Eu fico full pistola com Cuphead

Cuphead (Studio MDHR, 2017), este sidescrolling shooter enviado do inferno pra acabar com a minha paciência, tem recebido toda atenção da comunidade gamer, desde seu lançamento em setembro, por suas duas características mais marcantes: os lindos gráficos e a dificuldade implacável. E é por causa da segunda que eu vim escrever este review agora.

Normalmente eu gosto de jogar um game até o final, antes de vir ao blog publicar minha resenha, mas acontece que Cuphead é tão difícil, que eu preferi colocar o carro na frente dos bois, e mais tarde eu lido com o resto do jogo. Não me entenda mal, eu até gosto de games difíceis, mas não há muito o que falar de Cuphead, porque ele é tão trivial quanto impiedoso.

Cuphead_Cigar

Essencialmente um run and gun (dos bons) com requintes de bullet hell, tudo que você faz no jogo é andar, pular e atirar, mas a jogabilidade é tão precisa que qualquer vida perdida é culpa sua, e somente sua. Porém, certifique-se de jogar com um controle nas mãos – principalmente se for jogar no PC – e, de preferência, remapeie os botões para que o layout fique mais confortável, você vai precisar.

“[Cuphead] é um game que requer paciência, habilidade e observação, sem mencionar os reflexos de um gato nervoso,” brinca o jornalista Stuart Andrews.

Vencer o jogo depende de aprender os patterns dos chefões, então repetição é essencial, mesmo se não fosse, literalmente, imposta. O elemento da surpresa, no entanto, reside na aleatoriedade por trás do comportamento deles, então é preciso se preparar para toda sorte de ataques que cada chefão pode desferir sobre os protagonistas Cuphead e Mugman (se você jogar multiplayer); sendo assim, mesmo após aprender os movimentos de cada inimigo, você pode acabar sendo pego desprevinido.

Mesmo que eu já tenha pegado as manhas de enfrentar um tal chefe, não me sinto mais tão à vontade para jogar, depois de passadas 2 horas ou algo assim. Acontece tanta coisa na tela, e a gente é obrigado a repetir tantas vezes os mesmos desafios, que eu começo a me estressar e meu desempenho vai piorando, então paro de jogar.

No momento da publicação deste post, meu save game registrava 54% do jogo concluído e 575 mortes. Considerando que só venci 15 chefes/fases, dá uma média de 38 tentativas em cada uma.

É claro que eu posso jogar no modo simple, mas aí será impossível terminar o jogo, porque vencer os chefes no modo simplificado não dá direito aos “contratos” que Cuphead precisa coletar, afim de enfrentar o chefe final do jogo, o Diabo em pessoa. Então, o negócio é respirar fundo e tentar outra vez… ou outro dia.

Cuphead_Mermaid

E, com isso, só me resta falar da outra coisa que Cuphead tem: os gráficos. Ilustrados e animados quadro a quadro, totalmente à mão (mas coloridos digitalmente), os gráficos deste game estão no meu Top 10 dos mais bonitos de todos os tempos! Não somente os personagens são artesanais, mas os backgrounds também, e inúmeras vezes me distraí e perdi uma vida por ficar contemplando o trabalho excepcional dos artistas da MDHR Studios.

A estética é inspirada nos desenhos animados da década de 1930, cujo estilo é remanescente do trabalho de estúdios lendários como Fleischer Studios (Betty Boop, Bimbo), Van Beuren Studios (Felix the Cat), Harman-Ising Pictures e Leon Schlesinger Studios (as séries Looney Tunes e Merrie Melodies) e, claro, Walt Disney Studios (Mickey Mouse, Silly Simphonies); com alguns personagens especialmente parecidos com o que nossos avós assistiam nas salas de cinema, como dá pra ver no vídeo a seguir:

Eu não sei se esses desenhos antigos ainda passam em algum canal de TV, mas vamos combinar que é nostálgico para, pelo menos, três gerações. Além do visual incrível, não dá pra ignorar a trilha sonora e até as referências a outros jogos de video game.

Agora já estou satisfeito, porque publico a resenha de um jogo que, tenho certeza, ainda vou demorar pra zerar. Cuphead certamente é muito difícil para alguns jogadores e, mesmo sendo tão bonito, vai afastar os impacientes… mas habilidade é algo que se ganha com o tempo, e mesmo sendo um jogo tão brutal, tem algo nele que nos puxa de volta. Então deixa eu ir lá tentar de novo!

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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