Jogos inesquecíveis em Flash

O Adobe Flash (antes Macromedia) tem um lugar especial no coração de muitos gamers que cresceram no começo dos anos 2000. Sites como Newgrounds, Addicting Games e PopCap Games ofereciam inúmeros jogos gratuitos para jogar pelo navegador, bastava ter o software instalado. Fosse em casa depois da escola, no trabalho enquanto o chefe estava fora, ou naquela horinha de LAN House, os jogos em Flash fizeram a alegria de milhões e ali, em meio a tanta variedade, inovação e uma tonelada de porcarias, alguns se sagraram clássicos.

Hoje, dia 31 de dezembro de 2020, a Adobe pregou o último prego no caixão do Flash, enterrando consigo um milhão de video games criados na plataforma nas últimas duas décadas. A maioria já caiu no esquecimento e muitos que sobraram não farão falta, mas quero deixar registrados aqui meus jogos em Flash favoritos, que de alguma forma se destacaram:

Alien Hominid (The Behemoth, 2002)

Logo de cara preciso mencionar um dos games fundamentais, Alien Hominid. Lançado por Dan Paladin e Tom Fulp no site Newgrounds, este run’n’gun explodiu em popularidade graças aos gráficos super estilizados desenhados à mão, cores vibrantes, bom humor, ação frenética e multiplayer cooperativo.

Com jogabilidade que lembra Metal Slug, você é um pequeno alienígena que deve sobreviver a hordas de agentes do FBI, armados até os dentes, tentando te capturar. Para tornar a difícil missão de sobreviver um pouco mais tranquila, você tem à disposição power-ups que deixam a ação mais divertida e as mortes ainda mais sanguinolentas.

De todos os games nessa lista, Alien Hominid é o mais provável que você conheça ou já tenha visto por aí – e por um bom motivo. É um dos mais populares de todos os tempos, jogado mais de 20 milhões de vezes no Newgrounds [Fonte], ganhando ports para PlayStation 2 e GameCube em 2004, e mais tarde Xbox, Game Boy Advance e iOS.

Grow Cube (On Nakayama, 2002)

Confesso que demorei a entender Grow Cube, mas havia um ar de mistério e descoberta que me levava de volta ao seu puzzle de tempos em tempos. Neste flash game, você começa com um cubo vazio e o objetivo de transformá-lo em um mundo habitável, com novas interações e animações que ganham vida pelas suas escolhas. Para isso, deve selecionar os itens corretos na ordem correta. É simples, mas não é fácil; uma escolha errada e as novas interações não darão resultado. Para piorar, são 3.628.800 possibilidades. Uma dica? Sempre comece pelo humano.

Robot Unicorn Attack (Spiritonin Media Games, 2010)

No era de ouro dos endless runners, a Adult Swim lançou o colorido Robot Unicorn Attack, jogo de plataforma cujo objetivo é chegar mais longe. Você controla um unicórnio robô com crina de arco-íris, ganhando pontos de acordo com a distância percorrida, coletando fadas ou destruindo estrelas de cristal com seu chifre. Acessível, mas desafiador. O sucesso foi tamanho que a Adult Swim encomendou outras versões, como a nostálgica Retro Unicorn Attack, de 2012, com gráficos que remetem ao Atari 2600.

Punk-o-Matic (Evil-Dog Productions, 2004)

Duas guitarras, uma bateria e horas de diversão! Punk-o-Matic é um criador de punk rock que funciona com pequenos módulos – contendo riffs, solos e sequências de notas – que podem ser combinados para compor as músicas. A mesma batida e afinação significam que, independente de como você combine os módulos, a música sempre funciona.

Coincidentemente, descobri Punk-o-Matic em uma época que meu irmão e eu experimentávamos ter uma banda, então imagine quanto tempo dediquei ao jogo e quantas composições diferentes criei com as opções que ele disponibilizava!

Uma das coisas que eu mais gostava era a possibilidade de salvar e compartilhar as músicas. Como? Por um arquivo do Bloco de Notas. Sério. Era genial! Depois bastava fazer o upload do arquivo txt no Punk-o-Matic para ouvir as músicas dos amigos ou outros jogadores na internet. Eu, meu irmão e meu primo ficamos tão viciados que começamos a escrever nossas músicas direto no Bloco de Notas, e eu devo ter esses arquivos salvos em algum CD-R perdido por aí.

