Com pontos fortes e fracos, Pokémon Let’s Go faz ótima estreia da franquia no console

Da última vez que joguei um game Pokémon da linha principal, ainda não tínhamos entrado no novo milênio. Pokémon Gold (Game Freak, 2000), no meu falecido Game Boy Pocket, encerrou minhas aventuras nas regiões de Kanto e Johto. Eu havia colecionado todos os monstrinhos possíveis (incluindo o Mew, mas nunca tive o Celebi) e me dado por satisfeito. Quem diria, então, que o lançamento de um remake no Nintendo Switch, 18 anos depois, me conquistaria ao ponto que não consigo mais parar de jogar?!

Se quer saber a verdade, eu comprei Pokémon: Let’s Go Pikachu! (Game Freak, 2018) na semana do lançamento, porém eu ainda sequer havia comprado o console! (época de vacas magras, né) Os anúncios, os vídeos de gameplay, os trailers, as novas mecânicas apresentadas e o maldito controle em forma de pokéball mexeram comigo de tal forma que me senti, novamente, aquele menino de 12 anos analisando as screenshots de Pokémon Red/Blue (Game Freak, 1998) nas páginas da revista Nintendo World, ansioso para chegar o Natal e pedir o game de presente pros meus pais.

Do momento que iniciei Let’s Go, me senti em casa. Eu sabia o que fazer, para onde ir. Claro, eu já havia estado lá, só com menos cores e em duas dimensões. Eu não consigo pontuar quão fiel este novo jogo é ao clássico Pokémon Yellow (Game Freak, 1999), mas a semelhança é tamanha, que foi me trazendo lembranças conforme eu avançava em minha jornada.

Eita jogo bonito!

Os gráficos de Pokémon: Let’s Go são uma brilhante reinterpretação visual dos títulos para Game Boy, tão bem traduzidos para a terceira dimensão que nada me surpreendeu – entenda isso como uma coisa boa. As cidades e rotas são coloridas e vibrantes; os personagens são carismáticos e eu adoro como as poses são idênticas às dos jogos 8-bit; é possível traçar animações de batalha herdadas até da série Pokémon Stadium (Nintendo, 1998-2000), sem contar animações especiais exclusivas dos bichos iniciais*; e cada pequeno detalhe dos cenários traz personalidade ao game.

*Com a possibilidade de desligar as animações e deixar as batalhas como eram no Game Boy.

A novidade mais bacana é, de longe, poder ver os pokémon selvagens correndo pelas cavernas e rotas entre as cidades, ou nadando no mar azul. Talvez um fã mais purista torça o nariz e veja isto como o fim dos encontros aleatórios, mas eu discordo. A meu ver, o universo do game fica mais vivo, mais realista, além de ser possível contornar uma das mecânicas que eu achava mais maçante dos títulos de Game Boy – afinal de contas, depois do 27º encontro aleatório na Route 5, quando você só queria cruzar rapidamente de uma cidade a outra, estes deixam de ser divertidos. Além disto, os pokémon selvagens que surgem ainda obedecem a uma porcentagem de chance de aparecer, então ver um Tauros surgir no meio do mato continua emocionante.

Eu já não gosto, porém, de só ganhar experiência capturando monstrinhos selvagens. Primeiro, porque gasta pokéball a torto e direito; segundo, porque me obriga a ficar capturando vários do mesmo bicho e eu não sou um treinador Pokémon, eu sou um colecionador e, para mim, um bicho de cada já me deixaria satisfeito… mas aí, de repente, me vejo perder meia hora capturando 30 Rattata que eu sequer darei uso… pelo menos aumenta a chance de aparecer um shiny, né. Eu entendo que esta mecânica conversa com o game mobile Pokémon GO (Niantic, inc., 2016) mas rapidamente se torna entediante e, como consequência, desisto do “grinding” e acabo enfrentando outros treinadores ou líderes de ginásio com nível tão elevado, ou até maior, que dos meus próprios pokémon; o jogo fica mais difícil e eu perco mais do meu tempo – e eu não gosto de perder tempo, não com tanto game pra jogar e meus blogs pra escrever.

