Alex Kidd in Miracle World DX é um remake feito do jeito certo

Confesso que eu estava bastante ansioso pelo lançamento de Alex Kidd in Miracle World DX (Jankenteam, 2021) porque o jogo original é um dos meus favoritos de todos! Ao mesmo tempo, estava temeroso pelas mudanças que a developer estava fazendo, ao atualizar o clássico de 1986 para o universo dos games contemporâneo. Sinto um prazer imensurável em afirmar que deu tudo certo, Alex Kidd in Miracle World DX faz jus, em todos os aspectos, ao original, e tenta resgatar a nostalgia de quem jogou o game na era 8-bits, oferecendo também aos novos jogadores um bom platformer com lindos gráficos 2D.

Alex Kidd, um príncipe bem treinado nas artes marciais, deve salvar o reino de Radaxian das garras do terrível vilão Janken, o Grande, que transformou seus habitantes em esculturas de pedra. De quebra, também precisa resgatar seu irmão gêmeo Egle e a esposa Lora, e devolvê-los o trono. A história é a mesma contada no Master System, mas Alex Kidd DX vem cheio de novidades!

Novas fases, fiéis às limitações técnicas e ao level design da época, expandem o mundo de Alex Kidd e fecham alguns buracos do jogo de 86. Há também a inclusão de NPCs e diálogos que ajudam a narrar o game, uma novidade bastante bem-vinda, já que, originalmente, a maior parte da história era contada no manual de instruções. As batalhas contra os mini-bosses e os chefes foram revisadas, são mais dinâmicas e apropriadas ao gênero platformer contemporâneo. Entre outras novidades, a melhor de todas é que, agora, Alex conta com vidas infinitas! Você ainda pode jogar com limite de três vidas, se for masoquista, mas eu prefiro conseguir terminar o jogo 😅 considerando que os desenvolvedores mantiveram as mecânicas idênticas ao original, eu não me vejo mais jogando o game sem essa conveniência.

Alex Kidd tão lindo como nunca

É nos gráficos renovados que Alex Kidd in Miracle World DX realmente brilha! O protagonista, as fases e todos seus habitantes estão surpreendentemente detalhados, com sprites coloridos à altura dos melhores games indie contemporâneos. Os capangas de Janken, que estão à frente das disputas de “pedra, papel, tesoura”, agora se parecem mais com os personagens de Dragon Ball nos quais foram inspirados. A pixel art primorosa revela o amor dos desenvolvedores pelo jogo lançado no Master System – e se você quiser revisitar o clássico, basta pressionar um botão para ser transportado de volta à era 8-bit.

A trilha sonora também foi remasterizada com a mesma familiaridade e atenção aos detalhes dados aos gráficos. As músicas originais em chiptune se transformaram em arranjos completos e robustos, o jogo ganhou novas faixas e, agora, cada fase e chefe têm uma música para chamar de sua.

Homenagem ao personagem e seus criadores

Uma adição muito bacana em Alex Kidd DX, que se prova um belo desafio, é a caça aos easter eggs espalhados pelas fases. São ao todo 15 colecionáveis que fazem parte da história do Alex Kidd e outros games da Sega como, por exemplo, as capas das versões japonesa e americana do jogo, um anel dourado do Sonic e a nave Opa-Opa do clássico Fantasy Zone. Só assegure-se de encontrar todos ao longo da jogatina, porque Alex Kidd DX não tem seleção de fase e, iniciar um novo jogo, apaga tudo e você precisará coletar tudo outra vez.

Alex Kidd in Miracle World DX começou, inicialmente, como uma releitura desenvolvida por dois fãs espanhóis José Sanz e Hector Toro, em 2018. O trabalho ficou tão bom, que a dupla (agora chamada Jankenteam) conseguiu sinal verde da Sega para transformá-lo no remake oficial, lançado em junho passado! Talvez tenha sido esse o segredo por trás do excelente trabalho, uma dupla que entende o que fez de Alex Kidd in Miracle World destaque no Master System, e soube dar cara nova ao clássico, sem perder sua essência.

Alex Kidd in Miracle World DX certamente agradará aqueles que investiram horas e horas no jogo original. O mascote esquecido da Sega pode nunca ter recebido a atenção que merecia, mas com certeza ficou gravado na memória daquelas crianças sentadas em frente aos seus Master System, e retorna em grande estilo para, quem sabe, encontrar seu lugar ao sol.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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