Como colecionador, acredito que o valor de um game é relativo*. Eu já paguei caro por cartuchos em perfeito estado de jogos que amo; também sou culpado de possuir algumas raridades pelas quais os antigos donos pediram valores exorbitantes; mas será que existe um limite?

Em julho de 2017, uma cópia lacrada de Super Mario Bros. (Nintendo, 1985) foi leiloada por exatos US$ 30.100,44 e, no início deste mês, outra cópia do mesmo jogo foi arrematada por assustadores US$ 100.150,00.

Super Mario Bros. com selo Nintendo
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A diferença entre eles é que esse último tem um lacre com o logo da Nintendo no topo da caixa, em vez de ser lacrado com filme plástico shrink.

Além disso, o primeiro era de uma tiragem que precede o NES sendo vendido com Super Mario Bros. incluso no mercado americano; já o último é de uma tiragem ultra limitada anterior ao lançamento oficial do console no país, quando a Nintendo ainda experimentava com os mercados de New York e Los Angeles, além de ter sido certificada em 9.4 pela WataGames (empresa avaliadora). Estima-se que, do primeiro, exista cerca de uma dúzia de cópias lacradas e, do último, somente uma.

Por quê custar tão caro?

São itens raros mas minha dúvida é se justificam os valores. Nós sabemos que há inúmeras variantes que afetam o preço de um game, sendo que a raridade é a principal mas, quando estabelece-se um teto de cinco – e agora seis – dígitos para um jogo, naturalmente os donos de cartuchos em condições parecidas vão elevar seus preços também, seguidos por quem vier atrás. É um movimento natural, as pessoas começam a achar que seus cartuchos antigos são valiosos quando, na imensa maioria, não são. Assim, um game como Super Mario Bros., que tem literalmente milhões de cópias espalhadas pelo planeta, começa a custar super caro.

O valor que um comprador aceita pagar é o que dita o preço de todos os cartuchos. Então se, antes, os Super Mario Bros. lacrados e em perfeitas condições eram arrematados por 5 mil dólares, os “não tão bons assim” saíam por uns 200 dólares; a partir do momento que o primeiro é vendido por 30 mil dólares, as pessoas vão querer 1 mil pelos “não tão bons”; e aí se um exemplar é arrematado por bizarros 100 mil dólares**, qualquer Super Mario Bros. pode ser vendido por 5 mil… é uma bola de neve, que só cresce porque as pessoas assumem que seus cartuchos valem números irreais.

Desviando um pouco o assunto, eu sei de um colecionador brasileiro que detêm várias cópias de Aero Fighters (Video System, 1992) lacradas, completas e loose (somente cartucho). Um colega meu mandou a foto e é realmente impressionante. Porém, esse colecionador não é um aficcionado por Aero Fighters, mas sim está tentando monopolizar o mercado deste jogo em particular no Brasil, o que significa que, se um colecionador quiser comprar Aero Fighters sem ter que buscar no exterior, terá que comprar dele, e se ele estabelecer que uma cópia custa R$ 6.000, quem poderá dizer o contrário? Afinal de contas, ele possui a maioria dos cartuchos Aero Fighters em terras tupiniquins e portanto tem o poder de definir o valor. É bizarro!

Mas enfim, um cartucho pode valer US$ 100 mil?

Eu não acho que um cartucho de videogame possa valer US$ 100 mil e jamais pagaria mais do que US$ 500 em um game muito raro mas, como artigo de preservação da história dos games – e considerando que este Super Mario Bros. é único – fica difícil estabelecer um parâmetro. Além disso, ele não foi arrematado por uma única pessoa, mas sim um grupo que atua no mercado retro. Contradizendo meu parágrafo anterior, não acho que o valor dele afetará, de fato, o valor dos cartuchos antigos, muito embora minha lógica seja válida, mas só porque ele é um ponto fora da curva.

Super Mario Bros. vendido por mais de US$ 100 mil

A comunidade colecionista estima que essa cópia em particular de Super Mario Bros. será o primeiro jogo a alcançar o valor de US$ 1 milhão, daqui algumas décadas. Você concorda? Você acha que jogos de videogame podem chegar a valores de seis dígitos? Qual o maior preço que você pagaria por um jogo? Deixe sua opinião nos comentários.

Só mais um comentário:

O cara que vendeu o famigerado Super Mario Bros. de US$ 100 mil dólares sabia muito bem o que estava fazendo e entende como funciona o mercado de coleção. A verdade é que existe uma janela de aumento de preço de games antigos quando eles completam cerca de 20 anos de seu lançamento original. O que acontece é que as crianças que cresceram jogando aqueles games se tornaram adultas, vivendo uma época em que têm dinheiro em caixa (porque já trabalham) mas ainda não têm filhos (portanto menos gastos). Quando essa janela acontece é que os preços sobem porque a demanda cresce exponencialmente. A dica, para quem coleciona, é comprar os jogos na mudança de geração porque, depois que eles sofrem esse aumento no preço, é difícil que os números caiam novamente.

*Meu cartucho Enduro (Activision, 1983), o primeiro game que tenho memória de jogar, tem tanto valor quanto o Aero Fighters, o jogo mais caro da minha coleção, por questões emocionais.

**Tem um australiano no eBay vendendo um Super Mario Bros. com o mesmo tipo de lacre do cartucho de US$ 100 mil. Acesse este link e leia a descrição do produto.

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