A evolução do gamer ao longo da história

Nós crescemos com os games e os games cresceram conosco. O que antigamente era um mercado de nicho com público-alvo limitado a garotos, hoje faz parte do dia-a-dia de bilhões de pessoas de todos os tipos. Não importa que tipo de gamer você é, com certeza se encaixa em algum dos perfis que surgiram ao longo dos 40 anos de história desta indústria:

De 1978 ao fim dos anos 90

Os reis dos fliperamas

Os jogos de arcade eram muito difíceis, não há o que discutir, mas por um bom motivo: eles existiam para dar lucro, uma ficha de cada vez. Se fossem fáceis demais, as pessoas não jogariam por tanto tempo e a razão de viver dos fliperamas iria por água abaixo… e foi com Space Invaders (Taito, 1978) que a coisa pegou fogo!

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Os games se tornaram super desafiadores e comiam fichas como nunca mas, uma vez que o jogador aprendesse as manhas, as partidas podiam durar horas. Os jogadores de arcade foram os primeiros gamers hardcore e conheciam todos os truques para fixar seu nome no topo da lista de high score e mostrar quem era o melhor.

De 1977 a 1984

A geração Atari

Enquanto os arcades ainda cresciam no final dos anos 70, surgia uma nova forma de video game que invadia a sala de estar das casas. Os primeiros eram consoles com um único (ou variações do mesmo) jogo, mas foi a chegada do Atari 2600 que popularizou de verdade a prática de jogar em um console, graças a sua grande gama de cartuchos.

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Com dois controles que permitiam jogar junto dos amigos e familiares, seu grande momento veio em 1980 quando a Atari lançou sua versão de Space Invaders, o primeiro arcade licenciado para um console que, embora não tivesse os gráficos originais, ao menos significava que você podia jogar por horas a fio sem gastar fichas.

Me lembro de jogar Enduro (Activision, 1983) no Atari 2600 do meu tio durante horas a fio, a ponto que, um dia, acabei herdando o console. Ainda tenho meu Atari e alguns de seus jogos inesquecíveis.

De 1982 a 1990

Os nerds de computador

O crash de 1983, causado pelo mercado saturado de consoles e jogos, varreu a Atari e seus concorrentes das prateleiras das lojas por uns anos, por isto muitos jogadores migraram para os PCs, como o ZX Spectrum, o Commodore 64 ou o Apple II.

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Os irmãos Philip e Andrew Oliver durante a criação do arcade Dizzy em 1988

A vantagem é que, pela primeira vez, qualquer pessoa poderia criar e lançar seus games nos computadores, diferente dos consoles que eram controlados pelas fabricantes. O resultado foi uma explosão de novas ideias e jogos – a primeira onda de indie developers – até que as primeiras grandes publishers começaram a se estabilizar.

Foi ali que surgiu a noção de shareware, isto é, copiar e compartilhar os games com outras pessoas, que em 1993 foi adotado como modelo de negócios pela id Software e responsável pela popularização de Doom.

De 1988 a 1995

A guerra dos consoles

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Foi na metade dos anos 80 que os consoles começaram a voltar para o mercado, graças aos fabricantes japoneses. Primeiro foram o NES e o Master System, com jogos de muito mais qualidade do que aqueles responsáveis pelo crash no início da década e, conforme as gigantes japonesas se estabeleciam, os jogadores precisavam escolher um lado: ou você era um gamer Nintendo ou era Sega, e a rivalidade era intensa. Engraçado é que eu não passei pela guerra dos consoles, principalmente porque tinha uma locadora de games do lado da minha casa e, bem, eu e meus amigos jogávamos de tudo.

Videogames se tornavam mais populares, principalmente depois de a Big N e a Sega lançarem seus consoles novos, o Super Nintendo e o Mega Drive. Os canais de televisão falavam sobre games, surgiam filmes sobre o assunto, e a mídia apavorava os cidadãos com os malefícios do videogame, especialmente depois do lançamento de Mortal Kombat (Midway, 1992). As coisas estavam mudando, mas ainda existia a noção de que games eram para crianças, uma noção que estava para mudar.

De 1995 a 2001

A galera do PlayStation

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“So, you’re playing a little PlayStation, huh? That’s whack. PlayStation is whack.”

Quando a Sony lançou seu primeiro console PlayStation, o mercado dos games mudou para sempre. Com uma sucessão de campanhas afiadas e marketing pontual, o PlayStation se posicionou como o console da moçada dos 20 e poucos anos. Jogos como Wipeout e Tomb Raider mostravam que video games não eram mais “só para crianças”, e a Sony colheu os frutos de seu trabalho, não somente se estabelecendo como uma super potência na indústria, mas também abrindo as portas para a chegada da Microsoft e acabando com o mercado da Sega.

