Eu esperava mais de Monster Jam: Steel Titans

Monster Jam: Steel Titans (Rainbow Studios, 2019) tinha tudo para ser o jogo definitivo dos poderosos monster trucks, com gráficos razoáveis e a presença dos maiores ícones do esporte mas, em vez de divertido, peca com falta de variedade, alguns problemas técnicos e um motor de física desastroso.

Em sua versão para o Nintendo Switch, os gráficos passam batido. Os caminhões são bem bonitos, brilhantes, detalhados e, no geral, bastante realistas. Fãs da modalidade vão curtir o trabalho minucioso dos designers nos monster trucks, capturando bem as características que tornam cada veículo único. Além disso, eles se sujam e perdem pedaços quando trombam ou capotam, o que deixa tudo mais legal. Particularidades como o brilho alaranjado dos faróis do Grave Digger ou as longas e esvoaçantes orelhas do Monster Mutt estão presentes e isso é ótimo.

Os cenários, por outro lado, são malfeitos: as texturas se repetem e é muito fácil de notar… se você estiver voando alto e pausar o jogo, o pattern fica bem evidente!, os objetos são pouco detalhados, e a plateia nas arquibancadas das arenas é grotesca. Também há uma quantidade absurda de pop-in, o que significa que os objetos ficam aparecendo bem na sua frente, além de efeitos muito básicos de motion blur, partículas e iluminação – e vamos combinar, até o hardware “capado” do Switch é capaz de gráficos muito melhores, como comprovou o lindo Luigi’s Mansion 3.

Difícil de controlar, difícil de dominar

Em sua essência, Monster Jam: Steel Titans é como qualquer outro jogo de corrida, sem nenhuma novidade se não fossem os monster trucks. Qualquer jogador vai se familiarizar imediatamente com os controles.

A diferença está em como os enormes caminhões se comportam: em terrenos planos e retas eles são fáceis de dirigir (até certo ponto) e respondem bem aos comandos do jogador; no entanto, uma pedra no caminho ou uma entrada levemente torta numa rampa pode tirar o veículo de curso e te fazer rodar sem controle! Os monster trucks são tão desengonçados que, mesmo em baixa velocidade, se você trombar com qualquer coisa, certamente será jogado longe e vai acabar de cabeça para baixo.

É muito fácil capotar, por isso o jogador deve ser preciso no volante do monster truck mas, mesmo pilotando com perfeição, pode ser bem difícil ganhar as corridas porque, diferente de qualquer bom game com inteligência artificial competitiva, os pilotos adversários em Monster Jam: Steel Titans correm por trajetos pré-definidos, em fila indiana e velocidade constante, à prova de erros – chamar de “inteligência” seria um insulto. Em outras palavras, as regras do jogo só valem para o jogador.

Batendo na mesma tecla

O foco de Monster Jam: Steel Titans é o modo carreira, que consiste em seis séries (mais três do modo Plus) repetidas, cuja principal diferença é a extensão. O campeonato mundial, última série do modo carreira, é feito de 50 eventos que repetem a mesma ordem (Two-Wheel Skills, Freestyle e Head-to-Head) na mesma sequência. Some essa repetição às inúmeras vezes que você reiniciará um evento porque capotou graças à física bizarra do jogo, e rapidamente nem saberá mais quantos eventos já foram e quantos ainda faltam para o fim da série.

Meu irmão e eu com o Bigfoot nº12, cerca de 1995

Há um mundo aberto de tamanho razoável para explorar, mas há pouco para fazer ali. Umas rampas, uns morros e uns colecionáveis que não tem graça de pegar. Sendo sandbox, mais espaço, objetos e power-ups vão sendo liberados conforme o jogador progride, mas nada empolgante. Há algumas competições mas, como é de se esperar, são repetitivas, embora, por serem bem curtas, não enjoam. Estranho é afirmar que o modo mais divertido em Monster Jam: Steel Titans é o mundo aberto, porque você pode correr, pular e capotar à vontade, sem comprometer seu progresso… é uma pena que a developer parece ter dedicado tão poucos recursos e tempo na criação do mundo aberto, que poderia ter sido o grande trunfo do jogo.

Até as opções de caminhões do jogo são repetitivas: há uma enorme variedade para escolher, mas eles são só variações/skins dos mesmos monster trucks! É como o uniforme A, B e C de um mesmo time de futebol. Eu senti falta de alguns clássicos como Bigfoot, mas sua inclusão seria um problema de licenciamento… mesmo se liberassem como DLC, eu já me satisfaria.

Novos monster trucks são comprados e melhorados usando os pontos ganhos nos campeonatos mas, até a publicação deste post, ainda estou longe de liberar todos os veículos do jogo, embora eu já tenha zerado todo o modo carreira. Quantas vezes é preciso repetir os campeonatos, para conseguir pontos suficientes para comprar todos os monster trucks, permanece uma incógnita. A única certeza é que será uma tarefa tediosa.

Mais que qualquer outro jogo de monster trucks, Monster Jam: Steel Titans faz seu melhor para entregar uma experiência autêntica, mas se atrapalha nos defeitos. As corridas não são divertidas, as competições de manobras não são divertidas, o mundo aberto é um grande vazio. Há momentos que você acha que está realmente curtindo o jogo – como quando acha que dominou os controles –, mas o sentimento desaparece quando a realidade bate e seu monster truck é lançado no ar, girando como um busca-pé descontrolado. Monster Jam: Steel Titans foi criado para fãs da modalidade, que comprariam sem pensar. Pelo menos o jogo é barato.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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