Será o fim dos games mobile pagos?

Estou participando da febre que tem sido Pokémon Go (Niantic Inc, 2016) e me surpreendi com notícias falando sobre o aumento repentino nas ações da Nintendo*, a parceria com a rede McDonald’s no Japão e a quantidade de dinheiro que o game está gerando mesmo sendo free-to-play.

Fenômeno semelhante acontece com Candy Crush Saga (King, 2012) e Clash of Clans (Supercell, 2012), ambos jogos gratuitos que, mesmo quatro anos após seu lançamento, continuam dois dos mais populares jogos mobile e gerando uma grana violenta!

Fui conferir a lista dos 50 jogos mobile mais lucrativos no Brasil no dia da publicação deste post e apenas 1 deles é pago, Minecraft: Pocket Edition (Mojang, 2011); isto me faz pensar se as desenvolvedoras finalmente conseguiram acertar o modelo free-to-play tornando-o bom para ambas as partes, e se este é o fim dos jogos pagos nos celulares.

Eu arrisco “sim” para a primeira questão e “sim, por enquanto” para a segunda. Embora a discussão “jogos pagos vs. free-to-play” esteja longe de acabar, a mim parece claro que para o consumidor pouco importa o debate, já que a maioria dos 2 bilhões de donos de smartphones [Fonte] dão prioridade aos jogos grátis, independente de estes lucrarem com propaganda ou por meio de um sistema de in-app purchases (IAP).

Ao menos em relação a IAP, são cada vez menos comuns as reclamações sobre sistemas de microtransações abusivos e exploração de pay to win, especialmente quando se tratam de produções de grandes empresas, ou seja, estamos em um momento que os games oferecem opções saudáveis de microtransações disponíveis para aquela parcela de jogadores dispostos a pagar por benefícios que melhorem sua experiência de jogo sem atrapalhar a experiência dos outros usuários – tome Pokémon Go como exemplo, há IAPs que vão de $0.99 a $99.99 (credo!), mas nenhuma delas atrapalha o jogo de quem opta por não gastar.

Além disso, não acredito que seja o fim definitivo dos jogos mobile pagos porque concordo com uma afirmação de Barry Meade, co-fundador da Fireproof Games e desenvolvedor do puzzle The Room, em que declara:

“A indústria tem feito jogos mobile que ninguém se importa e disponibilizando-os a milhões de jogadores por nada. […] Produtores free-to-play concordam que a qualidade está em um nível bom, ‘Se está dando dinheiro é bom’, bem, não exatamente, vende-se toneladas de merda todos os dias.”

Meade estimula os desenvolvedores mobile a criarem games que ofereçam aos jogadores experiências cativantes que eles não têm em outras plataformas e, assim que jogos mobile se tornarem tão naturais na vida das pessoas quanto jogos para consoles são na nossa vida, será estabelecido um padrão mínimo aceitável de qualidade – seja no enredo, jogabilidade ou gráficos – e estas mesmas pessoas que hoje jogam de graça passarão a pagar pelos games pois compreenderão seu valor. Se você está cético em relação à minha opinião, é só considerar o sucesso de plataformas como Netflix e Spotify e conferir o dinheiro gerado no cinema – pessoas pagam por conteúdo de qualidade!

E você, o que acha? Acredita que caminhamos para um futuro em que só existam jogos grátis nos celulares? Acha que as microtransações são cada vez menos intrusivas? Deixe seu comentário.

*De fato foi uma surpresa para todos, especialmente para os investidores, que mais tarde perceberam que a Nintendo não tem participação direta no desenvolvimento de Pokémon Go fora serem detentoras de uma porcentagem da propriedade intelectual.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

O que você acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s