juntos demos início a uma jornada que só terminou quando tínhamos, nós dois, todos os 150 monstros treinados até o nível 100. Eu, excepcionalmente, ainda tinha o raro 151º pokémon, Mew (leia minha história).

Tanto quanto o carisma dos personagens, uma característica importante pro jogo ter cativado tanto é que ele não tem um enredo muito desenvolvido (diferente dos RPG clássicos), então para crianças que não falavam inglês, como nós, a história não foi uma barreira. Pokémon era tão viciante que foi o único jogo que eu tive para Game Boy*! Mesmo caso daquele meu amigo. Por que íamos precisar de outros games se não conseguíamos tirar as mãos de Pokémon?

Uma revolução: o cabo Game Link

Embora tenha sido lançado junto com o Game Boy em 1989 e seja compatível com mais de 100 jogos, foi com Pokémon que o cabo Game Link viveu seus dias de glória. Outros games ofereciam um modo multiplayer simples – seja corrida, luta ou estratégia – mas Pokémon oferecia algo mais: o acessório era obrigatório se você quisesse completar 100% do seu jogo!

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Jogando Pokémon via cabo Game Link

Isto porque, apesar de existirem 150 monstros, nem todos estavam disponíveis pois alguns eram exclusivos de cada versão (11 em cada); a única forma de obtê-los seria trocando com algum jogador que tivesse a outra versão. Além disto, quatro dos monstros não estavam disponíveis para captura em nenhuma das versões, como o psíquico Alakazam, que só era conseguido enviando um Kadabra através do cabo Game Link, pois este evoluía para sua forma final.

Imagine quão louco era este processo na cabeça de uma criança de 12 anos. Era o ápice da tecnologia nos games!

O mundo pegou a febre

Quando os jogos chegaram em terras ocidentais, o Japão já estava tomado pela febre. Todo tipo de produto estampava as caras dos bichinhos, incluindo animes, livros, álbuns de figurinha, brinquedos, games, roupas, CDs de música e até salgadinhos.

Eu me limitei aos games (tive o Red e o Gold, de 1999) e durante um breve período ao Trading Card Game, mas o mundo se apaixonou tanto que Pokémon é hoje uma das marcas mais valiosas do planeta, gerando um valor estimado de US$ 1,5 bilhão por ano. [Fonte: License! Global]

*Meu irmão tinha Battle Arena Toshinden, mas eu nunca jogava.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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