A primeira vez que ouvi falar do Museu do Videogame Itinerante, projeto criado pelo jornalista Cleidson Lima em 2011, foi há uns dois anos no extinto site Kotaku. Fiquei super interessado pois não imaginava que alguém possuísse uma coleção destas aqui no Brasil… desde então fiquei torcendo para que ele trouxesse seu acervo para São Paulo e este dia chegou, então fui com minha amiga fazer uma visita.

O Museu do Videogame Itinerante é extraordinário por dois motivos principais: primeiro, porque ele é itinerante, isto é, não tem um local fixo de visitação, mas em vez disso viaja pelo país levando seu acervo para onde for convidado; segundo, porque ele é único no Brasil, diferente de outros países que têm vários museus* super bacanas.

O acervo é vasto, são mais de 280 consoles que vão desde o antigo Magnavox Odyssey, primeiro videogame comercial do mundo** lançado em 1972, até os consoles da atual geração. Mesmo assim foram poucos os consoles expostos que eu já não conhecia pessoalmente ou por foto, principalmente os americanos e japoneses, então o que me chamou atenção de verdade foi a presença de vários dos consoles-clone nacionais que inundaram o mercado nos anos 80 em vista da proibição da importação de produtos eletrônicos (já contei esta história aqui) e também os videogames lançados de tempos em tempos pela Tectoy e Dynavision nas últimas duas décadas – estes são consoles produzidos no Brasil que eu realmente não conhecia, porque visam um público-alvo do qual nunca fiz parte.

Também foi legal rever diversos dos minigames que eram moda nos anos 90, como o podrão Brick Game e os fabricados pela Casio, que têm os gráficos gravados na tela LCD que se “movimentam” acendendo ou apagando – não me lembro de ter visto nenhum modelo daqueles Tiger Handheld, que no Brasil foram licenciados pela Tec Toy, e eu tenho até hoje.

Senti que faltou expor os cartuchos ao lado dos consoles, não havia nenhum… legal ver de perto o TurboGrafx-16 mas cadê os HuCards? Adorei rever o Neo Geo, mas cadê aqueles cartuchos gigantescos? Legal ver de perto pela primeira vez o Vectrex, mas cadê o cartucho e, principalmente, a película colorida que continha o “cenário” do jogo e ficava na frente da tela? Este é um ponto que o Museu do Videogame deveria melhorar.

Um dos atrativos do Museu do Videogame Itinerante é que ele convida o visitante a interagir, ou seja, além de ver os consoles, o público também pode jogar vários clássicos, permitindo que as crianças conheçam os bisavós dos games modernos e os mais velhos possam matar a saudade de uma época que já sei foi. Eu e minha amiga fomos visitar a exposição no último dia, por isto não sei dizer se o movimento foi o mesmo ao longo de todo o período que o Museu do Videogame Itinerante ficou aqui em São Paulo mas cara, estava lotado! Todo tipo de gente, de todas as idades, se esbarrando para olhar os videogames – é legal porque mostra que nosso passatempo favorito se torna cada vez mais uma mídia respeitada e reconhecida.

Por se tratar de uma coleção particular, o estado de conservação dos consoles é mediano, eles estão empoeirados, alguns amarelados, riscados e manchados… mas eu não posso julgar o Cleidson, afinal de contas tudo saiu do bolso dele. Fiquei sabendo por uma fonte confiável, que trabalha no mercado de games retro há 14 anos e tem seus contatos, que o Museu do Videogame Itinerante cobra um bom preço (não vou citar os valores) para montar a exposição então acredito ser possível, ao longo do tempo, substituir os videogames em mau estado por peças mais bem conservadas. Isto seria ótimo!

O que eu gostaria também é que o Museu do Videogame ganhasse um local fixo, com consoles e cartuchos expostos ao longo do ano todo – não as peças que viajam pelo Brasil, mas sim outras em melhor estado de conservação, que pudessem ficar sob temperatura e iluminação controladas***. Nos Estados Unidos há, entre outros, o National Videogame Museum, localizado na cidade de Frisco, que conta com um acervo imensurável de consoles e cartuchos, artes originais e documentos, além de salas tematizadas onde as pessoas podem jogar e aprender sobre a história dos jogos eletrônicos, receber eventos e muito mais. Já os ingleses podem visitar o The National Videogame Arcade na cidade de Nottingham, um edifício de cinco andares dedicado exclusivamente à história dos games, com espaço para eventos e workshops, um bar e até laboratórios dedicados ao desenvolvimento de jogos. No exterior há um incentivo cultural muito maior e mais facilidade de criar um museu deste tipo, mas imagine quão incrível seria se tivéssemos uma experiência deste mesmo porte aqui no Brasil!

O Museu do Videogame Itinerante é visita obrigatória para todo fã de games e já tem planos de passar nas principais cidades do Brasil. Fique de olho na agenda e saiba quando você terá a chance de ir conferir a história dos games de perto.

*Nos Estados Unidos, por exemplo, são muito comuns museus em pequenas comunidades, curados e mantidos pela própria população.

**O primeiro jogo de computador foi escrito em 1948 e se chamava Turochamp, um simulador de xadrez que nunca pôde ser testado porque as máquinas da época não tinham poder suficiente para processar os códigos. O primeiro videogame demonstrado ao público era uma versão eletrônica do jogo da velha, chamado Bertie the Brain, de 1950.

***O local onde montaram a exposição, no átrio do Shopping SP Market, tem teto de vidro batendo sol forte o dia inteiro em cima dos consoles. Como o Cleidson permite isto?!

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