Confesso que não resisti… foi mais forte do que eu, coloquei o pior título que eu podia imaginar para este post mas, como o que não mata nos fortalece, fica esse título mesmo. Tenho jogado Splatoon – aquele shooter que a Nintendo lançou em 2015 e que ganhou vários GOTY – esporadicamente desde o começo do ano e, apesar de todo esforço e contrariando a crítica especializada e opinião popular, não consigo me apaixonar pelo jogo.

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Não me entenda mal, Splatoon tem qualidades que eu admiro. Além disto, gosto que a Nintendo desenvolveu um jogo de tiro que foge da fórmula dos concorrentes e atribui um novo e mais acessível objetivo ao jogador – espalhar tinta – mas acho que por causa dos próprios jogadores e da tal acessibilidade (significando que qualquer pessoa, com qualquer habilidade e qualquer vontade, pode jogar), o foco no trabalho em equipe vai por água abaixo e eu simplesmente fico entediado. Mas deixe-me começar pelos pontos positivos:

Esteticamente maravilhoso

splatoon-inkling-concept-art-1O que eu mais gosto em Splatoon é, de longe, seu visual! A Nintendo criou personagens (os inklings) super carismáticos e cheios de estilo que, se tivessem existido quando eu era criança nos anos 90, teria ficado absolutamente fascinado por eles. As carinhas de mau, as roupas da moda, as armas de brinquedo malucas, as cores vibrantes, não tem como não gostar.

Além disso, a enorme quantidade de acessórios (do capacete de samurai à jaqueta de motoqueiro) permite deixar meu inkling com o visual que eu quero. Há personagens para todos os gostos e, das não-jogáveis, minhas favoritas são as hostesses CallieMarie, descoladas, agitadas e ligadas nas últimas tendências da moda, lembram muito uma amiga minha. ❤

Fascinantes também são as artes conceituais, como esta acima, feitas imitando traços rápidos com pastel, cheias de textura, falhas e um bocado de personalidade, dá para ficar admirando os detalhes durante horas – inclusive a Nintendo lançou no Japão um artbook do Splatoon então quem sabe eu consigo comprar um pra poder admirar o trabalho dos artistas por trás do jogo.

Divertido atirar o tempo inteiro

Squid_SistersO produtor do jogo Hisashi Nogami disse em entrevista ao Kotaku que uma das prioridades dos desenvolvedores de Splatoon foi “ter certeza que o ato de espirrar tinta para todo lado seja bem, bem legal… a sensação de atirar tinta e vê-la respingar no chão e se espalhar para todo lado e ser brilhante e borbulhante, o som e os gráficos disto […] seja ótima quando você faz isso.”

E realmente é. Do momento que a partida se inicia, eu seguro o gatilho e começo a ver tinta se espalhando pelos quatro cantos da arena, a sensação é ótima. O som dos tiros “tu tu tu tu tu” é estimulante e talvez até por isto que minha arma favorita é a splattershot.

Música para os ouvidos

E falando em som, a trilha sonora de Splatoon é do cacete! Das várias faixas, que brincam com o hip hop, o eletrônico, o reggae e o j-rock, eu destaco o tema principal do jogo, que abre o vídeo abaixo. É uma das mais agitadas e divertidas e já deixa a gente pilhado para jogar. Aliás, a Nintendo tem mão boa para trilha sonora, e o trabalho em Splatoon é tão excelente quanto o feito em Mario Kart 8, que eu considero ser uma das melhores trilhas originais criadas a atual geração.

O problema é que, infelizmente, nenhuma dessas qualidades é suficiente para me fazer apaixonar por Splatoon. Isto porque os pontos negativos são justamente aqueles relacionados com a experiência de jogo:

Parece que estou jogando sozinho

splatoon-purplesquidEste é o ponto que eu considero mais negativo em Splatoon. Como muito do game se baseia em pintar a maior área possível, a maioria dos jogadores fica focada em colorir o cenário e ignora a possibilidade de “combinar” uma estratégia com o resto da equipe… claro que a proibição do uso de headset colabora, já que não existe comunicação direta entre os membros do time (com exceção do “booyah” e “c’mon” ativados pelo direcional), mas ao menos se fosse possível balancear os tipos de armas usados em cada time, ficaria implícita a estratégia – por exemplo, dois jogadores responsáveis por pintar a fase, um responsável por eliminar o time adversário e o outro responsável por defender a equipe.

Só que isso não acontece e fica cada um no seu canto atirando sem parar para cobrir até o último pedaço da fase com tinta e, de repente, ninguém viu aquele jogador inimigo chegando até a base do seu time e te eliminando logo após o respawn. Eu sei lá, me sinto estranho jogando Splatoon, sempre parece que estou jogando sozinho.

Falta de balanceamento dos levels dos times

Outra coisa que me incomoda em Splatoon é que os times parecem ser formados aleatoriamente, sem que os níveis dos jogadores estejam equilibrados para os dois lados, especialmente se você estiver jogando fora das batalhas ranqueadas.

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Cansei de jogar contra jogadores acima do level 40 enquanto eu ainda não tinha chegado nem no level 10. Foram várias as ocasiões que meu time era formado por iniciantes (eu incluso) jogando contra um time com nível muito maior e, consequentemente, mais experiência e armas mais potentes.

Frequentes quedas de conexão

Para um game construído sobre os pilares do on-line multiplayer, eu tenho sofrido um bocado com quedas de conexão. Há dias em que jogo várias partidas e todas funcionam muito bem, mas há outros que se eu conseguir chegar até o fim de uma única partida, já me sinto saindo no lucro!

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Esta é a velocidade de download na internet da minha casa

A conexão de internet na minha casa não é nada mal: é muito rápida, a fiação é de fibra ótica, o roteador é poderoso, enfim… ou meu Wii U não aproveita tudo que a rede Wi-Fi tem a oferecer ou a Nintendo querer me colocar pra jogar com gente do outro lado do mundo é a causa do problema.

Pior ainda foram as vezes em que eu tinha certeza absoluta que meu Wii U estava conectado à rede Wi-Fi de casa mas o game não me deixava jogar ou fazer compras nas lojas porque ele achava que o videogame não estava conectado à internet.

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Eu quero gostar de Splatoon mas, até a publicação deste post, isto ainda não aconteceu. Não estou dizendo que me arrependo de comprar o shooter da Nintendo e nem que manterei a mesma opinião no futuro… vai ver é só questão de tempo para que o paintball de lulas antropomórficas ganhe meu coração. Ou não.

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