Carinhosamente apelidado de “o Fuji” – graças a uma leve semelhança com a famosa montanha japonesa – o símbolo gráfico da Atari persiste como um pedaço inesquecível da história dos games e cultura popular em geral. Jovens que jamais tocaram o console usam, orgulhosamente, camisetas estampadas com o logo.

Enquanto outros designs da época – como o Nike “swoosh” criado pela estudante de design Carolyn Davidson em 1971 ou a maçã da Apple criada em 1976 por Rob Janoff – geraram lendas e intermináveis críticas de design, as origens da icônica marca da Atari continuam envoltas em certo mistério.

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De acordo com o livro Art of Atari, do autor Tim Lapetino – um belo mostruário de mais de quatro décadas de histórias, embalagens e propagandas da pioneira dos video games – há dois fatos muito bem estabelecidos: o designer George Opperman criou o logo para seus clientes na Atari, enquanto trabalhava em sua própria agência, a Opperman-Harrington Inc.; o diretor criativo da Atari George Faraco e o co-fundador Nolan Bushnell estavam envolvidos na criação e seleção final. Ponto. Agora, o processo criativo e real intenção de Opperman, são muito mais confusos. Em uma entrevista de 1983, o designer explicou as origens do logo desta maneira:

“Símbolos são apenas alcunhas visuais que combinam as primeiras letras com elementos interpretativos de design. Eu tentei estilizar o ‘A’, e então olhei para o PONG, o grande jogo [da Atari] na época. O PONG tinha uma linha central e uma força (a bola) que ficava atingindo o centro de ambos os lados. Eu imaginei que [esta força] torceria o centro para fora. E foi isto que desenhei.”

Mas, embora a explicação solidifique a intenção de Opperman na criação do logo, nem todos os lados concordam com a “história oficial”. Em entrevista, Faraco insiste que o logo não tem tal conceito por trás, e sugere que Opperman inventou esta explicação anos mais tarde. De acordo com Faraco, “É só um design. Não há nada desta porcaria de linguística, de narrativa. Isto é invenção de alguém. Ele me deu um monte de rabiscos e eu disse ‘Use este’, e foi isto que aconteceu.”

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Alguns conceitos apresentados por George Opperman, incluindo o logo escolhido

De sua parte, Nolan Bushnell acredita que o designer criou várias origens conflitantes para o logo – como a similaridade com o Monte Fuji, por exemplo. Bushnell recontou seu brief para o logo da Atari:

“Deve ser bem simples. Você precisa poder reconhece-lo a 30 metros de distância em um pedaço de papel, e deve ser facilmente reproduzido em bonés, camisetas e qualquer outra coisa. Ele não pode ter muitas linhas finas – deve ser arrojado.”

O próprio Bushnell admite que amou o logo desde o primeiro dia que o viu. Independente de quem conta a história verdadeira, a versão final do logo criado por Opperman fez sua estreia no arcade Space Race, de 1973.

Agora, particularmente – e falo isso como designer formado – a afirmação de George Faraco foi gratuitamente hostil. Quero dizer, ele, no papel de diretor criativo da empresa, não deveria ter contestado a história contada por Opperman, afinal de contas, mesmo que o designer não tenha especificado, ponto a ponto, o processo de criação do logo, sempre existe um conceito, uma ideia, por mais despretensiosa que seja, por trás do desenho de uma marca.

Se quiser saber um pouquinho mais sobre a história da Atari, pode ler este post que escrevi narrando a importância que as capas dos jogos da empresa tiveram na história dos games.

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