Um dos meus gêneros favoritos é o beat’em up, o famoso “andar e bater”. Desde a popularização dos smartphones, não foram poucas as tentativas de portar títulos do gênero para a telinha, normalmente sem sucesso. A escassez de bons beat’em ups nos celulares me incomodava até descobrir Beat Street (Lucky Kat Studios, 2017), jogo cheio de personagens carismáticos, animações incríveis, estética 16-bit e que dá pra jogar com uma única mão.

Beat Street é o primeiro beat’em up com controles de toque intuitivos e este é seu maior trunfo. Ao invés de tentar replicar, na tela do celular, a experiência dos consoles, traduzindo os comandos para um joystick virtual – que a gente sabe que nunca dá certo –, Beat Street abandona completamente o joystick e instaura uma mecânica que permite controlar os personagens com somente o toque, independente de onde o jogador encostar na tela.

Você desliza o dedo pela tela para andar, e toca-a para distribuir socos e chutes. Toques em repetição geram combos, que podem ser amplificados deslizando o dedo rapidamente para cima, para dar uma voadora, ou segurando o dedo na tela por uma fração de segundo a mais que, em troca, libera um soco ou chute mais forte. Eu adoro como os controles de Beat Street são simples e responsivos, e sinto que estou o tempo todo no comando.

Graficamente, Beat Street é um deleite para os olhos. Não só o trabalho de pixel art é de alta qualidade, mas as animações também são muito bem trabalhadas. Princípios básicos como esticar e comprimir (stretch and squash), e antecipação, são respeitados e aplicados com maestria, dão maior fluidez aos personagens e são prova do cuidado da developer no desenvolvimento do jogo. A trilha sonora complementa bem a estética do jogo, mas nenhuma das músicas tem mojo suficiente para se tornar um novo clássico do estilo chiptune – não é raro desligar a trilha do jogo para ouvir o que quiser no Spotify.

A campanha – que pode ser jogada em modo co-op online – é extensa, contando com mais de 120 fases. Porém, elas se tornam repetitivas rapidamente, ainda mais porque é preciso fazer um pouco de grind para manter o level dos personagens próximo ao dos inimigos. Para mim, um beat’em up nos moldes de Final Fight ou Double Dragon, que dá para terminar em poucas horas, seria perfeito, mas compreendo a estratégia da desenvolvedora para prender o jogador em Beat Street, com progressão mais lenta, e do ponto de vista técnico funciona bem. Goste ou não, tenho jogado Beat Street diariamente há semanas. Ainda assim acho que 120 fases é muito.

Como todo jogo de celular, microtransições são abundantes em Beat Street. É possível jogar sem gastar nenhum centavo, mas eu adoraria pagar pelo jogo e não ser mais bombardeado, de todos os lados, com ofertas de compras in-app ou anúncios. Infelizmente, é a moeda corrente do jogo que abre fases e desbloqueia personagens, então a opção de comprar o jogo e desligar os anúncios está fora de questão.

Por ter sido desenvolvido com os controles de toque em mente é que Beat Street se destaca em relação aos outros títulos do gênero disponíveis nos smartphones. É engraçado pensar que, em pleno 2019, o grande diferencial do game é justamente ter sido criado com a plataforma em mente… enfim. Fica minha recomendação para todos os fãs de beat’em ups!

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