Quando Tomb Raider (Crystal Dynamics, 2013) foi lançado originalmente eu tinha tanta coisa na lista para jogar que acabei deixando a aventura de Lara Croft de lado, ao ponto que esqueci da existência do game, mas fico feliz por não ter jogado antes porque meu irmão me presenteou com a remasterização Tomb Raider: Definitive Edition (Crystal Dynamics, 2014) em uma época que estou sem outras prioridades, e eu não podia ter aproveitado melhor as desventuras da arqueóloga mais famosa do mundo.

Tomb Raider traz para os games o que há de melhor nos clássicos do companheiro arqueólogo Indiana Jones; quero dizer, a série sempre explorou a temática popularizada pelos filmes, mas sinto que esta é a primeira vez que Lara Croft transmite a mesma sensação que a de assistir as aventuras protagonizadas por Harrison Ford.

Os videogames se aproximaram tanto do cinema que não há mais barreiras na construção narrativa, e acho que com este game nossa heroína pega de volta o papel que lhe foi roubado por Nathan Drake na série Uncharted (Naughty Dog, 2007).

É engraçado ainda me surpreender com vastos mundos digitais, mas a ilha perdida de Yamatai foi criada de maneira a ser tão imponente que me tirou o fôlego no momento que vi Lara sozinha naquela imensidão de floresta! A sensação é semelhante ao que senti no início de AC: Black Flag (leia meu review) mas recorrente durante todo o game já que, diferente do pirata Edward Kenway, a arqueóloga não consegue fugir para o mar.

A Crystal Dynamics soube equilibrar com perfeição ficção e realidade, já que o game se passa em uma ilha fictícia mas que tem um nome real (Yamatai vem de Yama-taikoku) e está situada em um lugar real na costa do Japão; e narra como um grupo de expedição precisa escapar das garras da irmandade fictícia dos Solarii, que cultuam a antiga rainha Himiko, uma mulher real que viveu na virada do século 2. É tudo tão bem misturado que eu não sei até que ponto a developer criou uma nova história ou se aproveitou de antigas histórias japonesas.

Uma Lara Croft melhor

A arqueóloga Lara Croft é uma das personagens femininas mais reconhecidas dos games, desde sua criação em 1996, e sempre carregou consigo um apelo sexual muito forte, com suas roupas curtas e seu corpo de medidas impossíveis desenhadas para atrair o público gamer masculino predominante.

Esta nova Lara Croft não é assim, é uma Lara melhor. A protagonista de Tomb Raider não é em nenhum momento sexualizada da maneira como foi feito no passado, agora é muito mais forte, inteligente, capaz e cheia de personalidade.

tomb_raider_2013

“Eles te mostram quem ela é como pessoa, mais do que quem ela é como objeto,” explica Rhianna Pratchett, roteirista-chefe de Tomb Raider. “Não que ela não seja uma personagem sexy, só não é sexualizada, esta é a diferença.”

Este novo jogo me reconecta com a Lara Croft que eu havia abandonado há anos – o último que joguei foi The Angel of Darkness (Eidos, 2003) – pois adiciona uma nova camada de complexidade à personagem, que se torna mais humana. Aqui ela é vulnerável, mas nunca desempoderada e incapaz de enfrentar o perigo.

Explorando as tumbas

Se por um lado a ilha de Yamatai é claustrofóbica, como eu disse, por outro permite explorar cada canto, e as áreas escondidas convidam o jogador a se embrenhar por entre as pedras à procura de relíquias e tesouros perdidos. Este game é mais focado na ação, mas a Crystal Dynamics soube criar boas side missions cheias de puzzles inteligentes como uma homenagem aos primeiros jogos da série – uma chance de “invadir tumbas” em um jogo cuja história não dá tanta atenção ao próprio título.

Muito embora eu não tenha quebrado a linearidade da história perdendo tempo com missões paralelas, me senti quase que obrigado a revisitar o jogo e começar a explorar as tumbas e cavernas no momento em que “the end” estampou a tela; agora eu tenho liberdade de ir aonde quiser e encontrar todos os ítens colecionáveis de Tomb Raider, uma vontade de explorar que eu não sinto há bastante tempo.

Tomb Raider é diferente dos outros da série e a experiência cinemática certamente adiciona muito valor ao game. Ele também dá um novo começo para a personagem, uma estrutura diferente, e permite que histórias incríveis possam ser contadas no futuro. Se você não jogou na geração passada, tem a chance de vivenciar a aventura de Lara Croft nesta geração em sua totalidade, e eu posso afirmar que vale muito a pena!

*Mal posso esperar para jogar Rise of the Tomb Raider (Crystal Dynamics, 2015) que ficou exclusivo no Xbox One durante quase 1 ano e chegou ao PS4 esta semana.

O que você acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s