Em toda minha vida, acho que nunca joguei um RPG de mesa com temática futurista – sempre preferi medieval – mas, por ter gostado tanto de Knights of Pen and Paper (Behold Studios, 2012) não pude deixar de experimentar a nova aventura do estúdio brasiliense. Em sua essência, Galaxy of Pen and Paper (Behold Studios, 2017) é uma evolução de Knights, mais ambicioso e mais bem desenvolvido.

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O ano é 1999 e a jornada começa com um grupo de amigos que se junta para jogar RPG na frente do computador, uma experiência on-line inédita, “numa época de conexão discada e disquetes”. Ou melhor, o ano é 2999 e um grupo de caçadores de recompensa se une para explorar a galáxia, fazer contato com inúmeras espécies, capturar bandidos e desvendar os mistérios do espaço.

A premissa de Galaxy of Pen and Paper é tão simples quanto de seu antecessor (leia meu review), assim como sua mecânica, e novamente o ponto forte está em colocar o jogador como narrador, dando poder de determinar o andamento e os caminhos que a aventura toma, não só em relação a missões e side-quests (como foi em Knights), mas fazendo escolhas que mudam totalmente o rumo da narrativa, já que, de vez em quando, o game pede que o jogador selecione alternativas para a história – cada uma com suas próprias consequências.

Mais uma vez, o jogo dialoga com o jogador e, em inúmeras ocasiões, quebra com a quarta parede e mistura fantasia com realidade (dentro do próprio game, claro). Complementando esta mistura, logo de cara, dá pra perceber, em Galaxy, diversas referências, textuais e imagéticas, à cultura pop e sci-fi em geral: dos óbvios “Star Wars” e “Alien: o Oitavo Passageiro”, até coisas mais obscuras como “Família Dinossauro” e o desenho “O Ônibus Mágico”. Ah, um dos meus momentos favoritos no jogo foi um quiz com perguntas sobre filmes [de verdade] e tal.

Galaxy of Pen and Paper tem muito mais lenha para queimar do que Knights, com uma variedade muito maior de side-quests, o que torna o jogo menos repetitivo que seu antecessor. Ou melhor, até certo ponto, porque apesar de ser possível personalizar as side-quests, algumas repetem os mesmos diálogos, mas é um detalhe que dá pra relevar.

O que não dá pra relevar, no entanto, é o design das naves e planetas, modelados em 3D, que destoam totalmente da estética pixel art do resto do game – aliás, graficamente, Galaxy of Pen and Paper é lindo, com cenários e personagens super detalhados, que dão a impressão terem “resolução” maior que Knights (pense que seria algo como comparar sprites de consoles 16bit e 32bit).

Galaxy of Pen and Paper alcançou minhas expectativas e provou-se uma experiência mais divertida, fresca e definitivamente aperfeiçoada em relação ao jogo de 2012. Dá pra ver que os desenvolvedora de Brasília sabem o que estão fazendo… se decidirem levar a marca adiante, fico ansioso, desde já, pela próxima aventura.

P.s.: em nenhum momento me referi a Knights of Pen and Paper 2 porque o jogo foi desenvolvido por outra empresa, a sueca Paradox Interactive.

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