Portal: the Flash Version (We Create Stuff, 2007)

Acredite se quiser, mas Portal: the Flash Version foi lançado 1 dia antes do jogo da Valve. Boato é que dois amigos, fãs da Valve, que mal podiam conter a ansiedade pelo novo game, decidiram criar sua própria versão em Flash. Tão sofisticado e divertido quanto o game original, ganhou fama e acabou tendo seu level design “copiado” em Portal: Still Alive lançado exclusivamente no Xbox Live Arcade.

A jogabilidade é simples e os controles super responsivos. Como puzzle, achei genial a maneira como a dupla desenvolveu cada desafio. Criado em apenas dois meses, o jogo tem mais de 40 fases que exploram o uso dos portais.

Eu me lembro do meu primo mostrar Portal: the Flash Version na época, sendo que só ouvi falar do próprio jogo da Valve quando eles lançaram Portal 2 em 2011.

Bejeweled (PopCap Games, 2000)

Originalmente com o nome Diamond Mine, este foi o puzzle viciante que conquistou sua mãe muito antes do Candy Crush. A mecânica é a mesma, juntar três ou mais pedras preciosas, fazer combos e acumular pontos. Um dos games mais conhecidos dessa lista, além de um dos poucos sobreviventes, Bejeweled é descomplicado mas difícil de dominar.

Um jogo similar, tão divertido quanto mas que eu não jogava muito, era Zuma (Oberon Media, 2003). Nele, você atira bolas coloridas da boca de um sapo em uma fileira de bolas, com objetivo de combiná-las e destruí-las, antes que cheguem até o anfíbio. Apesar de não jogar, quis comentar sobre Zuma porque há uma história bem interessante por trás da criação desse Flash game, que você pode assistir nesse vídeo [em Inglês].

Dino Run (Pixeljamgames, 2008)

Com gráficos 8-bit bem antes da moda do pixel art, Dino Run é um simpático jogo de sobrevivência cujo objetivo é escapar da extinção iminente pela queda de um meteoro, evitando obstáculos e deixando para trás outros dinossauros desesperados. Comer ovos e outros dinos menores dá pontos para melhorar suas habilidades. Você também pode personalizar seu personagem com cores e chapéus diferentes, o que traz charme e variedade para um jogo simples, mas divertido e muito bem desenvolvido. Em 2015 foi lançado port de Dino Run para PC e Mac.

Line Rider (Boštjan Čadež, 2006)

Extremamente popular, Line Rider é acessível, intuitivo e altamente viciante. Nele, você desenha linhas livremente com o mouse, que formarão a pista por onde o pequeno boneco escorregará com seu trenó. Não há limite para as pistas, então você pode criar o que quiser! Quedas engraçadas, corridas alucinantes e até pistas que acompanham música clássica. Se você é da época dos jogos em Flash, provavelmente jogou Line Rider, que virou febre graças às pistas malucas que as pessoas criavam e compartilhavam. Se não jogou, não sabe o que perdeu.

Madness Interactive (Max Abernethy, 2003)

Madness Interactive é aquele tipo de jogo que “só quem jogou sabe”. Desafiador e viciante, o jogo é protagonizado por um boneco sem face que deve sobreviver a ondas de inimigos usando o que encontrar pela frente: porretes, facas, revólveres, metralhadoras ou, no desespero, sair no soco mesmo. Tudo para recuperar uma torta roubada… sim, uma torta.

O jogo foi baseado em uma série de animações no Newgrounds criada por Matthew Jolly. Cheio de violência gratuita, ação frenética e o famoso (na época) bullet time aos moldes do filme Matrix, Madness Interactive rendeu inúmeras horas de diversão.

Crush the Castle (Joey Betz e Chris Condon, 2009)

Lançado exclusivamente no site Armor Games, meses antes do fenômeno mundial Angry Birds – cuja mecânica básica é a mesma, e motivo de controvérsias – o objetivo em Crush the Castle é eliminar todos os habitantes do castelo, usando uma catapulta e pedras ou bombas. Não era o jogo mais bonito do mundo, mas seu apelo estava na jogabilidade trivial e no deleitável motor de física – era viciante e super divertido ver como os castelos explodiam, desabavam e o sangue jorrava com cada tiro.

