Ainda me lembro do GameCube lançado com o primeiro Luigi’s Mansion (Nintendo, 2001), foi estranho no começo porque o console vinha sem um jogo do Mario mas, ao experimentar o game, todos meus preconceitos foram por água abaixo e a aventura protagonizada pelo irmão medroso se tornou uma das minhas prediletas. Joguei o quanto pude na locadora na época, devorei Luigi’s Mansion: Dark Moon (Next Level Games, 2013) no lançamento e até comprei o remake do jogo original quando ele veio também para o 3DS. Não seria surpresa minha ansiedade para começar logo Luigi’s Mansion 3 (Next Level Games, 2019) né?

A história se repete: Mario e sua turma são aprisionados em pinturas pelo vilão King Boo, que pretende mantê-los em sua coleção e cabe a Luigi, com ajuda das invenções do esquisito Professor E. Gadd, libertá-los. Para isso, ele deverá capturar hordas de fantasmas travessos e enfrentar as mais terríveis assombrações. Nada de novo. O que muda é que, desta vez, a aventura se passa em um enorme hotel.

Tem de tudo nesse hotel

Se, nos dois jogos anteriores, os desenvolvedores precisaram explorar todas as possibilidades de uma mansão mal-assombrada, aqui a equipe teve uma liberdade enorme de criação, pois cada andar do hotel Last Resort apresenta novos temas, como um castelo medieval, uma produtora de filmes e uma academia, além é claro dos quartos.

Em Luigi’s Mansion 3 a ação nunca se repete. Apesar da pouca variedade de fantasmas, a extensa gama de cenários macabros permite variados puzzles, mantém o jogo fresco, e você se vê obrigado a adaptar sua estratégia para cada ambiente. Além disso, a ânsia para recuperar logo o botão do elevador (o objetivo principal em todos os 17 andares) e descobrir o próximo cenário é altíssima, porque muda tudo!

Como regra, um chefão aguarda ao final de cada andar. As batalhas são criativas e requerem que o jogador use suas armas de diferentes formas para descobrir seus pontos-fracos. Nem todas lutas são equilibradas e algumas podem te tirar do sério, mas todas são divertidas.

Gráficos de outro mundo

Luigi’s Mansion 3 tem os melhores gráficos que já vi no Nintendo Switch. Pensar que o console é capaz de renderizar ambientes tão ricos em detalhes, luzes e efeitos parece sobrenatural*! A iluminação é espetacular, criando a atmosfera ideal para a divertida e macabra aventura. Os cenários não são tão escuros quanto do primeiro Luigi’s Mansion, e isso é ótimo. Várias pequenas fontes de luz preenchem o ambiente e permitem-nos apreciar suas particularidades.

*Se você for nerd como eu, esse vídeo do GameXplain [em Inglês] discorre sobre os aspectos técnicos dos gráficos do jogo.

Minha única queixa é que o visual foge um pouco do que tomamos como “padrão” do Reino do Cogumelo. Formas duras e anguladas, uma estética que mistura art déco, gótico e uma pitada de Tim Burton contrastam com o design do Luigi e seus amigos; além disso, os fantasmas têm um visual cartunesco muito próprio. Eu gostaria que tudo fosse mais coerente e esses diferentes estilos conversassem mais, porém, se lembrarmos que existe New Donk City (Super Mario Odyssey), acho que dá para relevar.

O trabalho de animação da Next Level Games é impecável, digno de comparação com os filmes da Pixar e, sem sombra de dúvidas, está entre os mais caprichados dos games estrelando personagens da Nintendo. Sem dizer uma única palavra, Luigi expressa suas emoções de forma cartunesca e cheia de personalidade, até nos menores detalhes: ao se assustar ele dá um pulo e, mesmo quando o jogador retoma o controle, Luigi segue franzindo as sobrancelhas, mexendo os olhos e tensionando o maxilar. O cuidado com as microexpressões enriquece a animação, mesmo que o jogador não as perceba.

A volta de Gooigi

Luigi’s Mansion 3 traz de volta Gooigi, um clone de Luigi feito de gosma verde, introduzido originalmente no remake de Luigi’s Mansion para o Nintendo 3DS, de 2018. A diferença é que, dessa vez, Gooigi é parte importante do gameplay: por causa de sua natureza gelatinosa, o clone pode se espremer entre grades, aberturas e armadilhas.

Um Goob curioso com o Gooigi

Quantas vezes eu não fiquei travado em alguma parte do jogo porque esqueci das habilidades do Gooigi? Uma delas foi no porão da discoteca: para conseguir coletar o dinheiro do cofre, eu juro que procurei a solução na internet. A resposta? Atravessar as barras de ferro com o Gooigi… como eu pude esquecer disso?!

Além de transpor obstáculos que Luigi não consegue, o clone gelatinoso pode ajudar nas batalhas e resolver quebras-cabeça, alguns dos quais requerem a união das forças de ambos personagens para serem completados.

Nada para gastar

Sugar tudo que vemos pela frente em Luigi’s Mansion é uma tarefa tão natural que acabamos nos acostumando a limpar uma sala inteira antes de seguir nosso caminho. E o trabalho da developer ao criar diferentes reações e interações para cada objeto serve de incentivo para sugarmos tudo! O problema, no entanto, é no acúmulo de moedas.

É muito legal sim ver uma pilha de moedas douradas reluzindo enquanto entram pelo cano do Poltergust G-00 e, desde o início do jogo, eu me dediquei a coletar cada uma delas. No entanto, o bolso só cresce e o game nunca dá nada relevante para o jogador gastar todo dinheiro coletado… eu adoraria comprar os óculos de luz-negra, o alarme de armadilhas ou o Super Poltergust do modo multiplayer no modo história, mas isso não é possível. O jogador pode gastar algumas moedas sim, com vidas extras e “indicadores” de itens secretos, mas isso vale pouco se podemos ver a localização daqueles itens na internet.

Luigi’s Mansion 3 repete a fórmula de seus antecessores mas traz novos elementos que o tornam único. É a mais charmosa, versátil e divertida aventura de Luigi até hoje e valeu à pena a espera mas, na boa, tomara que a Nintendo nos dê mais que três jogos pelos próximos 20 anos.

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