Há uns bons anos atrás, na época que comprei meu PlayStation 3 – o que foi em 2009 – li esta história sobre a Electronic Arts pirateando (pasme!) um kit de desenvolvedor para o Mega Drive… aí outro dia coloquei este assunto na pauta de uma das conversas com os colegas colecionadores e, pela curiosidade, fui procurar reler a história. E encontrei o texto, publicado por Ben Kuchera no site Ars Technica.

O que Ben conta é que, durante uma visita ao escritório da EA em San Francisco, em que esperava ver, em primeira mão, o avanço nos próximos jogos da developer, acabou conhecendo uma área com memorabilia da história da EA e que uma das peças chamou sua atenção: era o devkit pirata para o Mega Drive.

“O adesivo no topo dizia: ‘Sonda Sega Genesis. 1990. Projeto interno da EA para engenharia reversa do Genesis’.”

Na época que o Mega Drive estava dando os primeiros passos, a demanda por kits de desenvolvedor era tão grande que a Sega não tinha condições de enviar para todo mundo que queria um. A Electronic Arts, que em 1990 era só uma sombra da gigante que é hoje, foi uma destas desafortunadas que não tiveram a oportunidade de obter um dos devkits originais e, para piorar, os Estados Unidos não eram prioridade naquele momento para a Sega. … o que não impediu a EA de correr atrás e conseguir o aparelho de uma forma ou de outra.

ea-sprobe-1

De onde veio o kit, ou como a EA conseguiu ficar com ele por tanto tempo, são perguntas para as quais Ben não conseguiu resposta, mas conta que os engenheiros da developer desmontaram o aparelho todinho, anotando cada passo e cada peça, e depois fizeram engenharia reversa antes de devolvê-lo ao dono.

“É uma façanha técnica impressionante e, para sorte dos historiadores, a EA guardou o devkit pirata, que está hoje em exposição na coleção de hardware da empresa,” afirma Ben Kuchera.

O Sprobe – apelido que o devkit pirata recebeu – tem todas as peças de um Mega Drive model 1, além de um equipamento de depuração e saídas para conectar a um computador. O primeiro game desenvolvido com ele foi o John Madden Football de 1990 – fundamental para que o Mega Drive (neste caso, o Genesis) roubasse uma fatia do mercado do NES nos Estados Unidos –, e mais um punhado de outros games foi criado com o kit de desenvolvedor pirateado antes que a Electronic Arts recebesse finalmente um devkit original.

É legal imaginar que talvez a EA não tivesse chegado ao patamar que está hoje se não tivesse sido tão cara de pau no despertar da geração 16-bit. Jogar na cara da Sega que eles eram capazes de criar grandes games mesmo sem contar com o apoio da gigante japonesa foi fator essencial para que recebessem o reconhecimento que sabiam que mereciam.

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