Grand Theft Auto: há 20 anos provando que o crime compensa sim

Duas décadas após o lançamento de seu primeiro título, a franquia Grand Theft Auto (DMA Design, 1997 – Rockstar North, 2015) já tem suas raízes instaladas tão profundamente na cultura gamer, que é virtualmente impossível que alguém nunca tenha ouvido falar.

GTA começou ambicioso, com proposta e gameplay originais, e cresceu para se tornar o supra sumo do conceito de mundo aberto. Do início controverso a um dos maiores nomes da indústria, os últimos 20 anos provam que quebrar as regras é algo que todos gostamos de fazer.

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Grand Theft Auto (DMA Design, 1997)

Em algum momento no ano de 1998 ou 99 conheci o primeiro GTA… não sei dizer se foi por meio de uma demo daquelas revistas de PC, se algum amigo baixou na internet (a gente ainda não usava P2P naquela época né?) ou comprou CD pirata, só sei que eu era muito moleque quando, pela primeira vez, saí pelas ruas roubando carros, atirando em inocentes e acumulando bônus por atropelar um grupo inteiro de Hare Krishnas.

Eu gostava mais de explorar os cantos da cidade e locais secretos, e acelerar por entre os carros, do que cumprir as missões, muito embora algumas ficaram eternamente gravadas na minha memória, como aquela em que você entra com um caminhão cheio de explosivos em uma delegacia de polícia.

A visão de topo era uma novidade que eu nunca tinha visto em um jogo de ação, e me passava a impressão de estar brincando em uma cidade em miniatura. Uma cidade cheia de vida, diga-se de passagem: se você bloqueasse o trânsito, os carros atrás começavam a buzinar; ao roubar um carro, você passava a ouvir a rádio que o dono do carro tinha sintonizado; as pessoas na rua te xingavam se você tentasse atropelá-las, e por aí vai – características presentes, até hoje, em qualquer Grand Theft Auto.

Grand Theft Auto III (DMA Design, 2001)

Grand Theft Auto III foi, de longe – assim como seus sucessores GTA: Vice City (2002), GTA: Liberty City Stories (2005) e GTA: Vice City Stories (2006) –, o título que mais joguei desta franquia. O jogo reinventou a série, expandindo-a em um nível nunca visto e trazendo-a com força total para o ambiente tridimensional. Também foi o primeiro GTA a apresentar a história com cutscenes entre as missões (muito embora GTA 2 tenha aquela introdução live action irada), o que contribuiu imensamente com a imersão, com o desenvolvimento da narrativa e construção das personagens.

Uma característica pertinente é que todas as versões com base em GTA 3 têm personagens dublados por vários atores e atrizes famosos, com nomes como Samuel L. Jackson, Danny Trejo, Jenna Jameson, Debbie Harry e até os músicos Phil Collins e Ice T., mostrando que a Rockstar sempre se preocupou com a qualidade da franquia.

O aclamado Grand Theft Auto: San Andreas (Rockstar North, 2004), criado com a mesma engine RenderWare, enfatizou a personalização do protagonista C.J. com elementos de RPG que iam além das opções de roupa introduzidas em Vice City: o nível de respeito que o protagonista tem nas ruas é consequência de sua aparência, suas ações e até seu relacionamento com as namoradas; C.J. precisa se manter saudável e praticar exercícios, pode aprender três tipos de lutas, e melhora suas habilidades (dirigir, atirar, fôlego) conforme o jogador vai avançando.

Grand Theft Auto V (Rockstar North, 2013)

Confesso que nenhum GTA tinha me chamado tanto a atenção desde GTA 3 – fiquei quase uma década sem dar bola pra franquia –, mas fiquei satisfeito com o que encontrei em GTA V (leia meu review aqui). O mais recente título Grand Theft Auto é, sem sombra de dúvida, sua mais ambiciosa iteração: o mapa é gigantesco, são centenas de missões, sidequests e colecionáveis, inúmeras personalizações e interações e, claro, pela primeira vez, três protagonistas!

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Jogar alternando entre Michael, Franklin e Trevor faz com que a progressão de GTA V seja estimulante. Os três personagens, com backstory e personalidades tão diferentes, criam uma dinâmica que não tinha sido vista em nenhum outro game da série, principalmente nas missões que exigem que o jogador sincronize suas ações alternando entre eles. Inclusive, outra característica bacana, em algumas missões que demandam uma equipe, é você poder contratar “profissionais” com diferentes habilidades, que vão ajudar a alcançar o objetivo… claro que cada um tem seu preço, e contratar ajuda de melhor qualidade faz com que sua fatia do prêmio seja, consequentemente, menor.

GTA V também permite, pela primeira vez, que você jogue em primeira pessoa. Eu, particularmente, não sou fã deste modo, mas ele faz um bom trabalho de imersão, e realmente coloca o jogador na pele dos protagonistas, podendo faze-lo até sentir-se culpado por socar a cara de um pedestre inocente, por que não? Além disto, também proporciona um novo ponto-de-vista, que faz com que a metrópole de Los Santos se pareça ainda maior.

Já rolam rumores de um novo título Grand Theft Auto, mas sem data prevista de lançamento, então resta imaginar até onde a Rockstar conseguirá levar sua franquia desta vez. Uma certeza nós podemos ter: ainda há 1 milhão de histórias de crime a ser contadas então, sem dúvida, GTA tem lenha para queimar por pelo menos mais 20 anos!

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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