Uma visão geral da exposição “A Era dos Games”

Na última quarta-feira (16), estreou em São Paulo a exposição interativa “A Era dos Games”, uma versão abrasileirada da mostra “Game On”[1], com curadoria do britânico Patrick Moran, que disponibiliza mais de 150 jogos, dos mais de 50 anos da história dos video games, para os visitantes experimentarem, sem contar as máquinas e consoles que só estão expostos.

O espaço dedicado à exposição é amplo e bem planejado, introduzindo video games mais antigos, como os primeiros arcades comerciais Computer Space (Syzygy Engineering, 1971) e Pong (Atari, 1972), e até um minicomputador PDP-8/E (DEC, 1965)[2] logo na entrada, mas liberando o visitante para fazer seu próprio roteiro, que pode seguir uma linha-do-tempo lógica, com fliperamas e consoles 8bit logo em seguida, ou então partir para a jogatina nas várias sessões temáticas (jogos de ação, puzzles, simulação, etc.), que possuem consoles de todas as eras representando a evolução dos vários gêneros de jogos eletrônicos – uma das sessões é repleta de indie games brasileiros e outra possui três jogos de futebol, trazidos especialmente para esta versão da exposição.

Visitei a “Era dos Games” com meus amigos Vic e Lucas, em seu primeiro dia aberta ao público, e estava completamente vazia, com exceção de duas equipes de filmagem e do apresentador Otávio Mesquita – para mim foi perfeito, porque pude circular e fotografar à vontade, enquanto meus amigos jogavam tudo que viam pela frente.

Logo de cara, o que me chamou a atenção foi a organização dos aparelhos; geralmente em bom estado de conservação, estão acompanhados de seus cartuchos/CDs, acessórios e até algumas caixas e manuais[3]. É um deleite para os olhos! Em sua imensa maioria, os consoles são japoneses e europeus, o que é muito legal, porque pude conhecer alguns que eu não teria oportunidade de ver de perto, como o FS-A1ST MSX Turbo R (Panasonic, 1990), o FM Towns Marty (Fujitsu, 1993) e até uma máquina de pachinko! Há alguns jogos rítmicos – Just Dance e Rock Band – em uma sala separada, aparelhos de VR para experimentar e até uma VirtuSphere, representando o “futuro” dos games, mas são coisas que não me interessam tanto então deixei passar.

No geral, a mostra é composta de video games que, para um gamer eclético e que passou a vida com um controle nas mãos, não são nenhuma novidade. O aparelho que mais me surpreendeu, no entanto, foi o Virtual Boy (Nintendo, 1995)… tendo a oportunidade de jogar pela primeira vez, fiquei pasmo com a fluidez, a nitidez dos gráficos e a qualidade do efeito tridimensional! Sinceramente, esperava muito menos deste portátil.

A última sessão da “Era dos Games” é um corredor cheio de gabinetes de arcade clássicos como Pac-Man (Namco, 1980), Defender (Williams Electronics, 1981) e Donkey Kong (Nintendo, 1981); e também gabinetes nem tão antigos assim, como meu eterno amor Daytona USA (Sega, 1993) – este corredor é o que melhor me transportou ao passado, já que todas as máquinas estão posicionadas lado a lado, assim como eram nos fliperamas, se parecendo menos com uma “exposição”.

Essa sessão também tem expostas peças de arte únicas, coisas que, sendo designer e fã de video games, me deixaram babando, como alguns slides originais usados nas animações de Dragon’s Lair (Cinematronics, 1983), jogo de aventura dirigido pelo ex-animador da Disney Don Bluth; há também esboços de Donkey Kong, do simulador de vida The Sims (Maxis, 2000) e World of Warcraft (Blizzard, 2004), entre outros.

Os dois únicos pontos negativos foram, na minha opinião, que o ingresso (R$40 inteira e R$20 meia) dá direito a somente uma hora e meia de visita – eu e meus amigos passamos várias horas dentro da exposição mas, vale lembrar, como comentei anteriormente, que era o dia da estreia e que praticamente só tínhamos nós três naquela hora –; e que os dois jogos 8bit com efeito 3D, disponíveis para jogar no Master System e no NES, estavam com o efeito desligado[4].

Quem visitou a exposição na primeira vez que veio ao Brasil, em 2011, com seu nome original “Game On”, no Museu da Imagem e do Som, vai encontrar no Pavilhão da Bienal uma mostra bem mais completa, que visa agradar tanto o hardcore gamer quanto o cidadão comum, e dar um panorama da evolução dos games, sua presença na cultura pop e uma visão do futuro desta mídia. Recomendado para todas as idades e gêneros, “A Era dos Games” fica em São Paulo até 12 de novembro, e depois segue para o Rio de Janeiro, onde poderá ser visitada no Museu Histórico Nacional de 6 de dezembro a 5 de março de 2018.

[1]“Game On” fez sua estreia, em 2002, no Barbican Centre em Londres.

[2]O PDP-8/E exposto é um minicomputador da mesma linha do PDP-1, fabricado pela DEC em 1959. O PDP-1 foi o hardware utilizado para criar o primeiro video game de todos os tempos, Spacewar! (Steve Russell, 1962)

[3]Se você leu minha resenha sobre o “Museu do Videogame Itinerante”, deve saber que me incomodou muito não haver nenhum cartucho com os consoles expostos.

[4]O game 3D disponível para jogar no NES era Rad Racer (Square Co., 1987), e você pode ligar/desligar o efeito tridimensional apertando o botão select, mas nem todo mundo sabe disto, então acho que deveriam ter usado um controle cujo select esteja sem funcionar, para evitar apertos acidentais; já o game para Master System era Out-Run 3-D (Sega, 1988), cujo efeito só funciona se os óculos estiverem conectados ao console, e também pode ser desligado apertando o botão pause na tela de início – seja qual for o caso, o efeito tridimensional estava desligado na exposição.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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