Quando joguei o The Legend of Zelda de 1986 para NES, pela primeira vez, no finado ano de 2013, eu já era fã declarado da franquia. Cresci com Ocarina of Time e o que veio em seguida, por isto as aventuras do herói de orelhas pontudas já não eram estranhas para mim. Porém, a liberdade que aquele primeiro game dá ao jogador, de seguir o caminho que quiser, acredite, foi uma surpresa! Durante toda minha vida fui guiado pelo game design de todos os Zelda que joguei e justo o original, o primeiro, não fazia isso – para mim foi uma revolução.

Imagine então a ansiedade quando me vi frente a um cenário gigantesco, sem saber para onde ir, sem qualquer proteção, sem qualquer objetivo, ao imergir pela primeira vez no mundo de The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Nintendo, 2017). A sensação foi de tirar o fôlego! Comprei o game no lançamento mas demorei dois anos* para finalmente poder experimentar este novo clássico, e aqui estão minhas impressões:

*Eu estava em San Francisco em março de 2017 mas o Switchestava esgotado em todas as lojas. O BOTW que eu comprei foi uma das últimas unidades naquela Gamestop.

O Zelda mais bonito

Sem dúvidas BOTW é o melhor Zelda já criado – é o jogo que quebra com as fórmulas da franquia e dá uma liberdade sem precedentes de exploração, personalização, criação e expressão ao jogador. Além disto, na minha opinião, também leva o troféu de mais bonito, equilibrando diferentes estéticas observadas por toda a série.

As cores saturadas, acompanhadas da renderização cel shading inaugurada – e criticada – em Wind Waker (2002), dão ao jogo um visual contemporâneo mas familiar. Breath of the Wild é como um jogo Zelda deve parecer. De montanhas cobertas de gelo a cidades flutuantes, os cenários são convidativos, a pegada “realismo cartunesco” é atraente e eram comuns os momentos que eu viajava por Hyrule em busca de uma bela paisagem para um screenshot**.

**Quase todos screenshots neste post são meus.

Os objetos se destacam, brilham sob a luz do sol para serem facilmente encontrados em meio à grama que balança com o vento; os inimigos são coloridos e seus designs únicos mas derivados dos jogos mais antigos; as Divine Beasts têm um visual steampunk nunca visto na franquia; os shrines irradiam luz laranja e azul permitindo-se serem visto de longe. Fica claro que os designers tomaram um cuidado mais que especial com os gráficos de Breath of the Wild, me fazendo amar o jogo ainda mais.

Entregue à própria sorte

Grande parte da dificuldade de Breath of the Wild é que você nunca sabe o que encontrará pelo caminho. Você pode decidir explorar uma região ou buscar um shrine desconhecido só para descobrir que os inimigos que rondam aquela área são fortes demais, ou as condições climáticas extremas demais para o nível de habilidades e equipamentos que você carrega.

Mesmo assim, a total falta de direção é o que faz desse jogo tão excitante de explorar, e os pontos de destaque no horizonte são convites para correr por Hyrule e descobrir seja lá o que você descobrir. O tamanho gigantesco do mapa pode ser assustador no início, mas a descoberta e a satisfação de encontrar seu próprio caminho tornam-no convidativo.

Nosso herói Link, por sua vez, ganha mais vida e energia ao longo do tempo, e pode carregar armas e armaduras mais fortes, mas nunca evolui ele próprio. Ele não aprende a atacar e se defender melhor. Mas o jogador sim. E porque esta versão de Hyrule é totalmente aberta, também te força a melhorar e ser mais esperto para sobreviver. BOTW oferece desafios nunca vistos em um jogo Zelda, e isso é ótimo!

Chef de cozinha

Da primeira vez que joguei Breath of the Wild, ainda em 2017, não foi no meu Switch – meu amigo Rodrigo me emprestou o dele por umas semanas. Já que eu devolveria o console, não joguei a história e fiquei brincando de cavalgar, fazer algumas sidequests, coletar recursos e, principalmente, cozinhar.

Como a forma de recuperar vida no jogo é batendo um rango, dediquei um bom tempo descobrindo receitas, quais bônus elas dão e quantas é possível fazer. Fiquei obcecado por comida, revirando Hyrule em busca de novos ingredientes e testando o que eu podia cozinhar com eles. A mecânica não é explicada por um tutorial, o que torna-a mais imersiva. Preparar um prato por simples adivinhação, em vez de procurar receitas na internet, e de repente notar que ele proporciona algum bônus, é altamente satisfatório.

Depois de um tempo a gente entende a lógica por trás das receitas, mas as possibilidades são tantas que, até hoje, alguns ingredientes permanecem um mistério para mim.

O que dizer sobre um video game já analisado e escrutinado à exaustão? The Legend of Zelda: Breath of the Wild é maravilhoso, um sopro de ar fresco nesta franquia que já completou três décadas. A Nintendo misturou um punhado de diferentes ideias e mecânicas, integradas para formar algo único. É o Zelda que espero que a Big N não experimente algo completamente diferente depois… eu quero mais!

UPDATE: A Nintendo anunciou uma sequência para Breath of the Wild e, independente do que vier, já estou animado para jogar.

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