Casos de assédio sexual no mundo dos games (ou, homens, vamos parar de ser babacas)

Se você também acompanhou a EVO 2016, conhece Victoria “VikkiKitty” Alexis, jogadora profissional e comentarista de Super Smash Bros. Apesar de participar da competição, as notícias que têm circulado sobre a garota nada tem a ver com o game, mas sim por ela ter sofrido assédio sexual do também jogador Cristian “Hyuga” Medina durante o evento e denunciado o ocorrido no Twitter.

hyuga
O jogador mexicano Cristian “Hyuga” Medina

De acordo com VikkiKitty, ela e seu namorado acolheram o mexicano Hyuga em seu quarto depois de este ter tomado todas porque se preocuparam com o cara e não queriam que ele ficasse andando por Las Vegas bêbado e sozinho. Victoria foi dormir com o namorado e acordou com Hyuga entre os dois, se esfregando nela e enfiando as mãos por debaixo da camiseta e da calça da garota! Mesmo tendo trocado de lugar com outro colega de quarto, o mexicano foi novamente até a cama que ela estava tentar repetir o ato. Só então ele foi expulso do quarto e VikkiKitty foi à polícia fazer um boletim de ocorrência.

Não é a primeira vez que uma jogadora sofre assédio sexual durante um evento. No final de maio passado, Noel Brown, jogador de Street Fighter, que já havia sido preso por agredir uma namorada, foi banido dos torneios da Capcom após assediar uma competidora durante o Combo Breaker 2016.

Já passou da hora pra parar de ser babaca!

Se isso aconteceu em eventos de grande porte sob os olhos do mundo todo, pense o que não sofrem as mulheres que jogam videogame na internet, longe da visibilidade e vulneráveis a todo tipo de abusos – e sabemos que 100% das mulheres gamers já sofreram assédio*.

Eu tenho amigas que me contaram uma porção de histórias de homens falando merda e sendo imbecis com elas não só durante as partidas, mas depois indo procura-las nas redes sociais pra continuar falando merda. Basta uma rápida busca na internet para encontrar diversos relatos de garotas que sofreram abuso físico e moral, seja no meio virtual ou pessoalmente, como contam a developer Brianna Wu (traduzido aqui), a brasileira jogadora de Ragnarök Suki Rin e também Jhulia e Daniella nesta reportagem da revista Marie Claire.

Chama de gostosa, pede pra mostrar a bunda e os peitos, fala que video game não é lugar de mulher, manda lavar a louça, pergunta se o namorado está ajudando no jogo, fala que vai estuprar ou matar a menina. Que merda é essa cara?! Atitude de moleque machista que acha que o pinto vale ouro e trata a garota que nem objeto.

No final de 2015 a blogueira feminista Anita Sarkeesian, líder do canal Feminist Frequency e notável por sua série Tropes vs. Women in Video Games, que tem como objetivo desconstruir os clichês associados à representação das mulheres nos videogames e na cultura popular, publicou o guia Speak Up & Stay Safe(r), com dicas para as mulheres se protegerem do assédio no meio digital. Só que esta é só uma precaução, o que deve ser feito de verdade é que nós homens precisamos parar de ser uns bostas e deixarmos de uma vez por todas de tratar as mulheres dessa forma!

Um tapa na cara dentro do “próprio território”

Uma notícia que achei legal foi da jogadora coreana Geguri, de 17 anos, acusada de utilizar hacks em Overwatch depois de vencer alguns dos jogadores mais conhecidos do cenário competitivo, incluindo ETLA e Strobe, que apostaram suas carreiras contra a legitimidade da garota. Gegury respondeu às acusações com um vídeo em que prova suas habilidades no shooter da Blizzard e os imbecis que a acusaram foram forçados a se aposentar.

As mulheres representam quase metade** dos consumidores de videogames mas ainda são hostilizadas e assediadas nas comunidades e jogos on-line, e nós homens somos os responsáveis por criar este ambiente desagradável e perigoso para as mulheres. Obviamente nada disso se limita ao mundo dos games mas abrange o dia-a-dia das mulheres em geral. Precisamos entender que nós não somos superiores às mulheres, elas não estão no mundo para nos agradar e que seus corpos pertencem somente a elas e não a nós! Eu convido você, leitor, a conhecer o movimento feminista e parar de reproduzir discursos machistas para que, de uma vez por todas, as mulheres tenham o mesmo espaço, os mesmos direitos e a mesma vida que nós, homens, já temos há séculos.

Para ler:
Think Olga
Lugar de Mulher
Questão de Gênero
Blogueiras Feministas
Ativismo de Sofá
Mentiras sobre feminismo que precisam parar de ser repetidas

*De acordo com uma enquete da Ohio University, 100% das mulheres gamers já sofreram assédio. [Fonte]

**De acordo com a Pesquisa Game Brasil 2015 da Sioux, 47,1% dos consumidores de videogames são mulheres. [Fonte, página 11]

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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