Blazing Chrome resgata o melhor dos run’n’gun old school

Durante as últimas duas ou três semanas, andei levando meu Nintendo Switch para o trabalho, para jogar um pouquinho na hora do almoço. O game que tem me acompanhado é o brasileiro Blazing Chrome (JoyMasher, 2019) um retorno digno ao action run’n’gun clássico, feito de cabo a rabo nos moldes dos seus irmãos mais velhos das décadas de 1980 e 90, certo de agradar qualquer fã apaixonado pelo gênero, que carregue consigo uma devoção sádica pela dificuldade alta e jogabilidade que exija reflexos rápidos e precisão.


Nesse mundo pós-apocalíptico, você pode escolher ser Mavra, uma das últimas humanas na Terra; ou Doyle, um robô renegado a serviço da Resistência. Sua missão suicida passará por várias fases abarrotadas de inimigos, muitas terminando no encontro com um mini-chefe, alguns chefões e até uma fase inspirada na traumática Turbo Tunnel do clássico Battletoads (Rare, 1991) e outra com referência a Space Harrier (Sega, 1985). Terminar o jogo destrava dois novos personagens: o ninja Raijin e Suhaila, incluindo uma mecânica que, com certeza, vale retornar para uma nova partida. O design dos personagens principais ecoa estereótipos dos filmes de ação dos anos 80 e 90 e dos clássicos da franquia Contra (Konami, 1987-1994) que Blazing Chrome obviamente admira, embora, sem dúvida, a obra-prima Contra III: The Alien Wars (Konami, 1992) seja a mais fielmente replicada. Por sua vez, os heróis desbloqueáveis fazem clara alusão a outro clássico dos fliperamas, Strider (Capcom, 1989).

Blazing Chrome tem dificuldade elevada – como é de se esperar de um run and gun retrô – mas não chega a ser cruel. Você verá várias vezes a tela de game over, mas a quantidade de checkpoints nas fases garante que as frequentes mortes não dêem raiva! Você perderá seus itens, claro, mas faz parte do aprendizado. Os sádicos ficarão animados em saber que terminar o game no modo Normal habilita uma nova dificuldade Hardcore, em que você deve zerar com 3 vidas e 3 continues, sem salvar.

Blazing Chrome oferece multiplayer cooperativo local, assim você e um amigo podem enfrentar juntos a legião de robôs que domina a Terra! Só não vale socar o amiguinho que perder todas as vidas.

Talvez o elemento que mais chame a atenção em Blazing Chrome seja sua estética estilo 16-bit. A equipe da JoyMasher não economizou na criação dos mais belos sprites, a par dos melhores trabalhos da época do NeoGeo! Os gráficos são super detalhados, com cada pixel meticulosamente trabalhado para trazer o melhor dos jogos 2D, botando muitos dos sprites estilo Flash de outros indie games no chinelo. Apesar de bastante fiéis às limitações gráficas dos arcades e consoles da década de 1990, os designers não criaram um visual retrô datado, mas sim alguns dos sprites mais detalhados e vibrantes que você verá nos jogos contemporâneos. O nível de atenção aos detalhes é o mesmo dos personagens aos cenários, passando pelas diferenças gráficas entre o jogo no PC – que usa efeitos de partícula – e no Nintendo Switch, que teve alguns elementos substituídos para demandar menos do hardware, por exemplo.

O sound design complementa os gráficos com perfeição! Explosões barulhentas e efeitos sonoros metalizados parecem sair direto dos chips de áudio do Mega Drive, e alguns diálogos sintetizados low-fi dão o toque final. Para unir todos os elementos, a trilha sonora retrô composta pelo sueco Dominic Ninmark é uma das melhores músicas de video game que eu ouvi nos últimos anos, uma carta de amor à velha guarda dos jogos de ação.

Blazing Chrome é um jogo quase perfeito – talvez seu único defeito é ser curto demais. É fácil de pegar e jogar, oferece emoção e desafio na dose certa, e é incrivelmente divertido! A developer brasileira, claramente, tem um amor verdadeiro pelo gênero run and gun e pela época em que este nasceu. Se você curte grandes clássicos como Metal Slug (SNK, 1996) e Contra, Blazing Chrome é um jogo obrigatório!

P.s.: Se você também achou Blazing Chrome lindíssimo, e tem carinho pelos games das eras 8-bit e 16-bit, faça-se um favor e confira os outros jogos da JoyMasher, Oniken (2012) e Odallus: The Dark Call (2015). Maravilhosos!

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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