Sobre conexão entre portáteis e consoles de mesa

Com o Nintendo Switch completando 1 ano, a fronteira que divide consoles domésticos e portáteis diminui cada vez mais. Porém, como nós bem sabemos, o console inovador é o primeiro a cumprir este objetivo, muito embora as developers tenham, ao longo das décadas, criado diversas maneiras de conectar seus video games portáteis com os aparelhos de mesa.

Super-Game-Boy-2A primeira tentativa comercial veio com o lançamento do Super Game Boy, um adaptador para SNES que permitia jogar cartuchos do Game Boy na televisão. O primeiro game compatível foi Donkey Kong (Nintendo, 1994), e o legal é que os designers podiam criar bordas decorativas e até usar cores, que só estariam disponíveis quando jogador encaixasse o cartucho no adaptador. O Japão recebeu uma versão atualizada do adaptador, chamado Super Game Boy 2, que tinha entrada para o cabo GameLink e, por isto, permitia conectar o próprio Game Boy (e não somente os cartuchos) para jogar multiplayer.

Four-Swords-GCN-GBAA Nintendo continuou experimentando conectividade com o lançamento do Transfer Pak em 1999, mas este só permitia transferir dados, como enviar personagens de Pokémon Red/Blue (Game Freak, 1998) para Pokémon Stadium (Nintendo, 2000). Lembro que a funcionalidade mais legal que eu havia ficado sabendo na época, por artigo em revista, é que a Rare considerava usar a Game Boy Camera para colocar o rosto do jogador em Perfect Dark (Rareware, 2000). Em nenhum caso, porém, havia uma conexão relevante entre console e portátil.

O cabo GameLink do Game Boy Advance apresentaria uma nova funcionalidade, já que alguns jogos de GameCube permitiam conexões mais interessantes com o GBA: por exemplo, The Legend of Zelda: Four Swords Adventure (Nintendo, 2004) e Pac-Man Vs. (Nintendo, 2003) permitiam usar até quatro GBA como controles.

Com os consoles e portáteis acessando nossas redes Wi-Fi, ampliou-se o campo de possibilidades para conectividade. Infelizmente, a Nintendo não quis aproveitar o potencial de seus dois video games mais populares, o Wii e o DS que, embora pudessem se conectar, mantiveram-se no mínimo permitindo troca de dados… somente Trauma Center (Atlus, 2005) e Cooking Mama (CML, 2007) fizeram diferente, usando a tela de toque e os sensores de movimento do DS para mecânicas interessantes em suas versões para Wii.

Destiny_RemotePlay
Destiny (Bungie, 2014) sendo jogado via streaming no PS Vita

Quem fez certo foi a Sony, com o lançamento da função Remote Play para seu console portátil PSP, que permitia acessar o conteúdo de vídeo, música e fotos do HD do PlayStation 3, além de ser possível jogar uma seleção de games de PS1 e da PSN no portátil por meio de stream com o PS3. A função, claro, foi herdada pelo PS Vita e até pela linha de smartphones Xperia, com a vantagem que eles permitem jogar os games de PlayStation 4 via stream!

Battlefront-Companion-AppConsiderando smartphones e tablets como video games portáteis, diversas developers passaram a permitir que seus jogos nos consoles se conectassem com nossos aparelhos móveis – via aplicativos conhecidos como companion apps. Há exemplos bizarramente ruins, como o app que acompanha Beyond: Two Souls (Quantic Dream, 2013) e permite usar a tela do celular como controle; mas também há exemplos muito interessantes como o Pip-Boy, a versão em app do aparelho usado pelo protagonista de Fallout 4 (Bethesda, 2015); ou o companion app desenvolvido para Assassin’s Creed IV (Ubisoft, 2013), que permitia usar o smartphone como mapa, atualizado em tempo real com as missões e achievements, além de oferecer um mini-game de comércio marítimo que rendia dinheiro e itens para o jogador usar no console.

O Nintendo Switch, como comentei no início do post, estreitou a barreira entre consoles domésticos e portáteis, sendo o primeiro híbrido entre os dois, adaptando-se ao ser tirado ou encaixado no dock. Somando o sucesso do console, com o poder de processamento cada vez maior empregado em pequenos aparelhos, acredito que será breve o dia que não haverá mais distinção entre consoles domésticos e portáteis, e enfim eles estarão mais conectados do que nunca antes na história dos games.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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