Vale apontar: quem acha que Let’s Go é um jogo facinho para convencer os milhões de jogadores de Pokémon GO a comprar um Nintendo Switch, ou levar jogadores do console para o celular, vai ter uma bela surpresa, porque o game é bem mais difícil, completo e complexo do que parece – ele é sim uma autêntica experiência Pokémon com todas as nuances, árvores evolutivas, ítens de batalha, Technical Machines e tudo mais que se espera de um título da linha principal. Eu mesmo precisei aprender várias coisas que surgiram na franquia durante os tantos anos que não acompanhei, como as mega evolutions, por exemplo.

Realidade aumentada

Pode doer no bolso, mas comprar a edição especial de Pokémon: Let’s Go Pikachu! acompanhada da Poké Ball Plus foi um acerto – o controle exclusivo é super bem-feito, pesadão e, mesmo que seja só como item de colecionador, vale a pena o investimento. Verdade seja dita, não é o controle mais confortável do mundo, é um pouco pequeno para mãos adultas mas, para mim, o grande diferencial é poder usá-lo como uma pokéball de verdade para carregar seus bichos pelas ruas da cidade.

Enviar um pokémon do jogo para a Poké Ball Plus e sair com este no bolso faz com que o monstrinho vá ganhando experiência – uma solução ótima para dar um boost no nível dos seus pokémon, especialmente se você, como eu, não tem tanto tempo para jogar. Além disto, o controle também funciona como uma espécie de bichinho virtual, então o pokémon que estiver lá dentro pode te chamar, e você pode brincar com ele e fazer carinho. A Nintendo não faz meros videogames, ela leva a brincadeira a outro nível!

Até a publicação deste post, usei muito pouco a integração do Let’s Go com seu parente mobile Pokémon GO. Transferir os monstrinhos para o console coloca todos no GO Park, onde eles ficam… fazendo nada. Quer dizer, há o Play Yard, um minigame liberado ao enviar um mínimo de 25 monstrinhos da mesma espécie para o GO Park, onde você pode coletar candies, mas não me atraiu. O que eu gostei mesmo foi a possibilidade de capturar o pokémon enviado do celular para o console, o que ajuda muito na tarefa de completar a coleção sem precisar contar com algum amigo que tenha a outra versão do Pokémon: Let’s Go.

E por falar em amigo, é possível jogar Let’s Go cooperativamente. Ambos jogadores se unem para capturar pokémon e batalhar contra outros treinadores, mas o segundo jogador fica limitado e não é capaz de iniciar um encontro com um monstrinho selvagem ou interagir com NPCs. É um pouco decepcionante mas pode ser bem divertido para os menos experientes. Para mim, serviu perfeitamente pra deixar meu primo morrendo de vontade de comprar o Pokémon: Let’s Go Eevee! e a gente reviver a experiência de trocar os monstrinhos – embora o parágrafo anterior deixe claro que isto não é mais uma necessidade.

Pokémon: Let’s Go Pikachu! e Let’s Go Eevee! pode parecer aguado para fãs hardcore da franquia mas, para mim, oferece uma experiência perfeitamente equilibrada entre profundidade de gameplay e casualidade. Os desenvolvedores simplificaram alguns dos elementos dos games clássicos, ao mesmo tempo que tornaram Let’s Go mais dinâmico. E o jogo não acaba quando termina [sic]: após encerrar a campanha principal, ainda há muito, muito para fazer – não sou eu quem dará esse spoiler né! Agora, se me dá licença, preciso ir ali subir o nível da minha equipe pra ter alguma chance de vencer o MewTwo, enquanto capturo uma tonelada de Meltan no celular pra completar minha coleção – a jogatina vai longe ainda.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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