Mistério para todas as idades com Jenny LeClue: Detectivu

Jenny LeClue: Detectivu (Mografi, 2019) é uma espirituosa aventura point-and-click que vai, com certeza, lhe fazer não ver passarem as horas. Um enredo intrigante, jogabilidade variada mas familiar e personagens cheias de nuances diferenciam essa história de detetive de tantas outras. Joguei uma demo no iPhone em 2016, tão legal que nunca me esqueci do nome da protagonista: Jenny LeClue foi lançado originalmente no Apple Arcade mas agora chegou ao Nintendo Switch, a versão que eu comprei.

O jogo começa com Arthur K. Finklestein, o célebre autor da série de livros infanto-juvenis Jenny LeClue, sendo provocado pelo seu editor para ousar mais na trama do 38º livro da jovem detetive, ou este será forçado a cancelar a publicação do livro. A contragosto, o autor concorda que, desta vez, em vez de resgatar gatinhos indefesos ou encontrar diários perdidos, nossa heroína terá que investigar um assassinato de verdade, a morte trágica de uma célebre figura local. Não bastante, sua própria mãe é acusada pelo crime e cabe a Jenny resolver o caso.

Então, na verdade, nós jogamos uma história dentro de outra história. Ambas narrativas se entrelaçam, Jenny precisa provar a inocência da mãe, enquanto Finklestein deve atender às ordens de seu editor e manter as coisas interessantes para o “leitor” (isto é, o jogador).

Em Jenny LeClue: Detectivu você precisa explorar cada canto da pequena cidade de Arthurton, resolvendo puzzles, buscando evidências e pistas com sua fiel lupa, e juntando as peças dos quebra-cabeças para avançar na história. Além de procurar pelos cenários – passando pela faculdade local, pela casa da garota popular e até pelo cemitério –, você também vai interrogar alguns personagens, escolhendo entre opções de diálogo que, além de ajudar a solucionar o mistério, vão moldando traços da “personalidade” da protagonista conforme suas decisões. As personagens se lembrarão das suas respostas, o que pode ser de grande ajuda ou esquentar a chapa mais tarde. É uma mecânica interessante que proporciona rejogabilidade a um jogo tão linear.

Jenny LeClue: Detectivu não é uma aventura agitada e cheia de ação, mas uma jornada tranquila que coloca em primeiro plano a narrativa e o desenvolvimento da personagem – é o tipo de jogo que vive ou morre por sua trama, lugares e personagens. Felizmente, estes são cativantes desde o início e permanecem encantadores durante as cerca de 10 horas de duração do jogo. A brilhante Jenny não é só mais uma detetive adolescente, mas uma personagem completa, cujo comportamento inconsequente e destemido, e seu espírito analítico escondem uma tristeza sinceramente identificável. Da popular líder de torcida com um segredo inconfessável ao idiota vestido de mascote do time, há mais em cada habitante da cidade de Arthurton do que os olhos podem ver, e é esse sentimento de descoberta e, quem sabe, autocrítica, que nos mantém envolvidos com o game.

A estética papercraft evoca os ares de um livro infanto-juvenil bem ilustrado, é exuberante e instiga a curiosidade. Simplesmente vagar pela cidade de Arthurton é um deleite e me faz querer mais – infelizmente, Jenny LeClue é bidimensional e só permite explorar dentro dos limites, mas poxa vida, como eu queria poder espiolhar cada cantinho! O game é muito charmoso, e me transportou de volta à época que eu devorava os livrinhos de detetive da coleção Salve-se Quem Puder, publicada pela Editora Scipione na metade dos anos 1990 – que inclusive, tenho até hoje.

Se você gosta do gênero adventure point-and-click e histórias de detetives, dê a Jenny LeClue: Dectetivu uma chance. Perfeito para matar umas horinhas, é um livro infanto-juvenil travestido de video game, envolvente, estimula o raciocínio lógico fazendo perguntas e guiando seu pensamento, e entretém jogadores de qualquer idade. Portanto pegue uma caneca de chocolate quente, fique bem confortável e divirta-se com a intrépida Jenny LeClue em sua aventura.

Flávio

Me formei na faculdade de Design em 2007, sou apaixonado pela minha profissão, por rock'n'roll, cozinhar, jogar video game, por Star Wars e hamburger. Colaborador do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras.

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