Defenda o castelo com seus amigos em No Heroes Here

Você reparou como, mais recentemente, as pessoas têm voltado sua atenção novamente aos couch co-op, isto é, jogos de videogame para jogar com os amigos sentados no mesmo sofá? Eu, que cresci jogando em grupo, fico de olhos abertos para encontrar games com opção de multiplayer local, e a mais recente descoberta foi o tower defense co-op No Heroes Here (Mad Mimic Interactive, 2017).

Três objetos preciosos do Rei foram roubados e é preciso recuperá-los. O objetivo, como o nome do gênero entrega, é defender o castelo das contínuas ondas de ataques dos inimigos, impedindo-os de derrubar os portões da fortaleza. Para isso, os jogadores contam com canhões estrategicamente posicionados, mas com alcance diferente: uns atiram bem perto dos portões, para atingir soldados; outros atiram mais longe, para atingir arqueiros ou impedir que os inimigos se aproximem.

 

A principal mecânica, que torna este game essencialmente cooperativo, envolve todo o trabalho necessário para disparar os canhões: eles precisam ser carregados, disparados e limpos antes que se possa usá-los novamente. Além disto, a pólvora e a munição precisam ser fabricadas, refinando minério e produzindo lingotes de ferro, que serão transformados em bolas de canhão.

Além da munição padrão, também é necessário atingir certos inimigos com munições um tanto inusitadas, como potes de mel (que retardam o avanço), bexigas d’água (que congelam) e até frangos assados (que atraem os inimigos), que dão uma renovada no gameplay e tornam tudo mais interessante.

Como são vários passos – seis, para ser exato – que precisam ser realizados para disparar um único canhão, é essencial que a equipe esteja em sincronia, senão… ah, garoto, a coisa começa a degringolar e aí bate o desespero! Imagine um canhão descarregado e uma horda de inimigos batendo à porta, ou pior, um canhão carregado com a munição errada (o que significa refazer todos os passos), e você pode começar a entender porque No Heroes Here é tão divertido de jogar com a galera.

 

 

Parte do desafio vem do bom trabalho de level design feito pelo pessoal da Mad Mimic. Às vezes são ingredientes posicionados em lados opostos da fase, às vezes são canhões posicionados de modo a confundir os jogadores, às vezes são plataformas que exigem mais habilidade para alcançar, enfim… é preciso olhos atentos e dedos ágeis para cumprir as tarefas com eficiência, principalmente quando a água está batendo na bunda.

No-Heroes-Here-PrincessGraficamente, No Heroes Here é charmoso; talvez seja um clichê dos jogos indie apelar para o visual pixelizado mas, goste ou não, funciona. Os inimigos – que vão de soldados a criaturas sobrenaturais – têm carisma, superado somente pelas diversas opções de personagens selecionáveis que, mesmo quando vistos pequenos durante a partida, mantém suas características únicas. Os cenários são coloridos e apresentam paletas distintas que contribuem muito para a ambientação, com a batalha acontecendo em plena luz do dia, em uma tardezinha ensolarada, no inverno congelante ou sob a lua cheia, por exemplo… a variedade é grande!

O game não vem sem defeitos, claro… embora eu tenha experimentado brevemente, jogar sozinho é impossível! No Heroes Here foi claramente pensado como multiplayer co-op, e nada me faz pensar que os designers da Mad Mimic consideraram otimizar a experiência single player –  o que, para mim, não tem problema… o mesmo acontece com Overcooked, por exemplo, não é uma exclusividade deste tower defense. Uma coisinha que eu não gostei, mas baseado totalmente em gosto pessoal, é que a história e os nomes têm piadinhas e trocadilhos típicos de games brasileiros, mas nada que estrague a experiência, claro.

 

 

Em suma, o estúdio paulistano acertou em cheio! Zerei o game com meu irmão e um amigo e, apesar de ser um jogo relativamente curto, No Heroes Here tem variação suficiente para manter-se fresco mesmo dentro de cada um dos três mundos. Novas mecânicas são constantemente introduzidas, o level design é inteligente e eleva a dificuldade gradualmente, e o jogo é esteticamente bem resolvido. Se tiver amigos para jogar junto, recomendo para boas horas de diversão frenética.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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