Este é um assunto que divide a opinião de muitos e gera discussões calorosas nos fóruns. Minha concepção é que investir tempo e dinheiro em remasters – especialmente de games da geração passada – é um desperdício de talento.

Remasters em HD de nosso catálogo de grandes jogos serão uma das principais atividades de negócios”, disse a Capcom, que anunciou o relançamento de Resident Evil 4, 5 e 6 até o final do ano.

Eu já andava incomodado com o tanto de remasterizações que são anunciadas e lançadas nos consoles desta geração mas, depois da declaração da Capcom, decidi dar minha opinião sobre o assunto… antes de mais nada, Capcom, meu amor, nos últimos 20 anos vocês lançaram 22 Resident Evil, sendo que 4 são remasters e 2 são remakes* – e agora virão mais 3 remasters

Se você ainda não sabe – e se está lendo este blog eu acredito que sabe – remaster e remake são duas coisas diferentes: um remaster, ou remasterização, refere-se a jogos previamente lançados que receberam melhorias nos gráficos, no áudio e talvez na jogabilidade (ex.: Grand Theft Auto V). Um remake refere-se a uma nova versão completamente refeita de um jogo previamente lançado, sem reutilizar nada do original, salvo a história (ex.: Final Fantasy VII).

Eu mesmo fico meio em cima do muro, às vezes, em relação a este assunto… eu dei o exemplo acima, mas o remake de Resident Evil 2 (Capcom, 1998) que eles estão preparando para a atual geração eu acho bacana porque o jogo já tem 18 anos. É uma forma de preservar um jogo de grande relevância e atualiza-lo para novas audiências, além disto, ele será uma nova versão do clássico e verdadeiramente beneficiado com novos gráficos… mas não o Resident Evil 6, que mal completou 3 anos!

Quando a Double Fine lançou o remaster de Grim Fandango (LucasArts, 1998) fiquei muito feliz (leia meu review) porque o jogo já tinha uns 17 anos, mas só comprei-o porque, apesar de ainda ter os discos originais, meu computador atual não tem drive de CD – ou seja, a remasterização permitiu que eu pudesse jogar Grim Fandango novamente. Outro que estou mega ansioso é o remake de Full Throttle (LucasArts, 1995) que deve chegar ano que vem… graficamente, os clássicos adventure point-and-click não envelheceram muito bem, por isto será legal vê-lo redesenhado em alta definição!

Full-Throttle-Mockup
Esta imagem foi feita por um fã, mas espero de verdade que seja neste visual que a Double Fine pretende fazer o remake de Full Throttle

O mundo está vibrando com o anúncio do remake de Final Fantasy VII (Squaresoft, 1997), o melhor de toda a franquia, porque este também será uma experiência completamente nova em relação ao jogo original, lançado em 1997 para o primeiro PlayStation. Um remake como este deve custar tão caro para produzir quanto um novo jogo, já que absolutamente nada do jogo original poderá ser reaproveitado.

São games assim, com um espaço de várias gerações, que eu acho que merecem ser remasterizados ou refeitos. Não só porque, visualmente, serão realmente diferentes dos originais, mas também porque, de fato, poderão ser jogados pela molecada mais nova, que ouve a gente falar com tanto carinho dos games do passado mas que dificilmente teriam outra oportunidade de conhece-los porque cresceram com um PS3 ou X360.

São remasterizações da geração passada que me incomodam. Muita gente fala “ah, mas fulano que tinha um X360 perdeu vários exclusivos do PS3 e agora vai poder jogar no PS4.”Azar é o do fulano, se eu não posso comprar os dois consoles (e eu realmente não tenho grana pra isto) eu escolho o que me agrada mais e bola pra frente, e se o cara tinha um X360 e agora tem um PS4, então fique feliz em jogar as novidades.

São desnecessárias, por exemplo, as remasterizações de The Last of Us (Naughty Dog, 2013) e Beyond: Two Souls (Quantic Dream, 2013) porque ambos jogos já eram excepcionalmente bonitos no PS3 e não ficaram tão melhores assim no PS4 (aliás, leia meus reviews aqui e aqui). Halo: The Master Chief Collection (Microsoft Studios, 2014) também é outra remasterização dispensável porque, apesar de ser um pacote com 4 jogos em 1, só Halo 2 ficou diferente… o resto só teve uma ou outra melhoria e nada mais.

