Full Throttle Remastered: um clássico, recauchutado

Se você acompanha o blog, já deve estar careca de saber que Full Throttle (LucasArts, 1995) é o meu jogo de videogame favorito*; imagine, então, quão empolgado eu fiquei quando a Double Fine anunciou que estava trabalhando em um remaster completo do clássico point-and-click!

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You know what might look better on your nose? The bar!

Em Full Throttle Remastered você controla o motoqueiro Ben, que precisa salvar a si mesmo e tirar sua gangue Polecats da cadeia, acusados do assassinato de Malcolm Corley, fundador e CEO da última fábrica de motocicletas do país. Para isto, você deve juntar as peças do quebra-cabeça e desmascarar o vilão Adrian Ripburger (interpretado por Mark Hamill), em uma trama inigualável que se mantém fresca até hoje.

Assim como as duas primeiras remasterizações**, Full Throttle Remastered (Double Fine, 2017) se mantém extremamente fiel ao material original, característica que eu mais admiro, mas com gráficos em alta definição.

Aliás, graficamente, a versão remasterizada é linda; e é até injusto chamar de remasterização, já que tudo foi completamente redesenhado, e não só ajustado com algum filtro ou algo assim.

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Desta vez, eu já sabia o que esperar e, sem sombra de dúvida, Tim Schafer e sua equipe atenderam às minhas expectativas, entregando uma experiência idêntica à que eu tinha jogando quando criança.

Idêntica até demais, diga-se de passagem, porque Full Throttle Remastered mantém os mesmos bugs e dificuldades técnicas do original. Nas partes com pancadaria sobre a motocicleta (ao melhor estilo Road Rash), a nova versão do jogo continua tão frustrante quanto a original, nos fazendo lembrar que há certas mecânicas que não funcionam – e nunca funcionarão – dentro de um adventure point-and-click. 😉

Algumas mudanças foram feitas, umas mais e outras menos significativas. A mais significativa foi, com certeza, a remodelagem de alguns cenários (como as paredes da Mine Road) e a ampliação deles nas laterais, para concordar com o aspect ratio dos monitores modernos; a menos significativa foi um punhado de alterações na legenda em Português que, embora não desagrade, é diferente o suficiente para que um fã das antigas possa perceber***.

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Há uma nova opção de destacar objetos interativos, usando a tecla shift, que me incomoda por dois motivos: primeiro, porque às vezes ilumina áreas onde não há interação; segundo, porque descomplica completamente os puzzles de um game que já não era tão complicado assim. A nova tela de menu principal é legal, mas o manual de instruções parece feito de qualquer jeito e não reflete o espírito do jogo. Por fim, a fonte usada no menu de interação é uma sans serif que não tem absolutamente nada a ver com a fonte das legendas e muito menos com a estética do game! Mas eu gostaria de ressaltar que essas mudanças em nada prejudicam a experiência como um todo, e a maioria passa despercebida. A opção de trocar para a versão de Full Throttle que você preferir (os gráficos originais com a trilha remixada, por exemplo) acaba com qualquer reclamação que você possa ter.

No fim das contas, este é Full Throttle jogável novamente, algo a ser comemorado. É um jogo fantástico, com uma história única e performances brilhantes. É o tipo de remasterização que eu quero ver. Para quem é mais velho e jogou o original, Full Throttle Remastered é um convite a reviver uma época mais simples, mesmo que a experiência dure pouco mais de 1 hora; já para a molecada das tabelinhas e guerras de consoles, se gangues de motocicleta não te convencerem a jogar, saiba que, em uma época que os adventures da LucasArts vendiam em torno de 100 mil cópias (o que não era nada mal), Full Throttle vendeu mais de 1 milhão!

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*Eu tenho tatuado no braço o menu do jogo! 😀

**O estúdio já fez outras duas remasterizações de jogos clássicos da LucasArts, sendo Grim Fandango (leia meu review) e Day of the Tentacle.

***Como por exemplo quando você precisa ativar o alarme da torre de combustível para atrair a polícia que está bloqueando a estrada, e o chefe da polícia diz: “He’s got a lot of nerve, that piece of trash!” Na versão em Português do jogo original, lia-se na legenda “Ele tem muito topete, aquele traste!” mas na versão remasterizada lê-se “Ele tem muita coragem, aquele pedaço de lixo!” Claro, a nova tradução está mais correta, mas até certo ponto eu acho que perde um pouco da personalidade do original.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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