YetiSports: Pingu Throw (Edelweiss Medienwerkst, 2004)

Praticamente todo mundo que já jogou algum Flash game botou as mãos em YetiSports: Pingu Throw, onde você dá uma paulada em um pinguim e vê ele voar centenas de metros. O objetivo, claro, é fazer o pinguim chegar o mais longe possível. O sucesso foi tamanho que a developer transformou YetiSports em uma franquia com vários outros “esportes” hilários protagonizados pelo abominável homem das neves.

Bartender: The Right Mix (Liquid Light, 2005)

Você já misturou bebida. Ok, não necessariamente bebida alcoólica, pode ser suco de fruta ou refrigerante, mas com certeza você já misturou bebida. Essa é a premissa de Bartender: The Right Mix, criar todas as combinações possíveis com as bebidas disponíveis no bar, de vermute a suco de cranberry, umas pedras de gelo, um limãozinho como guarnição e ver no que vai dar.

A cobaia de suas criações é o próprio barman, monsieur Miguel. O objetivo, na verdade, é servir um clássico coquetel americano Cosmopolitan, mas a real diversão de Bartender: The Right Mix é assistir às diversas e inesperadas reações do barman ao experimentar as misturas do jogador. Se ele detestar a bebida (ou morrer), é fim de jogo.

O jogo foi concebido para a desenvolvedora imobiliária britânica Land Securities como um criativo convite a um evento da empresa. Disponível para qualquer um com acesso à internet, o Flash game se popularizou no mundo inteiro. Pauvre Miguel!

Kill the Popups (Rob Manuel, 2006)

O site britânico B3ta desenvolveu um jogo que captura a essência da nossa frustração com uma das coisas mais invasivas da internet: a janela popup. Você com certeza, alguma vez, já clicou em um link e foi bombardeado por popups oferecendo todo tipo de coisa. Realistic Internet Simulator – mais conhecido como Kill the Popups – lhe desafia a fechar todas as janelas popup o mais rápido possível, antes que elas dêem pau no computador.

Tattoo Artist (Game Pill, 2009)

Você é um tatuador iniciante e deve provar seu talento na pele dos clientes. Em Tattoo Artist o objetivo é desenhar na linha o melhor possível, ficando de olho também nos medidores de estresse, dor e satisfação do cliente, sem se esquecer de terminar o trabalho no menor tempo possível.

Em um único post é impossível elencar todos os clássicos desenvolvidos em Flash, mas tentei com o que vinha na memória (precisei do meu irmão e meu primo para lembrar alguns) e é gostoso relembrar jogos e histórias que ficaram esquecidas no tempo. E você, é da geração que matava horas na internet com jogos em Flash? Quais eram os melhores? Quais foram seus favoritos? Me conta nos comentários.

Menção honrosa

Yellow Submarine (Flavio Dechen, 2005)

O Flash marcou época como suporte para tantos games mas, no meu caso, também no meu desenvolvimento como designer, já que usava o software na época da faculdade para criar websites e, claro, jogos.

Meu favorito, que deu muito trabalho mas rendeu uma nota 10 na aula de Lógica da Programação, foi um shoot’em up baseado na animação de 1968 inspirada pela música da lendária banda The Beatles. Desenhado à mão e programado em Actionscript 2, em Yellow Submarine você controlava a famosa embarcação, desviando dos ataques dos Blue Meanies e das investidas da terrível Luva Voadora, tendo como pano de fundo a canção homônima. Você tinha três vidas e precisava sobreviver até zerar o cronômetro, que terminava junto com a música. Se conseguisse, era contemplado com uma linda imagem de todos os habitantes de Pepperland felizes, sãos e salvos.

Yellow Submarine não foi o único game que criei na faculdade, mas foi de longe o mais desafiador, pois empregava um motor de física, hit box, animações, loops, efeito parallax e por aí vai. O resultado valeu a pena.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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