Ontem, na volta para casa, fui jogando Florence (Mountains, 2018), um mini romance interativo sobre uma garota em seus vinte e poucos, que mexeu comigo mais do que eu podia prever; o game oferece uma experiência curta (cerca de 45 minutos) mas poderosa e relatável.

A jovem Florence Yeoh está presa em sua rotina e completamente desmotivada, como muitos de nós: a vida anda sem cor, ela levanta da cama no último minuto, olha suas redes sociais na viagem pro trabalho, faz umas planilhas, fica de saco cheio no telefone com a mãe, vai dormir depois da meia-noite.

Tudo muda quando ela conhece o violoncelista Krish e eles saem para um café. Aqui se desenrola minha interação favorita: a conversa dos dois se dá por quebra-cabeças e, conforme eles vão se conhecendo, os quebra-cabeças vão tendo menos peças e se tornando mais fáceis. Eu achei essa analogia tão linda! Florence e Krish se apaixonam, começam a namorar e vão morar juntos… até que o relacionamento começa a degringolar.

Quem nunca passou por um relacionamento assim? Eu sei que eu já. O brilho das descobertas vai se apagando, passamos a conhecer quem o outro realmente é e aquelas peças de quebra-cabeça passam a não se encaixar mais. Para a jovem Florence – assim como para tantos de nós – parece não restar muito… mas é ali que a garota realmente se descobre. Na verdade, Florence não é um game sobre namoro, mas uma janela para uma fase importante na vida de uma pessoa, uma fase de mudança, amadurecimento e autoconhecimento.

Mecanicamente, o jogo emana harmonia ludonarrativa. Isto quer dizer que cada elemento de interação foi pensado para transmitir uma mensagem ou emoção que traduza suas passagens. Eu adoraria comentar cada interação, mas o jogo é curtinho e não quero estragar a surpresa para você, leitor(a). Mesmo assim, aviso: os puzzles ficam mais pesados lá no final, conforme o relacionamento de Florence e Krish se desgasta – são mecânicas simples mas fortes, que te arrastam para dentro dos problemas do casal. É de partir o coração. O gameplay é complementado por lindos gráficos desenhados à mão e uma paleta minimalista que transmite sentimento através das cores e se transforma com as mudanças na vida de Florence.

Mal acredito que escrevi tudo isso sobre um game que se acaba em menos de uma hora… acho que me marcou mesmo. O jogo pode ser curto, mas a forma como a história é narrada, sua universalidade, as nuances, a empatia e a inteligência emocional são o que o elevam a uma bela peça de arte interativa.

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