Meeehhhhh 🙄

A busca incessante por novas experiências de entretenimento eletrônico, criadas em quartinhos escuros, por equipes minúsculas, com jogabilidade inovadora e senso estético apurado, me levou a Donut County (Ben Esposito, 2018).

Esquisito por natureza, em Donut County você controla um buraco pelo cenário, engolindo pequenos objetos e aumentando de tamanho, o que permite engolir objetos maiores, até engolir tudo que há na tela. Parece legal no começo – e o trailer te convence disso – mas Donut County é, em sua maior parte, um jogo bem sem graça.

A explicação para os eventos do jogo é que BK, um guaxinim que trabalha na loja de rosquinhas da cidade, está controlando o buraco através de um app. A história se desenrola por flashbacks, mostrando as consequências das ações de BK conforme as personagens as narram em volta de uma fogueira, a 999 pés embaixo da terra. Ao enredo carece lógica, os diálogos são cheios de gracinhas (e muita “linguagem de internet”), principalmente a Trashopedia, mas não se aprofunda e não engaja.

Donut County é bonitinho mas o estilo visual perde a graça depois de três ou quatro fases (são 22 no total). Os cenários, embora com temas bem variados, são pequenos demais e parece que a fase acaba antes de pegar o embalo, então sobra ao jogador desfrutar o impacto que certos objetos podem ter no buraco como, por exemplo, engolir uma fogueira e umas espigas de milho, que resulta em pipoca estourando para fora do buraco – que você deve coletar depois. A última meia-hora do jogo até que fica divertida, pois introduz uma nova mecânica que dá uma apimentada nos puzzles, mas não vai muito longe.

Donut County parecia uma boa ideia e tinha tudo para ser uma experiência mobile gostosa, mas acabou que não é das mais interessantes – sério, até o minúsculo Florence (Mountains, 2018) me cativou muito mais. O jogo criado por Ben Esposito é, na minha opinião, o clássico hype que flopou. Ironicamente, ao contrário do “protagonista”, falta profundidade. Ficou um buraco que podia ser preenchido refinando narrativa e gameplay. Faltou algo que compensasse o tempo gasto. Fiquei entediado.

2 comentários sobre “Há um grande buraco em Donut County

    1. A diferença que eu senti em relação ao Katamari Damacy é que o KD tem uma escala gigantesca, você começa com uma bola de papel e termina embolando planetas inteiros. O Donut County não tem essa escala, e com isso perde um senso de “consequência” das ações do jogador/guaxinim. De qualquer forma, eu experimentaria, quem sabe você acaba gostando.

      Curtido por 1 pessoa

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