O que é melhor: jogos free-to-play ou demo?

Outro dia mesmo eu trouxe de volta um assunto que gosto de colocar nas rodas de discussão de games: se os jogadores sentem falta das versões demo dos games ou se preferem free-to-play, em que boa parcela do jogo é liberada gratuitamente mas o jogador deve pagar por conteúdo adicional ou premium, além de, na maior parte dos casos, lidar com veiculação regular de anúncios.

É difícil chegar a uma conclusão, especialmente se você for nostálgico em relação àquelas tantas revistas de PC e games que acompanhavam CD-ROMs cheios de joguinhos demo – foram incontáveis games que eu conheci por meio destes CDs, muitos dos quais acabei comprando mais tarde, como Claw (Monolith Productions, 1997) e Worms 2 (Team 17, 1997). A gente trocava os discos com os amigos pra que todo mundo experimentasse o máximo e, considerando que ninguém tinha muita grana, as demos eram uma oportunidade de jogar games que talvez eu nunca conhecesse.

Doom

O primeiro Doom (id Software, 1993) só se tornou um grande sucesso porque foi liberado como demo, em que o jogador podia experimentar as três primeiras fases, e era incentivado a compartilhar com a galera, um conceito chamado shareware. Se quisesse zerar o game, o jogador comprava a versão completa – e pelo menos 1 milhão de cópias foram vendidas! No entanto, jogos freemium estão aí pra gente jogar quando e o quanto quiser e, embora possuam conteúdo escondido por uma barreira financeira, na maior parte das vezes a gente nem chega perto dela.

Versões demo dos jogos são algo praticamente morto na indústria, e eu fico imaginando se realmente sinto falta delas… quero dizer, antes da internet, antes dos vídeos de gameplay, essas versões eram nossa melhor arma na decisão de compra de um novo jogo. Reviews nas revistas não bastavam (mas espero que as reviews do meu blog te ajudem 👍 ), vídeos promocionais nas lojas eram raros, então CDs com demos eram tidos como tesouros de valor inestimável!

Do ponto de vista das developers, no entanto, não deve valer a pena. Até o final dos anos 90 ou começo dos 2000, a produção de um jogo ainda era relativamente tranquila, por isso fazia sentido investir tempo e dinheiro em versões truncadas de um game a ser lançado. Hoje em dia, com investimentos na casa dos seis ou sete dígitos, e equipes trabalhando com prazos super apertados, fica complicado querer investir em uma versão gratuita reduzida do seu jogo.

Além disso, em 2013 o game designer e professor da Carnegie Mellon University Jesse Schell, declarou que lançar uma versão demo de um game poderia cortar as vendas do game em até 50 por cento. Metade! Em sua palestra na DICE 2013, ele disse:

“Quer dizer que gastamos todo esse dinheiro criando uma demo e disponibilizando-a, e ela reduziu nossas vendas pela metade? Sim, é exatamente o que aconteceu. O negócio é que, sem a demo, você precisa comprar [o jogo] se quiser experimentá-lo.”

Quando surgiram as AppStore e Google Play da vida, era super comum encontrar versões “Lite” de apps e games, isto é, versões degustação do jogo completo. Mas acredito que muita gente ficava satisfeita com essas versões “capadas” e sequer considerava comprar o jogo completo… um reflexo do aspecto “casual” dos jogos de celular, talvez? Por isto faz muito mais sentido que os games mobile adotem o modelo free-to-play: mesmo que a maioria não gaste dinheiro com itens premium ou com o conteúdo bloqueado de um free-to-play, lá estão as propagandas que ajudam a pagar as contas da developer.

clash-of-clans
Clash of Clans (Supercell, 2012)

Jogos free-to-play normalmente fazem mais sucesso porque são atraentes, afinal de contas o jogador nada tem a perder. De certo modo, é arriscado para a developer porque o sucesso do game depende de engajamento mas, mesmo que uma porcentagem pequena dos jogadores se interesse de verdade, sempre haverá conversão porque cara, na boa, sempre vai ter alguém que gosta do jogo. Em meu review mais recente comentei como é difícil resistir a uma compra dentro do app… porque estou bem engajado.

O modelo free-to-play faz sentido financeiramente, e no fim das contas, faz diferença pro jogador? Tanto demo quanto free-to-play permitem que a gente experimente o game, ambos possuem uma barreira financeira, mas o último permite que o jogador explore todo (ou quase todo) seu conteúdo, enquanto o primeiro tem a intenção de deixar um gosto de “quero mais”. Me diga, leitor ou leitora, você sente falta das versões demo dos jogos ou prefere free-to-play? Vamos abrir esta discussão nos comentários.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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