Poucos dias antes da minha viagem de férias zerei, pela segunda vez em 16 anos, a mais angustiante das aventuras do herói de capuz verde, The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo, 2000); desta vez a versão para o portátil 3DS, lançada em 2015. Foram mais de 46 horas, distribuídas ao longo de meses, para concluir toda a campanha e side quests* deste que é considerado o ponto fora da curva da franquia e um dos melhores games protagonizados por Link.

Um Zelda como nenhum outro

Hoje compreendo melhor porque Majora’s Mask é melancólico… eu não falava inglês o suficiente quando joguei pela primeira vez (e nem tinha tanto interesse em ler os diálogos) então revisitar o game depois de tantos anos foi como joga-lo pela primeira vez. Não tenho mais a idade perfeita para imergir completamente no game mas, por outro lado, carrego bagagem suficiente para me relacionar com as aflições dos personagens que habitam Termina.

Um macaquinho acusado de um crime que não cometeu; uma menininha inconsolada pela perda do pai, preso em uma maldição; uma mãe em busca do filho desaparecido; um casal que tenta desesperadamente se reencontrar somente para compartilhar um último momento juntos, antes que seu mundo seja engolido pelas chamas; tudo se combina para formar o universo sombrio do jogo.

No entanto, Majora’s Mask não se diferencia dos outros títulos da franquia somente por ser “sombrio”, mas também por não ser uma aventura de grandes proporções como Ocarina of Time (Nintendo, 1998) ou Twilight Princess (Nintendo, 2006)… na verdade, ele é composto de pequenos puzzles muito bem projetados, carregados de significado e focados na temática geral do jogo, que envolve sentimentos de perda, fragilidade, solidão e conformismo.

Termina é uma terra agonizante. Perda, medo e ansiedade permeiam tudo: do diálogo, ao ambiente, às side quests. Até mesmo a música é assustadoramente opressiva,” escreve o redator Nick Beaumont.

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Acredito que essas histórias, que dão personalidade ao jogo, seriam perdidas ou menos significativas caso Majora’s Mask fosse um mundo vasto como é a maioria dos outros jogos da série. O que eu quero dizer é que, embora seja incrível explorar e se perder em mapas enormes, games menores em tamanho, como Majora’s Mask, têm o poder de causar grande impacto no jogador, mas de forma mais introspectiva, se a narrativa for bem trabalhada… o backstory dos espíritos, presos nas três principais máscaras do jogo, é de partir o coração; todos tratam os temas morte e perda de pontos de vista diferentes.

Um conceito à frente de seu tempo

Majora’s Mask também é diferente – e, neste caso, de praticamente qualquer jogo sandbox – porque não trata as side missions como extras, mas sim como parte fundamental do gameplay, algumas delas praticamente obrigatórias para terminar o jogo.

Considerando que o jogador precisa concluir seus objetivos dentro de um ciclo limitado de 3 dias e, portanto, o tempo é um bem valioso, o Bunny Hood é essencial para cobrir grandes distâncias em menor tempo, já que Link corre 68% mais rápido… este capuz você consegue ajudando os pintinhos do Grog a crescerem mais rápido, uma side quest que só é possível concluir se você já possuir a Bremen Mask, obtida com o músico Guru-Guru em uma side quest desnecessária.

No fim das contas, porém, é este elemento da descoberta – sempre encontrar algo novo, uma nova side mission, um novo item secreto – que torna Majora’s Mask tão divertido de zerar. Colecionar todos os itens do jogo não é, nem de longe, tão maçante como coletar tudo em Donkey Kong 64, por exemplo.

Há uma satisfação muito grande em terminar um game que eu já não jogava há tanto tempo e Majora’s Mask provou-se ainda melhor do que eu me lembrava. Ele é o ponto fora da curva, e eu adoraria ver outros The Legend of Zelda arriscando-se um pouco fora de sua zona de conforto – muito embora eu ache difícil, já que Breath of the Wild parece dar o tom das aventuras que virão.

*As mudanças no Bomber’s Notebook são super bem-vindas, pois mantém atualizadas todas as missões que você iniciou e concluiu, sem que você precise fazer anotações manualmente. Ajuda muito a zerar o jogo sem grandes problemas.

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