Quando a gente começa a colecionar acha que possuir um cartucho de cada é suficiente; naturalmente, era o que eu pensava… mas depois de anos comprando games, conhecendo outras coleções e entendendo até que nível de qualidade posso levar minha própria coleção, percebi que simplesmente ter um de cada deixa de ser suficiente e nem sempre aquele cartucho que você comprou vai ficar na sua coleção para sempre.

Eu comecei a colecionar com o Nintendo 64, é meu console favorito desde criança e eu tinha uma lista de jogos que queria comprar, todos que eu alugava na locadora perto de casa, como Blast Corps (Rareware, 1997) e WinBack (Koei, 1999) por exemplo. Só que na época eu não ganhava muito dinheiro então o preço dos cartuchos era um fator muito importante na hora de decidir o que comprar e jogos mais baratos fatalmente implicam em um pior estado de conservação, então foi preciso encontrar o balanço perfeito entre os fatores.

O tempo foi passando, eu fui entendendo melhor o mercado, passei a ganhar mais dinheiro, comecei a colecionar também os outros consoles da Nintendo e fui percebendo que os cartuchos mais baratos, que não estão em perfeito estado de conservação, passaram a não me agradar mais… quero dizer, em meio a muito jogo feio, com “cara” de velho, eu podia encontrar os melhores e pagar por eles, assim comecei a comprar somente jogos perfeitos (mint condition) ou o mais perto disto.

Mas nem todo cartucho é fácil de encontrar em perfeito estado (ou porque é raro ou porque, ironicamente, é muito popular) e às vezes a gente gosta tanto daquele jogo que quer tê-lo na coleção o quanto antes e pega o primeiro que aparece.

No meu caso os melhores exemplos são Super Mario World (Nintendo, 1990) e Uniracers (Nintendo, 1994). O primeiro dispensa apresentação, é super popular e por isto não é tão fácil de encontrar cartuchos em excelente estado… o segundo é um game de corrida obscuro que dificilmente dá as caras, mas que eu sempre quis ter porque adorava jogar com meu irmão na locadora – tanto um quanto o outro eu comprei assim que surgiu a oportunidade.

Super Mario World, por ter disponível a rodo em vários estados de conservação, eu já substituí duas vezes, sendo que este último é o definitivo porque o cartucho está perfeito. Uniracers, embora eu já tenha encontrado mais algumas vezes, continuam aparecendo em pior estado que o meu (o meu está bom, mas tem os parafusos colados) ou por um preço muito acima da média, então continuo na busca pelo cartucho perfeito.

O clássico Tetris (Nintendo, 1989) vinha junto com cada unidade de Gameboy e, assim como Super Mario World, não é todo dia que aparece um cartucho em perfeito estado, muito embora você encontre vários deles bem cuidados. Ao menos custam barato, então é mais fácil de trocar e revender do que Yoshi’s Story (Nintendo, 1997), que custa mais caro do que deveria e demorei anos para encontrar um em perfeito estado e com preço justo – acabei ficando com o de um amigo.

tetris
Meu Tetris antigo até que não estava ruim, mas o novo está perfeito
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A espera por um novo Yoshi’s Story valeu a pena

Mario Paint (Nintendo, 1992) foi um caso mais interessante porque tive que ir caçando as partes… primeiro encontrei o cartucho, que veio em um lote de jogos que comprei. Embora não tivesse muito interesse nele, mais tarde encontrei o mouse e o mousepad de vendedores diferentes e acabei comprando. Poxa, já tendo o conjunto completo, fiquei afim de pegar um cartucho mais bonito, já que aquele que veio no lote estava em mal estado; eu só não contava que demoraria tanto para encontrar um Mario Paint perfeito, já que a maioria está sempre podre – ah, e como este é um jogo que ninguém quer, normalmente se ele está em bom estado, os colecionadores e vendedores acabam tirando a parte de trás do cartucho para usar em um outro cartucho mais valioso mas que esteja em pior estado, é uma prática comum.

Tá, mas aí fiquei com um monte de jogos repetidos, o que fazer?

Para me livrar deste monte de cartuchos repetidos eu tenho basicamente três opções: vender, trocar ou jogar no lixo. A última está fora de cogitação, mas posso compartilhar umas dicas na hora de você vender ou trocar seus cartuchos repetidos.

Eu, particularmente, prefiro trocar do que revender. “Trocar um pelo outro?”, você pergunta; não exatamente, mas usar o cartucho como moeda em uma compra futura. Jogos mais valorizados às vezes vale a pena vender, principalmente se o comprador oferecer um bom dinheiro, mas mesmo estes podem te ajudar a conseguir games que você ainda não tem na coleção por um preço melhor, já que você pode usar seu cartucho repetido para ganhar um desconto.

Cartuchos que não valem muito, como Mario Paint ou os vários jogos de esporte, é muito mais fácil vender junto com outro do que separadamente, porque são pouco procurados e muitas vezes o valor não compensa o trabalho de tentar revender. Além disto, se você vende-los em um pacote com outros jogos mais interessantes e a um preço justo, pode conseguir vender mais rápido, já que as pessoas costumam gostar de comprar mais por menos – aí você embute o preço daquele cartucho baratinho no pacote e se livra dele.

Se você preferir vender mas não conhece outros colecionadores, pode levar nas lojas de games ou apelar para a internet – além dos lugares óbvios como Mercado Livre e OLX (que cobram uma parcela da sua venda), existem inúmeros grupos de colecionadores de games no Facebook que se sentem mais confortáveis comprando e vendendo através da rede social. Alguns dos games mais raros da minha coleção, como Harvest Moon (Natsume, 1996), eu comprei com outro colecionador em um destes grupos.

A dificuldade de revender seu cartucho está somente em definir um preço competitivo – você não pode cobrar caro demais e nem barato demais… se cobrar muito, ninguém vai comprar seu cartucho, mas se cobrar muito pouco, vai perder dinheiro. Na internet normalmente haverão muitos outros cartuchos iguais ao seu à venda, então pesquise bem antes de anunciar. Se você levar seus cartuchos repetidos em uma loja de games, tenha em mente que o cara da loja vai sempre pagar o menor valor possível*, mas dependendo da sua pressa às vezes compensa.

Eu não sou um grande negociador de games mas aprendi estas dicas com alguns amigos que são, por isto decidi compartilhar. E você, como faz para renovar a sua coleção?

*Lembre-se que, diferentemente dos vendedores na internet e em especial nos grupos de Facebook, o lojista tem um monte de coisas para pagar, como aluguel, salário de funcionário, conta de luz e etc., por isto ele sempre vai tentar jogar o preço do seu cartucho o mais pra baixo.

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