Assassin’s Creed Unity* (Ubisoft, 2014) é o segundo game da série que eu jogo – o primeiro foi Black Flag (leia meu review) e vou comparar bastante com este – e, apesar de ter gostado mais da história em geral, sinto que este não foi o Assassin’s Creed mais empolgante que joguei, mas ainda assim é um grande jogo.

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Grande, literalmente. O que me surpreendeu logo no início foi ver pela primeira vez aquela imensidão de ruas e edifícios de uma cidade gigantesca que eu poderia explorar, característica sandbox que tornou a série Assassin’s Creed famosa já em seus primeiros títulos. Lembre-se que eu só tinha jogado o Black Flag, cujo mapa é composto de diversas ilhas com vilarejos pequenos e poucas pessoas, então uma cidade grande era novidade para mim.

Inclusive, a dimensão de Paris, seus edifícios em escala 1:1 e a enorme quantidade de pessoas nas ruas é certamente o maior triunfo tecnológico de Assassin’s Creed Unity. Infelizmente este vem a um preço… os cidadãos não possuem tantos detalhes, contrastando com as texturas super bem-feitas dos edifícios, e em pouco tempo dá para perceber que a população é composta de poucas pessoas repetidas aos montes. Além disto, embora raras, percebi algumas quedas de frame rate quando haviam grandes aglomerações de pessoas nas ruas.

Joguei Unity em francês e, apesar de não falar a língua, achei que seria mais natural assim, porque os nomes das pessoas e dos lugares seriam pronunciados do jeito certo. Não me arrependo nem um pouco, a dublagem é excelente!

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Como já mencionei, gostei mais da história deste game do que a do Black Flag, porque todos estudamos a Revolução Francesa na escola e temos uma básica noção dos acontecimentos que se sucederam ao final do século 18, que a Ubisoft poderia ter explorado melhor.

A trama de Assassin’s Creed Unity é uma história de vingança e não sobre a Revolução ou mesmo sobre os objetivos da Irmandade, o que abre possibilidades no enredo mas faz com que o jogo seja sobre um jovem egoísta em vez da luta pelo bem maior, e a maneira rasa como tudo se mistura dá a impressão que a Ubisoft poderia ter resolvido algumas passagens de forma mais inteligente. É quase como se alguns eventos da Revolução tivessem sido desencadeados pelo simples acaso de o figurão ser alvo do protagonista Arno Dorian.

Talvez por isto eu tenha gostado mais das side quests do que da história principal. As missões paralelas são, na maioria, mais parecidas com tarefas que eu imagino para um assassino: perseguir, roubar, matar, estas são as coisas que eu acho que Arno e os outros membros da Irmandade fariam no dia-a-dia. Também me diverti horrores com os enigmas de Nostradamus! Sim, eu olhei a resposta de alguns na internet mas, depois que peguei o jeito da coisa, ficou mais fácil e bem mais gratificante resolve-los sozinho.

Em relação ao jogo anterior, a Abstergo foi praticamente excluída da trama de Assassin’s Creed Unity e as referências ao mundo moderno ficaram muito vagas, fato que eu considero positivo, já que nunca achei que todo esse papo de Abstergo valha de alguma coisa.

Um acerto da Ubisoft foi na criação da templária Élise de la Serre, personagem feminina forte e independente que possui papel central na narrativa, guerreira feroz que lidera e luta ao lado de Arno em sua busca por vingança, e foge da maioria dos clichês da personagem feminina hipersexualizada e indefesa típica dos games, muito embora eu ache importante ressaltar que, embora seja uma mulher forte, ironicamente a última aparição de Élise é sendo carregada nos braços do protagonista.

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Unity é um jogo fácil porém menos do que Black Flag, principalmente porque há muito mais pessoas e guardas nas ruas; é um ponto positivo mas em vários momentos achei que a quantidade de guardas acabou interferindo no stealth e na natureza meio “ninja” dos assassinos, porque é quase impossível se esconder quando há olhos vigiando Arno por todos os lados… você é praticamente forçado a lutar, o que é uma pena, porque stealth é justamente o elemento que mais gosto em Assassin’s Creed.

Adoraria que tivessem mantido o assovio usado para chamar atenção dos inimigos e que a Eagle Vision deixasse-os destacados para sempre, como era no título anterior, porque dava oportunidade para estratégias diferentes que Unity não dá.

O que ficou legal é que o protagonista apresenta uma variedade muito maior de movimentos, tanto de escalada e fuga quanto de combate, permitindo mais combinações e lutas visualmente mais interessantes. Também são maiores as capacidades de interação com o cenário, porém em diversas vezes isto acaba atrapalhando, como por exemplo quando Arno não se esconde onde você quer, pula na direção errada ou decide subir na mesa. Em várias ocasiões acabei apanhando porque ele insistia em não pular pela janela… talvez a Ubisoft pudesse ter aprimorado a inteligência do jogo, mas acho que deve ser impossível prever todas as ações que o jogador pode fazer.

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Eu estava empolgado com Assassin’s Creed Unity no começo então acabei baixando o companion app no meu celular. Foi legal jogar na hora do almoço ou esperando o ônibus, mas não acho que valha a pena do ponto de vista da integração limitada com o jogo principal, principalmente porque na maior parte dos casos o app se negava a conectar com a minha conta uPlay. Os mini-games do app também são dispensáveis.

Como não joguei a série toda, não sei dizer quão bom é Assassin’s Creed Unity em comparação aos outros títulos, mas gostei do que vi, só que ainda assim Assassin’s Creed IV: Black Flag foi mais emocionante… acho que a vida de pirata é mais interessante. Ainda assim foram cerca de 30 horas bem gastas e provavelmente devo voltar ao jogo para completar mais side quests e descobrir que segredos se escondem dans la belle Paris.

*Esperei mais de 1 ano para comprar o Unity porque não tinha o menor interesse em presenciar todos os bugs e glitches que acompanharam o jogo em seu lançamento. A espera valeu a pena porque não encontrei nenhum bug durante o game todo, além de ter pago só R$80 por ele fechadinho. 🙂

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