Um pouco sobre pixel art

Sempre joguei muito indie game e é de conhecimento de todos que uma boa parcela desses jogos apela para uma estética pixelizada, ou 8-bit (embora tecnicamente o termo seja impreciso). Alguns desses jogos, como Nidhogg (Messhoff, 2014), Sword & Sworcery EP (Superbrothers, 2011) e Hyper Light Drifter (Heart Machine, 2016) são maravilhosas obras de arte… ou melhor, pixel art. Mas pixel art é um termo difícil de definir, né?

Pixel art é um trabalho digital, baseado em dados raster, criado pixel por pixel. Tipicamente muito pequena [em tamanho], esta forma de arte é similar aos mosaicos ou pontos-cruz, no sentido que foca em pequenas áreas individualmente, afim de criar uma peça de arte maior,” explica a artista digital Mary Winkler.

A pixel art, como forma de criar uma imagem a partir de quadradinhos coloridos individuais, surgiu nos anos 70 (mais precisamente com a criação do SuperPaint, desenvolvido por Richard Shoup em 1972), época em que os computadores e a arte digital começaram a se tornar relevantes. Esta forma de criação imagética ganha sua maior representatividade no mundo dos videogames, na década seguinte, com uma penca de jogos clássicos que definiu a estética que entendemos hoje como pixel art.

Lá atrás, a 30 e tantos anos, os primeiros computadores e consoles não eram potentes o suficiente para renderizar gráficos detalhados, então os desenvolvedores enfrentavam o desafio diário de criar imagens e animações, bonitas e convincentes, compostas pelos pequenos pixels coloridos. O cara precisava ser criativo e dar vida aos personagens e cenários, mas mantendo-se dentro das limitações técnicas, respeitando o número máximo de cores simultâneas, tamanho dos sprites e etc., afinal de contas, naquela época, a memória dos computadores era bem pequena, e cada bit contava.

Mesmo tendo popularizado-se com os jogos de videogame, a pixel art sofreu um declínio justamente por causa do surgimento dos consoles mais potentes e seus jogos 3D poligonais, como o Nintendo 64 e o primeiro PlayStation, mas não antes de essa estética conquistar criativos de outras mídias, deixando sua marca na música e no design gráfico, por exemplo. Foi o suficiente para manter viva a chama no imaginário popular.

Jogos que pegam pesado na pixel art são mais fáceis e baratos de desenvolver – ponto importante – mas o principal motivo para estes terem ressurgido, muitos vão concordar, é pura nostalgia, graças à simplicidade, o minimalismo e a leveza encantadora dos pixels, assim como eles nos lembram a infância; embora também atraiam um público mais novo, até uma geração que não sabe diferenciar um Atari de uma máquina de escrever:

“Pensava que seria, em sua maioria, o tipo de pessoa que teria uma memória nostálgica de jogar videogame na infância, que ressoaria com o que estávamos fazendo [no estúdio Pixeljam],” afirma o artista digital Rich Grillotti. Ao invés disso, seu maior público são crianças de 8 a 14 anos, que enviam fan art e gostam de criar ilustrações inspiradas pelos games 8-bit.

Com a forte presença dos games no mainstream e uma repaginação da estética oitentista, a pixel art tem ganhado destaque como nunca! Pixel art é divertida, relatável, carismática e não vai sair de moda tão cedo. É o alicerce visual da cultura gamer e presente em tantas mídias, e se você tiver interesse em aprender mais, tem este cara aqui que dá muitas dicas, das básicas às mais avançadas.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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