De 1996 até hoje

Jogadores profissionais

Enquanto os consoles prosperavam no mundo dos games, os computadores ainda eram vistos como caixas bege que só serviam para digitar e criar tabelas, mas esta percepção estava para mudar, muito graças aos esforços da id Software que, com Wolfenstein 3D (1992), Doom (1993) e Quake (1996), definiu os PCs como máquinas capazes de entregar experiências excitantes que nenhum console podia oferecer, além de ser possível conectar o computador em uma rede local (e mais tarde, na internet).

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As LAN Houses se tornaram a Meca dos games, para onde migrava uma maré de jogadores, todos os finais de semana, para assistir ou participar das maratonas de jogatina. Nascia o pro gamer! Embora os torneios de games já existissem há tempos, foram as competições nas LAN Houses, durante os anos 90, que acenderam a chama do que se tornariam os eSports do século 21.

De 2006 a 2012

Mexendo o esqueleto

Para a maioria (eu incluso), video games sempre foram um passatempo sedentário. Um bom sofá e controles nas mãos, ou uma mesa com teclado e mouse, eram só o que a gente precisava. Mas as developers sempre pensaram novas formas de jogar, como a versão deluxe do primeiro arcade de Street Fighter (Capcom, 1987) – com seus botões sensitivos à pressão que faziam o lutador bater mais forte se você batesse mais forte –, Dance Dance Revolution (Konami, 1998) e a febre Guitar Hero (Harmonix, 2005). Aí um dia a Nintendo lançou o Wii.

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Munido de controles sensíveis a movimentos e o revolucionário Wii Sports (Nintendo, 2006), o pequeno console branco fez geral levantar a bunda do sofá e suar com suas atividades virtuais. A Nintendo levou o conceito além com o Wii Fit (2007) e seu balance board, que se tornou best-seller e viu uma multidão praticar exercícios de yoga, aeróbica e força em frente à TV – muito melhor do que aqueles VHS dos anos 80, vai.

De 2008 até hoje

A nova onda dos indies

Durante muito tempo, desenvolver e vender games era uma atividade restrita a poucas empresas com dinheiro para produzir e distribuir suas criações em CDs, cartuchos e etc., um negócio bem, bem caro! E por custar tanta grana é que os estúdios AAA até hoje se arriscam pouco, porque é preciso garantir que um game irá vender bastante.

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Essa perspectiva muda com a democratização da internet banda larga, que passa a permitir a distribuição de games via world wide web. A Valve, criadora de Half-Life (1998), tomou as rédeas com a Steam, plataforma que facilitou muito para que novas developers ingressassem o mercado dos games.

A distribuição digital significa que, mais do que nunca, jogos com conceitos muito arriscados para grandes estúdios podem chegar no público, mostrando que há muito mais variedade no mundo dos games do que os AAA oferecem. Não demorou muito para que as três grandes fabricantes de consoles também abrissem suas portas para o mercado independente.

De 2008 até hoje

Os jogadores casuais

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Quem mais saiu ganhando com a distribuição digital de games foram os jogadores que nós chamamos [erroneamente] de casuais. Com mais de meio milhão de games disponíveis em plataformas como AppStore e Google Play – uma boa parcela deles gratuitos –, quem tem um smartphone nas mãos, tem um videogame portátil.

A venda de games nessas plataformas cresce exponencialmente, sendo que, só ano passado, a loja da maçã gerou lucros de US$ 26,5 bilhões! Tudo isto é graças a você e eu, claro, mas também aos nossos pais, tios e avós porque, neste mercado, todo mundo é gamer.

De 2011 até hoje

Na frente da telinha

Hoje nós podemos curtir games sem sequer encostar no controle. Como? Assistindo outra pessoa jogar. Vídeos de gameplay e live streams têm tornado alguns jogadores verdadeiras celebridades, movimentando fortunas em diversas plataformas, como o YouTube e o Twitch. O melhor de tudo é que as plataformas são livres para que qualquer pessoa do mundo possa entrar no mundo do streaming e, quem sabe, conquistar milhões de fãs.

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A gente que é da velha guarda normalmente não vê tanta graça em assistir aos outros jogarem na internet, mas garanto que até os mais velhos dão uma espiadinha no gameplay de jogos que pretendem comprar, ou pra passar aquela fase mais difícil.

Eu comecei a subir uns vídeos para o YouTube, e quem sabe não me torno a próxima super estrela dos games? 😀

Videogames não são mais nicho, hoje é entretenimento para a família inteira e, mesmo que nós tenhamos gostos bem diferentes, preferindo matar inimigos em partidas de FPS ou estourar bolhas em Candy Crush (King, 2012), o que importa é que todo mundo está jogando. Nós todos somos gamers.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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