Se é para ficar relançando jogos da geração passada na atual, as empresas talvez devessem ter investido em retrocompatibilidade nos consoles… eu sei que é muito complicado porque requer implementações no hardware, mas a Nintendo fez isto com o Wii U e ainda assim é o console mais barato desta geração. Por que o PS4 e o Xbox One já não vieram assim de fábrica? Ao menos a Microsoft está correndo atrás, embora a retrocompatibilidade do XOne seja por meio de emulação e por isto somente uma lista pré-definida de jogos de X360 rodará no atual console.

final-fantasy-vii-remake

Produzir um remake, dependendo da complexidade, é menos custoso e menos arriscado que criar um novo jogo, ainda mais considerando que o ele já contará com uma base de fãs ansiosos para comprar (cito novamente Final Fantasy VII); porém remasterizar um jogo recente custa muito menos, especialmente um que já é em alta definição como os da geração passada… e é quando dói no bolso que a coisa complica.

O game designer veterano Warren Spector, que dirigiu o primeiro Deus Ex (Ion Storm, 2000), declarou recentemente que não tem visto muito progresso no espaço mainstream e que “parece que estamos recebendo versões mais bonitas e refinadas de games que já jogamos por anos”, e termina dando graças a Deus pelo espaço indie, porque são estes estúdios menores que têm apresentado coisas interessantes. Eu concordo com ele e só posso imaginar a quantidade de novas ideias que são deixadas de lado para que as developers trabalhem com remasterizações, seja porque elas acreditem realmente que remasters valem a pena do ponto de vista histórico e cultural, seja só pra descolar um dinheirinho rápido.

Remasterizações não são uma novidade na indústria – Link’s Awakening DX (Nintendo, 1998) é um remaster do jogo original lançado para Game Boy em 1993 – mas infelizmente tem se tornado uma tendência, destas que prometem ter vindo para ficar. Eu sou contra, prefiro ver novos games do que encher a prateleira com os mesmos jogos em embalagem mais bonitinha… torço de verdade que a indústria foque em novidades. E você, qual sua opinião sobre o assunto?

5 comentários sobre “Por favor, dá pra parar com as remasters?

  1. Olha, eu concordo com você. Realmente fazer remakes e remasters de jogos está quase virando uma epidemia. E realmente acredito que eles estejam fazendo isso por um único (e quase óbvio) motivo: dinheiro fácil. É muito mais fácil ganhar dinheiro em cima de jogos são sucesso garantido do que arriscar fazendo uma franquia nova.
    Querendo ou não, a não-retrocompatibilidade dos consoles não acontece sem querer. Eles querem mesmo que as pessoas que tinham o PS3/PS2, queiram comprar o PS4 e que quando sentirem vontade de jogar os seus jogos antigos, sejam levados pela comodidade e comprem a versão do jogo para PS4. Pode parecer meio absurdo, mas a sociedade cada vez mais está em busca dessa comodidade (pagar Netflix para não ter que baixar séries inteiras, pagar o Spotify para ouvir músicas que eles conseguem de graça) e as grandes produtoras de consoles só querem que as pessoas paguem para jogar jogos que elas já tinham.
    Enfim, dinheiro vindo na frente de tudo, como sempre. haha

    ps: a Nintendo que é uma fofinha que vem adaptando os consoles para jogos antigos desde o Wii, que rodava jogos do Game Cube. Eles sim fazem tudo por amor hahah (mas talvez por isso estejam sofrendo nesse mercado).

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  2. Concordo contigo, mas com algumas ressalvas. Concordo que relançar um jogo com mínimas melhorias 5 anos depois só porque agora ele “está uma geração atrasado” não faz sentido, e que o fato de ele “deixar de ser exclusivo” também não seja motivo suficiente para me fazer pirar e sair correndo atrás do game. Porém, como no caso da franquia Halo da Microsoft, este remaster possibilitou que os jogos que atravessaram 3 gerações de consoles fossem reunidos em um; e quem não teve a possibilidade de jogar de cabo-a-rabo, agora não tem mais desculpa. Isso é bastante interessante, mesmo se os últimos jogos tenham saído há apenas 3 anos antes.

    Quanto a retrocompatibilidade, as grandes produtoras de consoles precisam entender que isso só traria benefícios. Talvez eles não vendessem o mesmo número de versões remasterizadas(já que o game da geração anterior também rodaria no seu console), mas com certeza venderiam mais um jogo que teve grande significância na geração passada e que eu posso jogar no meu novo console.

    Uma última coisa. Quero muito esse remake do Full Throttle!

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    1. Concordo que é interessante a Master Chief Collection ter todos os jogos em um único pacote, mas meu ponto era em relação a melhorias com gráficos, som e etc., mas usei este exemplo principalmente porque é o único exclusivo (que eu saiba) remasterizado para o Xbox One – os outros são multiplataforma.

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