Quando recebi a notícia, em 2014, que um grupo de antigos desenvolvedores da RARE estava montando um estúdio onde criaria o sucessor espiritual de seus maiores sucessos dos anos 90, meu mundo parou. Três anos depois nasceu Yooka-Laylee (Playtonic Games, 2017), um platformer 3D protagonizado por uma dupla carismática em um mundo pitoresco povoado por criaturas cheias de personalidade.

Se soa familiar, é porque Yooka-Laylee se esbalda nos moldes do primo Banjo-Kazooie (RARE, 1998), lançado duas décadas antes. O jogo, financiado via crowdfunding, prometia trazer de volta a experiência única que os títulos da RARE proporcionavam, e assim foi feito. Se era sucessor espiritual que os fãs queriam, é sucessor espiritual que receberam, o que significa que o game protagonizado pelo camaleão e sua amiga morcego compartilha tanto das qualidades quanto dos defeitos do clássico para o Nintendo 64.

Tem a parte boa…

O enredo é simples e não demanda atenção do jogador: o malvado Capital B pretende roubar um livro mágico e cabe à dupla Yooka e Laylee recuperar suas páginas perdidas e impedir o vilão de dominar o mundo. Ponto. Yooka-Laylee é um collect-a-thon, seu forte está na exploração, descoberta e coleta de items… não precisa de um baita enredo.

O gameplay repete a fórmula de sucesso de Banjo-Kazooie, Banjo-Tooie (RARE, 2000) e Donkey Kong 64 (RARE, 1999) com seus grandes mundos conectados, vários movimentos especiais para aprender, e uma tonelada de colecionáveis – muito mais que os games de 20 anos atrás. São páginas, penas, fantasmas, moedas, átomos e colecionáveis somando mais de mil itens! E com mapas tão extensos, coletar tudo é um desafio e tanto!

Yooka-Laylee tem charme de sobra. Graficamente encantador, o jogo teve o mesmo impacto, em mim, que seus parentes nos anos 90 – me apaixonei desde a época do financiamento. Para mim, sua estética transborda a essência do que é um video game.

Os mundos são gigantescos (mesmo) e coloridos, cheios de detalhes e segredos para descobrir. Os personagens são divertidos e cada um tem uma peculiaridade, seja uma cobra metida a empresária (no melhor estilo fake it ‘till you make it) ou um dinossauro obcecado por fliperamas. Ponto positivo para os diálogos cheios de trocadilhos e bom humor, sonorizados pelos tradicionais grunhidos dos jogos Banjo-Kazooie e companhia.

Por fim, a trilha sonora, composta pelas mentes brilhantes por trás dos clássicos da RARE, soam instantaneamente familiares para qualquer um que tenha jogado os games da extinta – modo de dizer – developer. O estilo musical de Grant Kirkhope e David Wise é inconfundível.

… e tem a parte ruim!

Embora tenha me divertido a maior parte do tempo explorando os mundos coloridos de Yooka-Laylee, também perdi um pouco a paciência. Antes de tudo, o jogo é um platformer tridimensional da velha escola e, em sua semelhança, herdou falhas tolas de game design de uma época que esse gênero ainda engatinhava.

Os controles, embora intuitivos, são imprecisos e os movimentos dos protagonistas um tanto soltos, tornando-os difíceis de manejar em algumas situações – se você jogou Banjoo-Kazooie recentemente (o que eu duvido) deve ter notado que os controles são péssimos. O mesmo posso dizer da câmera, frequentemente mal posicionada, diminuindo a noção de espaço e da posição do personagem, levando a erros bobos como cair de uma plataforma por causa de um pulo mal calculado.

Some a isso corridas contra o relógio, desafios longos sem checkpoints e alguns becos sem saída, e você pode acabar querendo jogar o controle contra a parede. Igualzinho a 1998.

Yooka-Laylee não se afasta muito do seu primo 20 anos mais velho, mas leva seus conceitos a um novo patamar… por bem ou por mal. Apesar dos defeitos, é gostoso explorar os cinco vastos mundos e coletar os itens espalhados – embora eu não tenha paciência de fechar 100%. A Playtonic criou uma carta de amor aos platformers dos anos 90, certo de agradar os fãs do gênero. Dividindo opiniões à época de seu lançamento, Yooka-Laylee merece uma chance e é capaz de surpreender até os mais céticos – se você ainda não jogou por causa do que leu na internet nos últimos dois anos, experimente e depois me conte o que achou.

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